Afinal, o hash pode ser uma ferramenta terapêutica?

Para além do uso social, as extrações de cannabis podem ser incorporadas a tratamentos médicos? Conversamos com a Dra. Juliana Paiva, que explica o potencial terapêutico do hash

Popularmente conhecido como hash, o haxixe é o resultado da separação dos tricomas, estruturas que abrigam uma resina rica em canabinoides e outros compostos, da matéria vegetal da planta de cannabis. Essa separação, ou extração, pode ser feita através de várias técnicas, manuais ou químicas, com ou sem o uso de solventes, que resultam em diferentes produtos, como BHO, dry ou ice, por exemplo.

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O hash nada mais é, então, do que uma massa concentrada de compostos, como canabinoides (THC, CBD, CBG e por aí vai, dependendo da variedade da planta), terpenos e flavonoides, que conferem os efeitos, aromas e sabores característicos de cada genética.

Hash terapêutico?

Seguindo a máxima de que “toda maconha é terapêutica”, o haxixe pode, sim, ser uma ferramenta para o tratamento de condições médicas. Mas, para sair da superficialidade, trocamos uma ideia sobre o tema com a Dra. Juliana Paiva, médica com pós-graduação em cannabis medicinal e fitoterapia. Confira a seguir:

O haxixe pode ser considerado uma ferramenta terapêutica? De que maneira?

Sim, com certeza!

Com o uso vaporizado — que é indicado do ponto de vista médico para crises, e aí vai depender da composição do haxixe o uso em cada crise: se for crise de ansiedade, haxixe rico em CBD pode ajudar, se for crise de dor, o rico em THC faz mais sentido, e assim o médico pode indicar para cada paciente o que lhe couber.

Diferentes métodos de extração resultam em diferentes produtos. Como avaliar qual método é o mais eficaz para produzir remédios de acordo com a necessidade do paciente?

O mais importante nesse caso é encontrar um remédio que seja sem outros contaminantes ou resíduos, tenha apenas canabinoides em sua composição, e avaliar a concentração disponível também. Para isso, o médico avalia o certificado de análise do concentrado.

Qual a importância da escolha da variedade de cannabis e de seu manejo para obter um concentrado que atenda às necessidades clínicas do paciente?

Isso é muito importante! Nesse caso, é importante avaliar a proporção dos canabinoides (CBD, THC, CBG, CBN e outros), além disso, avaliar principalmente os terpenos disponíveis e seus efeitos (se eu quiser relaxamento, por exemplo, linalol é interessante, se eu quiser estimulante, pineno poderia ser). Ou seja, a variedade da planta pode garantir o sucesso ou o fracasso do tratamento.

Sobre o haxixe fumado, quais são as vantagens e desvantagens de seu uso terapêutico?

A principal vantagem é o efeito rápido, potente e que passa mais rápido do que o via oral – excelente para crises.
A desvantagem do uso fumado vem de inalar fumaça, o que pode ser minimizado pelo uso vaporizado.

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