Vice-ministro russo critica legalização da cannabis em outros países

Duas fotos, uma de Oleg Syromolotov e outra da inflorescência de uma planta de cannabis.

Segundo Oleg Syromolotov, a regulamentação da maconha em países como EUA e Canadá “é uma questão de séria preocupação” para a Rússia

Em uma atitude histérica e contra o movimento global de evolução das políticas de cannabis, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Oleg Syromolotov, discursou contra o avanço em direção à legalização da maconha, em curso em vários países, durante a 65ª sessão da Comissão sobre Drogas Narcóticas das Nações Unidas (ONU).

Leia também: Rússia x Ucrânia: como a guerra afetará a indústria europeia da cannabis

“Ao longo de todos esses anos, as três convenções de controle de drogas constituíram a base sólida de nossa cooperação jurídica internacional. É simbólico que neste ano celebremos o aniversário do Protocolo de 1972 à Convenção Única sobre Drogas Narcóticas de 1961”, disse Syromolotov. “É lamentável que hoje vejamos tentativas de quebrar essa base e distorcer sua essência. A legalização da distribuição gratuita de cannabis em países como os Estados Unidos da América e o Canadá é uma questão de séria preocupação para nós“.

É preocupante que vários estados-membros da União Europeia estejam atualmente considerando violar suas obrigações de controle de drogas. Tal abordagem é inaceitável. O cumprimento estrito de todos os Estados partes com suas obrigações sob as convenções é a pré-condição para o bom funcionamento do regime global de controle de drogas”, disse o chefe da delegação russa.

Não é uma surpresa ver o apoio à “guerra às drogas”, que em mais de 50 anos serviu apenas para causar mortes e mazelas sociais, muito além do qualquer substância poderia provocar, de um país que, segundo especialistas em direito internacional humanitário, está violando os princípios da Carta da ONU ao travar um ataque militar sem justificativas contra a Ucrânia.

Segundo o representante russo, “a Rússia está defendendo consistentemente que apenas os Estados que estão implementando as disposições das convenções de boa fé têm o direito moral de participar das atividades da Comissão. Ao aplicar uma abordagem diferente, corremos o risco de minar a autoridade da Comissão, que é o órgão de formulação de políticas das Nações Unidas com a principal responsabilidade pelas questões de controle de drogas”.

“A Rússia está sempre empenhada num debate construtivo e substantivo na Comissão. Esperamos que os resultados desta sessão contribuam de forma sólida para nossa resposta conjunta efetiva à criminalidade relacionada às drogas”, finalizou Syromolotov.

Leia mais: Você sabia que a Rússia costumava ser a maior exportadora mundial de cânhamo?

Felizmente, a ONU está demonstrando nos últimos anos uma tendência a basear suas decisões em evidências no que diz respeito ao controle da cannabis. Em 2020, a Comissão sobre Drogas Narcóticas removeu a cannabis do Anexo IV da Convenção Única de 1961, reconhecendo o valor medicinal da planta.

Desde então, a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE) lançou uma “Iniciativa de Controle da Cannabis”, que está sendo desenvolvida para apoiar os estados-membros na harmonização de práticas de monitoramento e controle sobre cannabis, a fim de “garantir a disponibilidade de substâncias à base de cannabis para fins médicos e científicos, evitando seu desvio e abuso”.

Entretanto, 181 ONGs de 56 países enviaram, em dezembro de 2021, uma carta aberta ao Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, pedindo “maior transparência e responsabilidade na JIFE, particularmente em relação à sua Iniciativa de Controle da Cannabis”.

“A JIFE está desenvolvendo suas diretrizes internacionais de ‘Iniciativa da Cannabis’ em total opacidade. O pouco que se sabe sobre essas diretrizes sugere que elas favorecem regulamentações restritivas que prejudicam o acesso e a disponibilidade de medicamentos à base de cannabis, levantando questões sobre a legitimidade e o escopo do processo”, disse o pesquisador europeu de cannabis e pensador Riboulet-Zemouli, em entrevista.

Em junho de 2021, a ONU pediu a proibição mundial da publicidade de produtos de cannabis após a publicação do Relatório Mundial sobre Drogas. O relatório exigia que a proibição da propaganda de cannabis funcionasse de maneira semelhante às proibições recomendadas pela Organização Mundial da Saúde à propaganda de tabaco.

Leia também:

Prisão de estrela do basquete por posse de óleo de cannabis gera impasse diplomático entre Rússia e EUA

#PraTodosVerem: imagem composta por duas fotos, uma de Oleg Syromolotov e outra da inflorescência de uma planta de maconha.

Deixe seu comentário
Assine a nossa newsletter e receba as melhores matérias diretamente no seu email!