Vendedores marroquinos de haxixe boicotam traficantes israelenses em protesto ao massacre na Faixa de Gaza

Operadores do mercado de maconha israelense podem ter perdido milhões de shekels depois que os fornecedores marroquinos interromperam as vendas

Os vendedores de haxixe do Marrocos decidiram não fazer mais negócios com traficantes em Israel, em protesto aos crimes humanitários cometidos pelas forças de ocupação israelenses na Faixa de Gaza, incluindo o assassinato de milhares de crianças palestinas.

Considerado o de mais alta qualidade do mundo, o haxixe produzido ilegalmente nas montanhas do Rif movimenta dezenas de bilhões de dólares por ano. Embora apenas uma pequena parcela do hash marroquino seja enviada a Israel, o boicote já resultou em perdas de milhões de shekels aos comerciantes israelenses de maconha.

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“Os traficantes de haxixe no Marrocos não estão dispostos a vender-nos mais haxixe, nem diretamente nem através de intermediários”, disse um comerciante israelense ao mako. “Eles decidiram que, por causa da guerra, estão nos boicotando. Desde a guerra, perdemos muito dinheiro. Dezenas de milhões de shekels, pelo menos.”

O preço de um quilo de haxixe marroquino pode chegar a 300.000 shekels (R$ 405.000) em Israel, disse ao jornal um traficante israelense que vive no Marrocos. Ele afirmou que centenas de toneladas do concentrado canábico são enviadas do Rif à Europa, mas que “apenas algumas centenas de quilos” chegam a Israel, embora a demanda seja alta no país.

Um dos comerciantes marroquinos do Rif confirmou ao meio israelense que um boicote foi imposto aos israelenses. “Por que é possível que os israelitas ganhem a vida vendendo haxixe marroquino quando os nossos irmãos palestinos sofrem de fome e vivem em condições desumanas? Vá comprar em outro lugar. Não vendemos mais haxixe aos israelenses”, esclareceu.

“Antes da guerra, fazíamos negócios aqui com os israelenses. Traficantes e dealers vinham para cá e ganhavam um bom dinheiro. Agora é o fim”, sublinhou o comerciante.

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A ofensiva sangrenta de Israel no território palestino, que já dura quatro meses, desencadeou campanhas de boicote em todo o mundo, visando empresas que apoiam a guerra. O movimento alimenta uma campanha maior de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), que trabalha para acabar com o apoio internacional à opressão dos palestinos.

Muitas empresas consideradas pró-Israel foram afetadas pelos boicotes, como McDonald’s, Starbucks, Domino’s, KFC e Pizza Hut, Zara e Unilever. A atual onda de boicote em todo o mundo provém de campanhas orgânicas de base, não iniciadas pelo movimento BDS, segundo explicou à Al Jazeera Omar Bargouhti, um dos cofundadores do movimento.

O conflito em curso na Faixa de Gaza, iniciado após o ataque do grupo militante islâmico Hamas no dia 7 de outubro, já causou a morte de pelo menos 28.000 palestinos — sendo que mais de 11.500 mortes foram de crianças palestinas, segundo as autoridades de saúde palestinas.

Um relatório do grupo de direitos humanos Euro-Mediterranean Human Rights Monitor revela que cerca de 25.000 crianças palestinas perderam um ou ambos os pais. Além das vítimas, os ataques a edifícios residenciais, campos de refugiados e hospitais infligiram uma série de misérias ao povo palestino.

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