Usuários de maconha tiveram melhores resultados na Covid-19, segundo novo estudo

Fotografia, em plano fechado, de um top bud de cannabis (maconha) repleto de pistilos de cor creme. Imagem: Teanna Morgan / Unsplash.

Consumidores de cannabis que contraíram a COVID-19 tiveram menores taxas de complicações de saúde em comparação com indivíduos que não usam a planta

Buscando preencher a lacuna existente na compreensão do impacto potencial do uso de maconha nos resultados da COVID-19, um grupo de pesquisadores estadunidenses realizou um estudo para comparar os resultados da infecção pela doença entre pessoas que usam cannabis e aquelas que não usam.

As descobertas revelam que os consumidores de maconha que contraíram COVID-19 tiveram melhores resultados de saúde e taxa significativamente mais baixa de morte. O estudo foi apresentado nessa semana na conferência anual do Colégio Americano de Médicos do Tórax.

“Os fumantes de maconha tiveram melhores resultados e mortalidade em comparação com os não usuários”, diz o artigo, sugerindo que o efeito benéfico do uso da cannabis “pode ser atribuído ao seu potencial de inibir a entrada viral nas células e prevenir a liberação de citocinas pró-inflamatórias, mitigando assim a síndrome de liberação de citocinas”.

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Os pesquisadores analisaram dados de 322.214 pacientes que foram internados com diagnóstico de COVID-19, levantados a partir do Banco Nacional de Amostras de Pacientes Internados dos EUA, sendo 2.603 consumidores de maconha.

Dados demográficos e sobre comorbidades também foram coletados, sendo que apenas pacientes com 18 anos ou mais foram considerados para o estudo.

A análise revelou que os consumidores de maconha eram mais jovens e tinham maior prevalência de uso de tabaco. Em contrapartida, os não usuários de maconha apresentavam taxas mais altas de outras comorbidades, incluindo apneia obstrutiva do sono, obesidade, hipertensão e diabetes.

Os autores também observaram menores taxas de complicações de saúde relacionadas à COVID-19 entre os usuários de cannabis.

“Na análise univariada, os usuários de maconha tiveram taxas significativamente mais baixas de intubação (6,8% vs 12%), síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) (2,1% vs 6%), insuficiência respiratória aguda (25% vs 52,9%) e sepse grave com falência de múltiplos órgãos (5,8% vs 12%). Eles também tiveram menor parada cardíaca hospitalar (1,2% vs 2,7%) e mortalidade (2,9% vs 13,5%)”, escreveram.

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Os achados são consistentes com estudos anteriores que também encontraram melhores resultados de saúde e menor gravidade dos sintomas entre os pacientes com COVID-19 que usaram cannabis. Porém, ainda existem poucas pesquisas aprofundadas e alguns resultados são contraditórios.

A equipe do novo estudo afirma que a diminuição significativa na mortalidade e complicações observada “justifica uma investigação mais aprofundada da associação entre o uso de maconha e a COVID-19”.

“Nosso estudo destaca um tópico de pesquisas futuras para ensaios maiores, especialmente considerando o uso generalizado de maconha”, concluem.

Um estudo separado divulgado no ano passado sugere que a cannabis pode levar à redução da gravidade da COVID-19 e a melhores resultados clínicos, “apesar de um uso concomitante de tabaco cinco vezes maior entre os consumidores de cannabis em comparação com os não consumidores”.

Outro estudo, por sua vez, descobriu que, apesar do uso de maconha estar associado a uma redução significativa do risco de contrair COVID-19, os usuários regulares de cannabis tiveram uma sobrevida significativamente pior.

Um estudo realizado por uma equipe interdisciplinar de pesquisadores da Universidade de Chicago encontrou evidências de que o canabidiol pode inibir a infecção pelo vírus da COVID-19 em células humanas e em camundongos.

Já uma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon descobriu que dois ácidos canabinoides produzidos pela maconha se ligam a uma proteína do vírus que causa a COVID-19, bloqueando uma etapa crítica no processo de infecção.

Dito isso, enquanto a relação entre o uso de maconha e seus efeitos nos resultados da COVID-19 ainda é investigada pela ciência, a melhor forma de se defender contra a doença do coronavírus é tomar todas as doses da vacina e seguir as diretrizes de saúde pública para uso de máscara.

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Imagem de capa: Teanna Morgan / Unsplash.

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