Uso de maconha entre adolescentes diminui nos EUA, mostra estudo

Fotografia mostra um cigarro de maconha tipo pastel, na vertical, e as pontas dos dedos que o seguram, em fundo cinza. Imagem: Marco Verch / Flickr.

Mais uma vez a teoria proibicionista de que o consumo de cannabis por jovens aumenta após a legalização é derrubada

O uso de maconha e outras substâncias entre estudantes do ensino médio nos Estados Unidos diminuiu de 2019 a 2021, segundo um novo relatório federal sobre comportamentos de saúde.

A Divisão de Saúde do Adolescente e Escolar dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA divulga a cada dois anos os dados levantados em sua pesquisa de comportamento de risco juvenil.

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O último relatório mostra que 16% dos estudantes do ensino médio relataram uso atual de maconha em 2021, em comparação com 22% em 2019.

Em 2011, a porcentagem de jovens que relatou uso de cannabis nos últimos 30 dias foi de 23%, o que se manteve em 2013 e passou a cair em 2015 (22%). Em 2017, o número de estudantes relatando uso recente caiu novamente para 20%.

Em sua classificação de tendência, o CDC apontou que o uso de maconha, álcool, opioides prescritos e outras drogas, como cocaína e ecstasy, entre estudantes do ensino médio está “na direção certa”.

No entanto, o relatório destaca que, embora a porcentagem de jovens que usaram cannabis recentemente tenha diminuído no geral, a classificação para a tendência de uso de maconha entre estudantes do ensino médio do sexo feminino foi de “não mudou”.

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O relatório mostra que 14% dos estudantes do sexo masculino relataram uso atual de cannabis em 2021, em comparação com 26% em 2011. Já entre as estudantes do sexo feminino essa porcentagem caiu apenas dois pontos de 20% para 18%.

“Estudantes do sexo feminino eram mais propensas do que os estudantes do sexo masculino a usar maconha atualmente. Estudantes negros eram mais propensos do que estudantes asiáticos, hispânicos e brancos a usar maconha atualmente. Estudantes LGBT+ e estudantes com parceiros do mesmo sexo eram mais propensos do que seus pares a usar maconha atualmente”, escreveu o CDC.

De qualquer forma, a descoberta de que o uso de cannabis entre jovens caiu no geral é consistente com um corpo crescente de estudos que mostram uma queda, ou no máximo estabilidade, no consumo juvenil de maconha — apesar do número crescente de estados americanos que legalizam a planta para uso adulto.

Uma pesquisa divulgada em novembro no American Journal of Preventive Medicine analisou dados de três estudos longitudinais de jovens centrados nos estados de Oregon, Nova York e Washington, abrangendo dados entre 1999 a 2020, e descobriu que “a mudança no status de legalização na adolescência não foi significativamente relacionada à mudança pessoal na probabilidade ou frequência do uso autorrelatado de cannabis no ano anterior”.

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Durante o período analisado, Washington (2012) e Oregon (2015) legalizaram o uso adulto da maconha. Em Nova York, que aprovou a legalização em 2021, o mercado de varejo iniciou em dezembro do ano passado.

“Os jovens que passaram a maior parte de sua adolescência sob legalização não tinham mais ou menos probabilidade de ter usado maconha aos 15 anos do que os adolescentes que passaram pouco ou nenhum tempo sob legalização”, escreveram os autores no artigo.

Em dezembro, mais um estudo refutou o mito propagado pelos loucos proibicionistas de que a legalização da maconha faz aumentar o consumo entre jovens.

Os resultados da pesquisa Monitoring the Future, financiada pelo governo dos EUA, mostram que o uso de maconha entre adolescentes permaneceu estável em 2022, após um declínio significativo em 2021 — o estudo monitora comportamentos de uso de substâncias e atitudes relacionadas entre alunos da oitava, 10ª e 12ª séries.

“É encorajador não termos observado um aumento significativo no uso de substâncias em 2022, mesmo quando os jovens voltaram em grande parte à escola presencial, atividades extracurriculares e outros compromissos sociais”, disse Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas dos EUA, se referindo à suspensão das restrições pandêmicas.

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Mais encorajador ainda é ver o consumo de maconha por jovens nos EUA permanecer estável em 2022 apesar de mais mercados de uso adulto terem entrado em operação, como Nova Jersey e Rhode Island, derrubando a teoria pregada por grupos proibicionistas.

Um outro estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Michigan analisou as tendências de consumo de cannabis em uma coorte de mais de 800.000 pessoas e descobriu que a legalização do uso adulto não faz aumentar o uso entre menores de 21 anos.

O efeito mais esperado da legalização da maconha, na verdade, é a diminuição do consumo entre adolescentes, uma vez que mercados regulamentados contam com políticas de saúde pública que incluem, por exemplo, a proibição da venda de cannabis a menores.

Uma pesquisa anterior conduzida pelo CDC descobriu que o consumo de maconha entre os alunos do ensino médio nos EUA diminuiu durante os anos de pico da legalização da maconha para uso adulto nos estados.

O Departamento de Saúde Pública do Colorado divulgou um estudo em 2021 revelando que os adolescentes tinham 35% menos probabilidade de consumir maconha do que nos anos anteriores — uma tendência que vem se confirmando desde 2013, quando a pesquisa começou.

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Além disso, o estudo também observou um declínio do número de adolescentes que disseram que seria fácil obter cannabis se quisessem. Em 2021 pouco mais de 40% dos estudantes do Colorado afirmaram que poderiam acessar facilmente, em contraste com os 55% que disseram isso em 2013 — as vendas legais de maconha para uso adulto começaram em 2014 no estado.

Um relatório divulgado pela Coalizão para Política, Educação e Regulamentação da Cannabis (CPEAR) no ano passado detalha como os pesquisadores descobriram que o uso de maconha por jovens “diminui ou permanece estável nos mercados regulamentados de cannabis”.

Em um estudo publicado na revista Addiction, os pesquisadores analisaram os dados de pesquisas transversais repetidas de estudantes do ensino médio no Uruguai e no Chile, de 2007 a 2018, e encontraram uma diminuição no uso de maconha no ano anterior e no último mês após a legalização.

O Centro Nacional de Estatísticas da Educação do Departamento de Educação dos Estados Unidos também analisou pesquisas de alunos do ensino médio de 2009 a 2019 e concluiu que “não houve diferença mensurável” na porcentagem de alunos da 9ª à 12ª série que relataram consumir cannabis pelo menos uma vez nos últimos 30 dias.

Dito isso, para os jovens adultos, a legalização da maconha está associada à diminuição do consumo de drogas.

Um estudo publicado no Journal of Adolescent Health analisou dados sobre tendências de uso de substâncias de 2014 a 2019 no estado de Washington, em uma coorte de quase 12.700 jovens adultos, e descobriu que pessoas de 21 a 25 anos eram menos propensas a consumir álcool, tabaco e analgésicos não prescritos após a legalização da cannabis no estado.

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Imagem em destaque: Marco Verch / Flickr.

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