Uso de maconha está associado a menor gravidade de Covid-19, diz estudo

Fotografia de três uds de cannabis em tons de verde e laranja, com foco em um deles que aparece ao centro, no primeiro plano, em uma superfície pérola lisa. Crédito: Tash Guimond | Unsplash. Califórnia

Os resultados de um estudo realizado em dois hospitais da Califórnia, nos EUA, mostram que os usuários de cannabis tiveram melhores resultados em relação aos pacientes que não consumiam a planta

Um novo estudo descobriu que “o uso de cannabis está associado a uma menor gravidade de Covid-19 entre pacientes hospitalizados”.

Segundo os pesquisadores, “a cannabis pode levar a uma menor gravidade da doença e melhores resultados, apesar do uso concomitante de tabaco ser cinco vezes maior entre os usuários de cannabis em comparação com os não usuários em nossa população de estudo”.

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A pesquisa teve como objetivo avaliar se usuários de maconha hospitalizados por Covid-19 tiveram melhores resultados em comparação com não usuários.

O estudo foi realizado em dois hospitais da Califórnia (EUA) e publicado no Journal of Cannabis Research. Os resultados mostram que aqueles que usaram cannabis tiveram melhores resultados e, ainda, menor necessidade de internação em terapia intensiva ou ventilação mecânica.

“Usuários de cannabis tiveram resultados significativamente melhores em comparação com não usuários, como refletido em pontuações mais baixas do NIH (5,1 vs 6,0), hospitalização mais curta (4 dias vs 6 dias), menores taxas de admissão em terapia intensiva (12% vs 31%) e menor necessidade de ventilação mecânica (6% vs 17%)”, continua o estudo.

O NIH Covid-19 Severity Score é uma escala que classifica a gravidade da doença de 1 (não hospitalizado, sem limitações) a 8 (morte).

Sobre o estudo

Os autores afirmaram que “os melhores resultados podem ser devidos às propriedades medicinais, incluindo efeitos anti-inflamatórios, de alguns canabinoides”.

“Dos 1.831 pacientes de Covid que participaram do estudo, 69 pacientes declararam ter usado cannabis ativamente, o que representou 4% do número total de pacientes”, afirmou o estudo. “É importante notar que as diferenças na sobrevida geral não foram estatisticamente significativas entre usuários e não usuários de cannabis.”

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Métodos

Para desenhar o estudo, os pesquisadores utilizaram uma análise retrospectiva dos dados dos pacientes. Isso incluiu a comparação das pontuações de gravidade do NIH Covid-19, necessidade de oxigênio suplementar, admissão em terapia intensiva, ventilação mecânica, tempo de hospitalização e morte hospitalar de usuários e não usuários de cannabis.

“Dada a diversidade de maneiras pelas quais a cannabis pode entrar no corpo, nosso agrupamento de cannabis inalada e ingerida deve apresentar pouca variabilidade em uma coorte já altamente variável de usuários de cannabis”, explicou o estudo sobre as formas de consumo.

“Agrupar todos os usuários de cannabis, independentemente da forma de uso, dá ao nosso estudo mais poder na análise, minimizando o risco de dados sobreajustados.”

Conclusões

O estudo concluiu que “os usuários de cannabis eram mais propensos a ter níveis mais baixos de marcadores inflamatórios na admissão em comparação aos não usuários. Esse efeito foi mantido ao longo do curso hospitalar, com os usuários de cannabis continuando a ter marcadores inflamatórios mais baixos em comparação com os não usuários”.

Além disso, a equipe que conduziu a pesquisa disse que “este é o primeiro estudo a analisar os resultados clínicos de usuários de cannabis hospitalizados com Covid-19”.

No entanto, eles concluíram que “mais estudos, incluindo análises prospectivas, ajudarão a entender melhor a relação entre a cannabis e os resultados da Covid-19”.

Por Joana Scopel, publicado originalmente no El Planteo.

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#PraTodosVerem: fotografia de três buds de cannabis em tons de verde e laranja, com foco em um deles que aparece ao centro, no primeiro plano, em uma superfície pérola lisa. Crédito: Tash Guimond | Unsplash.

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