Estudo recruta pacientes com Alzheimer para tratamento com cannabis

Fotografia mostra um conta-gotas de tampa branca contendo uma pequena porção de óleo, no canto superior esquerdo da imagem e na diagonal, e as folhas de uma planta de cannabis que aparecem no primeiro plano e ao fundo. Foto: Freepik.

Pacientes devem estar no estágio leve ou moderado da doença e ter disponibilidade de realizar avaliações no campus da Unila, em Foz do Iguaçu

A doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa progressiva que afeta milhões de pessoas e, embora existam tratamentos aprovados que ajudam a controlar os sintomas, os efeitos colaterais provocados pelos medicamentos são significativos. Atualmente não existe terapia que cure o Alzheimer.

Em busca por novas opções terapêuticas mais eficazes e seguras para o tratamento da doença, um número crescente de estudos vem investigando o potencial terapêutico da cannabis devido às suas propriedades medicinais, como a atividade neuroprotetora e anti-inflamatória, e efeitos colaterais leves.

Agora, pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) de Foz do Iguaçu, no Paraná, buscam voluntários com diagnóstico de Alzheimer para um estudo que pretende avaliar a eficácia de um medicamento à base de cannabis no tratamento da condição.

Conduzido em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o ensaio clínico será realizado com 65 pacientes portadores de Alzheimer em estágio leve ou moderado, que receberão cannabis ou placebo (tratamento inativo, como uma pílula de açúcar ou farinha, por exemplo) e serão avaliados mensalmente durante seis meses.

A pesquisa será conduzida no campus da Unila, em Foz do Iguaçu, onde o paciente deverá comparecer para a avaliação mensal. Os participantes do estudo não serão remunerados e deverão ter disponibilidade de se locomover até o local.

Para saber mais sobre a pesquisa, entre em contato pelo Whatsapp (45) 99156-6582.

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Cannabis contra o Alzheimer

Os estudos sobre a eficácia da cannabis no combate ao Alzheimer têm demonstrado resultados promissores sugerindo que a planta pode ser uma opção terapêutica eficaz para tratamento dos sintomas e até para interromper a progressão da doença.

Um estudo com camundongos, realizado na Universidade Farmacêutica da China, descobriu que o canabidiol (CBD) pode melhorar os déficits cognitivos e neutralizar a citotoxicidade neuronal causada pelo peptídeo Aβ1-42, um dos biomarcadores mais citados para o diagnóstico do Alzheimer.

A doença de Alzheimer está associada à formação de placas senis no cérebro, que são agrupamentos de pedaços do peptídeo beta-amiloide e emaranhados neurofibrilares. Essas formações podem bloquear a comunicação entre os neurônios e ativar células do sistema imune (astrócitos e micróglias), que causam processos inflamatórios capazes de gerar neurodegeneração.

Os dados do estudo chinês demonstraram que o CBD diminuiu a ativação das micróglias e dos astrócitos em regiões do cérebro afetadas pela doença, bem como reduziu os marcadores neuroinflamatórios. As descobertas foram publicadas no ano passado na revista Cells.

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Outro estudo, que revisou a literatura médica sobre o assunto, revelou que numerosos fitoquímicos predominantes na maconha apresentam eficácia no tratamento de doenças neurodegenerativas.

“Vários fitocanabinoides, terpenos e flavonoides selecionados demonstraram neuroproteção através de uma infinidade de vias celulares e moleculares, incluindo ações mediadas por receptores de canabinoides, antioxidantes e antiagregantes diretas contra a proteína tóxica patológica característica da doença de Alzheimer, amiloide β”, escreveram os pesquisadores em um artigo publicado em 2022 na Phytomedicine.

Ainda outro estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), constatou que os canabinoides encontrados na cannabis podem ajudar no tratamento de doenças neurodegenerativas, promovendo a proliferação celular, migração e diferenciação de células progenitoras de oligodendrócitos — células responsáveis pela sintetização e manutenção da bainha de mielina (tecido adiposo que envolve os neurônios e protege o sistema nervoso central).

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Imagem de capa: Freepik.

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