UFC remove a maconha da lista de substâncias proibidas

Nate Diaz fumando um baseado durante um treino aberto no Honda Center. Foto: Zuffa LLC.

Novo programa antidoping do UFC se alinha com as evidências atuais de que a cannabis não melhora o desempenho

O UFC, maior torneio de artes marciais mistas do mundo, anunciou na quinta-feira os detalhes de sua nova política antidoping, que entra em vigor neste domingo. A partir de hoje, a maconha não será mais uma substância proibida para os lutadores do Ultimate.

Segundo a organização, a “lista proibida” permanece praticamente igual ao programa anterior, porém com algumas modificações “baseadas em descobertas históricas (ou seja, maconha removida da lista de substâncias proibidas)”.

A mudança acontece após a organização encerrar sua parceria com a USADA (Agência Antidoping dos EUA), conforme anunciado em outubro. O novo órgão responsável pela coleta e envio de amostras será a empresa Drug Free Sport International (DFSI).

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Os atletas do UFC já não eram punidos por testes positivos para cannabis desde 2021, quando a USADA alterou seu regulamento para se adequar à ciência (níveis de THC no sangue não têm correlação com o quanto um lutador está afetado) — contudo, a maconha permanecia na lista e a punição poderia ocorrer se evidências adicionais demonstrassem que a substância foi usada pra melhora de performance.

“O objetivo do UFC para a Política Antidoping é ser o melhor, mais eficaz e mais progressivo programa antidoping em todos os esportes profissionais”, disse Hunter Campbell, diretor de negócios do UFC, em um comunicado à imprensa.

Ele disse que o UFC está orgulhoso dos avanços feitos na política antidoping nos últimos anos e que a organização continuará a manter um programa de testes de drogas administrado de forma independente, garantindo que todos os atletas compitam em “circunstâncias justas e iguais”.

Jeff Novitzky, vice-presidente sênior de saúde e desempenho de atletas do UFC, disse que o novo programa antidoping “é o resultado de anos de contribuições e tentativas e erros do UFC, de nossos atletas e de terceiros que ajudaram o UFC na operação do programa”.

“A política antidoping é um documento vivo que continuará a evoluir e se adaptar quando a ciência clara apoiar mudanças que possam proteger ainda mais os atletas do UFC”, sublinhou.

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O novo programa antidoping do UFC é um reflexo da mudança de mentalidade observada nos últimos anos nas organizações esportivas e ligas profissionais em relação à cannabis.

Em abril, a NBA formalizou um acordo com a Associação Nacional de Jogadores de Basquete que mantém a política de não realizar testes para maconha — uma prática adotada pela liga desde 2020 — e permite que os jogadores invistam em marcas de cannabis e promovam empresas do setor.

Um comitê da Associação Nacional de Atletismo Universitário (NCAA) dos EUA recomendou em setembro que os seus órgãos de governança divisionais adotassem regulamentos para remover a cannabis da lista de drogas proibidas pela organização.

A Liga Principal de Beisebol (MLB) dos EUA celebrou um acordo de vários anos com uma empresa de cannabis, em outubro do ano passado, para exibir seus produtos durante os jogos e em suas plataformas de mídia social.

Os times da MLB também podem vender patrocínios para empresas de cannabis, desde que os produtos sejam certificados para não conterem THC.

A NFL (liga de futebol americano dos EUA) fez mudanças em sua política de drogas em 2020 que afrouxaram os testes antidoping para maconha.

Em junho, a NFL anunciou que estava concedendo outra rodada de financiamento de pesquisa para a realização de estudos sobre os efeitos do canabidiol no alívio dos sintomas de concussões. A iniciativa tem o objetivo de encontrar tratamentos alternativos de gerenciamento da dor e reduzir o uso de medicamentos pesados, como os opioides.

A WADA (Agência Mundial Antidoping), por sua vez, segue no atraso mantendo a maconha em sua lista de substâncias proibidas e ignorando as evidências científicas de que a cannabis não melhora o desempenho dos atletas.

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Foto em destaque mostra o lutador Nate Diaz fumando um baseado durante um treino aberto na arena do Honda Center, na Califórnia. Imagem: Zuffa LLC.

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