Universidade Federal de Alagoas realiza cooperação técnica para regular a cannabis medicinal

Fotografia mostra o rosto de uma pessoa usando óculos de proteção transparente e máscara branca, no segundo plano, e parte de suas mãos, que seguram um frasco transparente e um conta-gotas, ambos contendo óleo amarelo, além de parte de cima de uma planta de cannabis em estágio vegetativo de desenvolvimento. Imagem: Tinnakorn Jorruang / Vecteezy.

O assunto foi debatido em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do estado

O Instituto de Ciências Canabinoides (ICCA), a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e a Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapeal) pretendem realizar um acordo de cooperação técnica para a produção pesquisas de alta relevância em cannabis medicinal e cânhamo industrial no estado de Alagoas.

Em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Alagoas, os representantes das entidades debateram sobre o uso medicinal da maconha e a saúde pública no estado. O debate foi promovido pelo deputado Ronaldo Medeiros (PT), um dos coautores da lei estadual que garante o acesso ao tratamento de saúde com produtos de cannabis e fomenta a pesquisa sobre a planta.

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A professora Adriana Todaro, que é pesquisadora do Grupo de Saúde Mental da Escola de Enfermagem da Ufal e presidente do ICCA, participou da reunião e ressaltou a importância do tema para a ciência, a economia e a saúde de Alagoas e do país, segundo comunicado da universidade.

“Eu darei esforços, junto ao ICCA, a Fapeal, Ufal e as universidades parceiras, e todas as instituições que se fazem necessárias ao pleito, para trazer informação e articulação que incitem a aglutinação de ações de pesquisadores de várias unidades”, declarou a professora.

 

 

 

Segundo Todaro, o propósito é fundamentar cientificamente a legislação estadual de cannabis medicinal. “Reunir pesquisadores certamente resultará em sinergia que incentiva e contribui para que, além da pesquisa, as unidades da Ufal também realizem o ensino, adaptando e incluindo o tema nos seus currículos para formarem recursos humanos para esta emergente e estratégica indústria”, apontou a pesquisadora.

Ela ainda destacou que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), ao editar a resolução RDC 327/2019, que criou a categoria “produtos de cannabis”, manteve a proibição da produção de bioativos de cannabis no Brasil, obrigando a indústria nacional a importá-los.

“Isso impossibilita nossa soberania industrial e encarece os produtos. A Anvisa impõe restrições muito mais severas aos canabinoides do que aos tarja preta, apesar de os canabinoides não provocarem dependência e não oferecerem risco de morte”, protestou a professora.

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Adriana pondera que os biofármacos tendem a ser mais baratos e com bem menos efeitos colaterais que os medicamentos sintéticos, principalmente em comparação às drogas controladas, como os ansiolíticos. “O Brasil tornou-se, em menos de 10 anos, o maior produtor e consumidor mundial, com 71 milhões de caixas vendidas de Rivotril em 2015, e assim apelidado pela imprensa como Nação Rivotril, e a tendência é o aumento significativo do uso desse paliativo contra as enfermidades relacionadas à saúde mental, como depressão, síndrome do pânico e ansiedade que caracterizam as doenças do século 21”, ressaltou.

A pesquisadora informou que um dos projetos de pesquisa que serão desenvolvidos dentro da cooperação técnica é justamente sobre ansiedade, com o título “Avaliação de redução de danos com a supressão de antidepressivos e ansiolíticos e a intervenção da cannabis medicinal na saúde mental com foco na ansiedade”.

O estado de Alagoas pode assegurar a produção e disseminação de conhecimento científico e informações sobre o uso terapêutico da maconha, bem como incentivar a criação de serviços de orientação e atendimento com vistas a auxiliar os pacientes e seus familiares acerca do uso medicinal da planta, após a promulgação da lei estadual de cannabis medicinal em novembro do ano passado.

A legislação garante acesso universal a produtos de cannabis e, para isso, prevê que o governo estadual poderá celebrar convênios com associações  de pacientes, universidades e instituições de pesquisa públicas e privadas.

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Foto de capa: Tinnakorn Jorruang / Vecteezy.

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