Tempos difíceis: High Times é colocada em liquidação judicial

Uma das principais vozes do movimento canábico mundial, a icônica marca de maconha luta para pagar suas faturas, enquanto seus ativos estão à venda por meio de concordata judicial

A High Times, uma das marcas mais conhecidas no universo da maconha, está vendendo seus bens enquanto luta para pagar seus credores em meio a um processo de concordata. O conjunto de ativos à venda inclui marcas registradas e outras propriedades intelectuais da empresa.

Fundada em 1974 como uma revista dedicada à cannabis, a High Times evoluiu significativamente para outras publicações, eventos, dispensários e produtos de maconha. No entanto, a empresa agora está próxima de falir, sem dinheiro para quitar empréstimos que se arrastam há anos.

De acordo com o Greenlife Business Group, que está lidando com o processo de liquidação da marca, as ofertas de compra devem ser enviadas até 17 de maio. Os bens que não tiverem oferta até essa data serão leiloados. As propriedades listadas para venda incluem a propriedade intelectual, incluindo marca e nome de domínio para a revista principal High Times e as marcas registradas das revistas Dope e Culture, bem como sua famosa marca de eventos Cannabis Cup, licenças para cultivo de maconha e dispensários.

A High Times foi colocada em concordata depois de não pagar os US$ 28,8 milhões que devia à ExWorks, que também entrou em processo de liquidação após não conseguir receber o dinheiro.

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Segundo o Green Market Report, tudo começou em 2017 quando a Trans-High Corporation (THC), uma combinação dos herdeiros do fundador Thomas King Forçade e do advogado Michael Kennedy, vendeu a High Times para a Oreva Capital, um grupo de investidores liderado por Adam Levin, em um negócio avaliado em US$ 70 milhões. O negócio só foi possível graças aos empréstimos da ExWorks.

Levin tinha grandes planos para a High Times, incluindo torná-la pública na Nasdaq (uma das maiores bolsas de valores dos Estados Unidos) e abrir uma rede de lojas de maconha. No entanto, a bolsa não aceitou listar uma empresa que considerava trabalhar com negócios que tocam a planta e realizava copas canábicas, devido ao status ilegal da cannabis em nível federal.

Diante disso, a empresa passou a oferecer suas ações a qualquer investidor que se interessasse em um esforço para gerar mais receitas. Em 2018, o grupo passou a fazer uma série de aquisições, se concentrando em empresas de eventos, a maioria das quais nunca foi fechada. Mais tarde, a High Times mudou de foco e passou a adquirir licenças de dispensários, tornando-se uma das maiores varejistas de maconha da Califórnia.

A empresa continuou a vender ações e a usá-las como pagamento de novas aquisições. Contudo, em setembro do ano passado, Levin foi acusado de fraude em títulos mobiliários pela Securities and Exchange Commission (comissão de valores mobiliários dos EUA) por vender ações da empresa quando não eram mais elegíveis para venda e representar falsamente o preço das ações aos investidores. Isso resultou em uma multa de mais de US$ 550 mil e na sua remoção do cargo de CEO da Hightimes Holding Corp, a controladora da High Times.

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O CRB Monitor, uma empresa de inteligência da indústria de cannabis, informou no mês passado que a High Times fechou pelo menos três de suas lojas de maconha. Segundo a consultora, os fechamentos ocorreram após meses de falta de pagamento de impostos, aluguel e prêmios de seguro-saúde.

Drew Mathews, CEO do Green Life, disse ao MJBizDaily que o lote de ativos da High Times que estão à venda pode render mais de US$ 11 milhões. “É um dos maiores negócios já feitos em concordata”, comentou, observando que empresa chegou a faturar mais de US$ 21 milhões anualmente.

Segundo a High Times, em seu auge, em 1978, sua publicação era lida por quatro milhões de pessoas por mês e arrecadava cinco milhões de dólares por ano. A chamada de oferta para venda dos ativos mostra que a revista conta atualmente com 10.325 assinaturas digitais que geram cerca de US$ 465 mil por ano.

O processo de concordata da High Times é mais um caso que revela os desafios financeiros enfrentados pela indústria da maconha na América do Norte. No mês passado, a MedMen Enterprises anunciou seu processo de falência no Canadá com mais de 560 milhões de dólares canadenses em dívidas pendentes, e a liquidação judicial de seus ativos nos EUA.

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Foto em destaque: Képünk illusztráció.

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