Suplicy visita associação Flor da Vida e se diz persuadido pelo que viu

vários funcionários da Flor da Vida e Eduardo Suplicy

Vice-coordenador da Frente Parlamentar da Cannabis Medicinal e do Cânhamo Industrial da Alesp, o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT) visitou a associação Flor da Vida, em Franca (SP)

O deputado estadual e vice-coordenador da Frente Parlamentar da Cannabis Medicinal e do Cânhamo Industrial da Assembleia Legislativa de São Paulo, Eduardo Suplicy (PT), esteve na sede da Associação Terapêutica de Cannabis Medicinal Flor da Vida, na última sexta (21), em Franca, no interior do estado. Suplicy se mostrou encantado com o que viu e, segundo Bruno Morabati, da comunicação da associação, o deputado já fez várias sugestões que podem alavancar a evolução da ONG.

“Hoje fiquei muito mais persuadido pelo testemunho das pessoas, mães e pais. Realmente trata-se de um trabalho muito positivo, e significa esperança às pessoas atingidas por essas doenças para melhorarem as suas condições de vida”, conta Suplicy em exclusiva para a Smoke Buddies.

 

 

A associação Flor da Vida existe há 5 anos e hoje já atende mais de 8 mil pacientes em todo território nacional. Tudo começou quando o presidente Enor Machado, depois de tentar tratar seu sobrinho com Transtorno do Espectro Autista (TEA) com vários alopáticos, sem sucesso, resolveu pesquisar, plantar e produzir o óleo feito de extração da planta cannabis. Ao constatar resultados incríveis, começou a doar o excedente para algumas famílias com o mesmo problema e, com o tempo, a associação se formalizou.

A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) criou a Frente Parlamentar da Cannabis Medicinal e do Cânhamo Industrial e reconhece que as instituições científicas, sociais e de classe são importantes aos estudos das potencialidades curativas da planta. Em audiências públicas, a Frente Parlamentar vem debatendo possibilidades para regulamentar laboratórios científicos no Brasil e conhecendo as iniciativas que já existem.

Leia também – Alesp: deputado protocola projeto de lei que institui programa de plantio de cannabis

A ONG possui autorização judicial para exercer suas atividades e, no ano passado, conquistou o título de Utilidade Pública pela Câmara Municipal de Franca. Possui três espaços, sendo eles uma chácara, onde são cultivadas as plantas de cannabis, com campo de futebol, onde acontecem os jogos do time de crianças da comunidade que a associação patrocina, horta comunitária, que produz cestas verdes para distribuição (além de 60 mil pães mensais), e o espaço que acontecerá a equoterapia. O segundo espaço é a sede, onde tudo começou, que reúne o laboratório, uma sala de atendimento e a secretaria, e o terceiro espaço é o Núcleo de Terapias, onde são disponibilizados aos associados onze terapias integradas com equipamentos de alta tecnologia, tudo gratuito para os associados da cidade de Franca.

“A gente tem muito material para pesquisa, porém a gente está sendo barrado pela Anvisa para transportar o nosso material e o nosso conhecimento para dentro da Universidade. Fico muito chateado é que a gente não tem nenhuma regulamentação”, criticou o presidente da Associação Flor da Vida, Enor Machado, contra as normas federais que impedem o registro dessas entidades no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

As associações comprovam que é possível tratar pacientes com remédios produzidos nacionalmente ao invés de importar. Existem muitas no país, boa parte delas com produção caseira que, dada a regulamentação vigente, acabam atuando na ilegalidade. O Estado pode utilizar da produção interna já existente de produtos fitoterápicos, estimulando também a economia local e, claro, incentivar pesquisas nacionais. É possível fazer justiça de transição com formação, emprego e renda às pessoas criminalizadas por atividades com as plantas, a fim de que sejam trabalhadoras do plantio e extração para produção aos diversos usos terapêuticos da maconha, por exemplo.

Leia também:

Frente parlamentar reacende debate sobre cannabis terapêutica e industrial em São Paulo

Imagem de capa: Bruno Morabati | Associação Flor da Vida.

mm

Sobre Ingryd Rodrigues - Comunicannabis

Jornalista (UFOP), ativista e comunicadora social, criadora do projeto Comunicannabis. Atua também como terapeuta canábica na Associação Flor da Vida, conselheira do Instituto Terapeutas Canábicos e integrante da Marcha da Maconha BH e da Articulação Nacional de Marchas da Maconha. Produz em parceria ao Cannabis Monitor o podcast Maconhômetro Imprensa que entrevista jornalistas que cobrem politicas de drogas no país.
Deixe seu comentário
Assine a nossa newsletter e receba as melhores matérias diretamente no seu email!