Selton Mello revela que substituiu Rivotril por óleo de maconha: “Ajuda para dormir”

Selton Mello. Foto: Divulgação.

Ator afirmou que sentiu necessidade de cessar o medicamento tarja preta após vários anos de uso

Consagrado como um dos maiores atores do país, Selton Mello lançou recentemente uma autobiografia para marcar suas quatro décadas de carreira. “Eu me Lembro” foi produzido a partir das respostas do ator a perguntas feitas por quarenta personalidades brasileiras, o que acabou deixando de fora partes interessantes da trajetória do artista.

Uma das histórias que não foram explanadas no livro foi como o ator conseguiu abandonar o Rivotril (clonazepam) com o uso do óleo de cannabis. Mello revelou esse fato em entrevista à Veja, onde falou sobre a obra e a experiência com o tratamento canábico.

Ele explicou que fazia uso da droga para melhorar o sono, após tentar vários outros remédios. “Só que depois de muitos anos tomando Rivotril para dormir, isso já estava me incomodando. Pensava assim: ‘Vou ficar sempre dependente desse negócio?’. E aí, mais recentemente, comecei a usar o CBD, óleo extraído da cannabis. Sou associado da APEPI (Associação de Apoio à Pesquisa e Pacientes de Cannabis Medicinal), do Rio de Janeiro, e compro deles”, disse Mello, que também é dublador e produtor.

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O uso prolongado de Rivotril pode levar à dependência física e psicológica e consequências como problemas de memória, déficits cognitivos, tremores, espasmos musculares e aumento da frequência cardíaca. A utilização do medicamento em combinação com drogas como opioides ou álcool pode levar a uma overdose fatal.

O intérprete do icônico personagem Bob (Árido Movie) também falou à revista sobre o benefício do óleo de maconha em episódios de ansiedade ou tensão, que podem ocorrer em situações como a proximidade de uma estreia, por exemplo.

“Por conta da ignorância, da caretice e do lobby farmacêutico, quando a gente fala em cannabis ou maconha já fica a ideia de algo ilegal”, sublinhou.

Mello afirmou que não fuma e não gosta de cannabis, mas admitiu que o óleo à base da maconha o ajuda a dormir e a se acalmar, “ajuda muita gente”.

Também lamentou não ter conhecimento sobre o uso medicinal da cannabis anteriormente, pois poderia ter beneficiado sua mãe, que foi diagnosticada com Alzheimer — o que inspirou o ator a registrar as memórias da família.

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A cannabis tem se mostrado como uma porta de saída das drogas farmacêuticas pesadas, segundo vários estudos que revelam uma redução do uso de medicamentos prescritos em lugares onde o acesso à maconha foi legalizado.

Um estudo publicado na Health Economics, por exemplo, constatou que o volume de prescrições de drogas indicadas para dor, depressão, ansiedade, sono, psicose e convulsões diminui significativamente quando os estados americanos legalizam a cannabis.

As descobertas, segundo os autores, indicam uma oportunidade para reduzir os danos que podem advir dos efeitos colaterais perigosos associados a alguns medicamentos prescritos.

No Canadá, a legalização da maconha foi acompanhada, entre outros benefícios, por um declínio nas prescrições de opioides em todo o país, de acordo com um estudo da Universidade de Toronto, publicado na Applied Health Economics and Health Policy, sobre as taxas de prescrição de opiáceos.

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Imagem de capa: Divulgação.

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