Produto brasileiro à base de cannabis sai da prateleira virtual de rede de farmácias

Duas fotos, lado a lado, uma da frente e a outra da parte de trás da caixa do produto à base de cannabis, nas cores branca e roxa e tarja preta; detalhe para as compridas unhas dos dedos que a seguram.

Sob as regras da Anvisa que entraram em vigor em março, primeiro canabidiol produzido no Brasil estava disponível, na semana passada, por mais de R$ 2.100 nas prateleiras on-line da Drogasil e Droga Raia — grupo informou que não há previsão de comercialização do produto

O laboratório paranaense Prati Donaduzzi foi o primeiro a receber autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para produzir e disponibilizar, de acordo com o marco regulatório recentemente aprovado pela agência, produtos à base de cannabis no Brasil.

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Nas lojas on-line das farmácias Drogasil e Droga Raia, o frasco de 30 ml de canabidiol (CBD) com concentração de 200 mg/ml estava disponível, na semana passada, em valor promocional: de R$ 2.500 por R$ 2.143,30 cada.

#PraCegoVer: captura de tela do site da Droga Raia, onde constava o produto canabidiol 200 mg/ml, com um rótulo, descrição, valor (integral e promocional) e o aviso de que a retirada do produto é realizada somente na loja, com retenção de receita.

Na manhã de segunda (11), porém, o canabidiol não estava mais no resultado das buscas dos sites, tampouco por televenda: funcionárias da rede confirmaram à redação, por telefone, que tal produto não estaria disponível. A assessoria de imprensa da empresa informou por, e-mail, que “até o momento, a RD – RaiaDrogasil não tem confirmada a data para início da comercialização do produto”.

Em resposta à Smoke Buddies, a Prati Donaduzzi declarou que “a venda para este cliente foi realizada”.

“Porém, a disponibilidade do produto por este, seja em loja física ou virtual, é de total liberdade. Não temos relação com as estratégias de vendas de nossos clientes”, completa a assessoria.

Alto custo gera debate

Em posicionamento nas redes sociais, Viviane Sedola, CEO da Dr. Cannabis, anunciou o início das vendas do produto como “mais um capítulo importante da história da cannabis medicinal no Brasil”. Porém, houve forte reação de quem acredita que o alto custo inviabilizaria o acesso à cannabis medicinal no país.

“Foi uma sacanagem o que fizeram, lançaram uma cura com o preço inalcançável“, conta o paciente e ativista Gilberto Castro, detentor do 24º Habeas Corpus de cultivo caseiro no Brasil, à Smoke Buddies.

“Imagina quem precisa disso, o que vai pensar, o que vai querer fazer? Como alguém que ganha R$ 500 por mês vai descolar R$ 2,5 mil? Vamos continuar na busca, e o negócio é continuar incentivando o cultivo, as associações, todas as outras formas em que é possível conseguir a planta. Uma planta que vale ouro“, completa.

A Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança – Abrace, única associação autorizada pela Justiça a cultivar cannabis no Brasil e a produzir medicamentos a partir da planta, destaca que o registro de um produto pela indústria nacional é, de fato, um “grande marco no cenário da Cannabis medicinal“, mas aponta que o valor pelo qual estava disponibilizado é impraticável para a maioria da população.

“Dificilmente um paciente terá condições de desembolsar 2.500 reais de uma só vez, isso representa mais de 2 salários mínimos em um produto de uso contínuo”, diz Murilo Chaves Gouvêa, farmacêutico P&D na Abrace.

Não tivemos informação de quando o produto estará, de fato, nas prateleiras das farmácias — mas sabemos, porém, que a cannabis medicinal, tal qual regulamentada, continuará, sim, inacessível à grande parcela da população.

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#PraCegoVer: a imagem de capa é composta por duas fotos, lado a lado, uma da frente e a outra da parte de trás da caixa do produto à base de cannabis, nas cores branca e roxa e tarja preta; detalhe para as compridas unhas dos dedos que a seguram.

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Sobre Thaís Ritli

Thaís Ritli é jornalista especializada em cannabis e editora-chefe na Smoke Buddies, onde também escreve perfis, crônicas e outras brisas.
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