Nova Jersey (EUA) inicia vendas de maconha para uso adulto

Fotografia mostra Daniel Garcia pegando um saco branco contendo a primeira maconha para uso adulto vendida no dispensário Rise, em Paterson (Nova Jersey), das mãos de um vendedor, que usa barba e dreadlocks, ambos sorridentes. Foto: Bryan Anselm / New York Times.

Os clientes começaram a fazer fila antes do amanhecer em alguns dispensários do estado para sua primeira compra legal de cannabis para uso social

As vendas legais de maconha começaram assim que os primeiros raios de sol surgiram no horizonte em Nova Jersey (EUA) nesta quinta-feira (21), quando 13 dispensários abriram mais cedo para o primeiro dia de funcionamento do mercado de uso adulto.

“Hoje é o início de uma indústria inteiramente nova para o nosso estado”, tuitou o governador Phil Murphy (D) no início da manhã, “e um momento histórico em nosso trabalho para promover a justiça social e econômica”.

Os consumidores, que aguardavam desde novembro de 2020, quando os eleitores de Nova Jersey aprovaram a legalização em uma iniciativa eleitoral, começaram a formar filas nas portas dos dispensários durante a madrugada.

N.J. Legal Marijuana Sales Begin With Early Lines and Free Food - The New York Times

#PraTodosVerem: fotografia mostra uma fila de clientes aguardando a abertura das portas no dispensário Rise, em Bloomfield, antes do amanhecer. Foto: Michelle Gustafson / New York Times.

“Estou animado que tudo esteja se abrindo legalmente”, disse ao NYT Daniel Garcia, 23, que chegou às 3h30 e foi o primeiro da fila no dispensário Rise, em Paterson, onde os clientes eram recebidos com donuts grátis e reggaeton tocando nos alto-falantes.

Depois de desfrutar de uma vista da primeira fila para o corte da fita do dispensário, Garcia, que até então comprava sua cannabis de um dealer, foi até um quiosque de clientes no novo e reluzente espaço da Rise e selecionou duas potentes variedades híbridas, Animal Face e Banana Cream, que ele então pegou de funcionários uniformizados.

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Essas são as primeiras vendas desse tipo na região da cidade de Nova York. A unidade de Rise em Paterson fica a 20 minutos de carro da Big Apple.

Paterson é uma das 98 cidades de Nova Jersey que aprovaram leis que permitem as lojas de varejo para uso adulto. Outras 41 cidades baixaram decretos que proíbem o varejo de maconha, mas permitem outros tipos de empresas, como distribuidores ou instalações de cultivo.

RISE em Paterson, abre para vendas de maconha recreativa às 6 da manhã de 21 de abril de 2022, o primeiro dia em que as vendas recreativas são permitidas em Nova Jersey. Daniel Garcia, 23, de Union City, o primeiro cliente recreativo da Rise, recebe assistência de um funcionário da Rise enquanto faz seu pedido.

Daniel Garcia, 23, o primeiro cliente de cannabis para uso adulto da Rise, recebe assistência de uma funcionária enquanto faz seu pedido em um monitor touchscreen. Foto: Amy Newman / NorthJersey.com.

A nova lei do estado permite que os clientes adultos de cannabis, inclusive policiais, comprem legalmente até uma onça (28,3 gramas) de maconha por venda, ou até cinco gramas de concentrados, resinas ou óleos, ou 10 embalagens de 100 miligramas de THC de comestíveis.

O marco legal para o mercado de cannabis adulta em Nova Jersey foi promulgado em fevereiro de 2021. Desde então, foram implementados os regulamentos do novo setor e emitidas as licenças.

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As primeiras aprovações para vendas adultas foram emitidas para dispensários de maconha medicinal, que há anos têm permissão para vender a compradores com prescrição médica e geralmente são de propriedade de grandes corporações.

Dezenas de cultivadores e fabricantes menores receberam licenças condicionais emitidas pelo estado no mês passado, mas ainda precisam abrir lojas e obter aprovações dos municípios locais.

Em Bloomfield, a 14 km de Paterson, os clientes também ficaram felizes com a oportunidade de finalmente comprar maconha legalmente.

Um dispensário Apothecarium em Maplewood é um dos dois em Nova Jersey que a empresa foi autorizada a abrir para vendas legais na quinta-feira.

#PraTodosVerem: foto mostra o interior do dispensário da Apothecarium em Maplewood, onde vários clientes dividem espaço com vitrines contendo produtos de cannabis. Imagem: Gabby Jones / The New York Times.

“Estou feliz por estar aqui”, disse Manny, enquanto fazia sua primeira compra de cannabis legal em um dispensário da Rise, ao NorthJersey.com. “A maconha fez maravilhas por mim em minha vida. Ajudou-me com muitas coisas e lutas e depressão e me manteve longe, você sabe, de medicamentos prescritos.”

Ele também elogiou a receita tributária que poderia ser trazida através da venda de maconha para ajudar a consertar estradas e pagar escolas.

Enquanto isso, no dispensário da Ascend Wellness, em Rochelle Park, o único sinal de mudança na avenida mais movimentada no norte do estado, a Route 17, era um carro de polícia com o giroflex ligado e um sinal de trânsito elétrico dizendo “somente com agendamento”. Ao contrário de outros dispensários, lá não houve filas enormes ou aumento do tráfego.

Cerca de cinco pessoas esperavam do lado de fora por alguns minutos antes de serem levadas para a sala de check-in.

Havia cerca de 1.500 consultas agendadas para hoje a partir das 9h30 com potencial para saltar para 2.000, segundo o NJ News. Dependendo do estoque de produtos, o dispensário pode atender até 2.500 consultas por dia.

Nem tudo são flores

Uma denúncia levantada pelos representantes do movimento negro em Nova Jersey em janeiro deste ano alerta que os empresários negros foram excluídos do mercado de cannabis medicinal do estado.

A Câmara de Comércio Afro-Americana de Nova Jersey (AACCNJ) diz que nenhuma das 56 licenças de cannabis concedidas desde que o setor de maconha medicinal foi legalizado, em 2012, foi emitida para empresas de propriedade negra.

O racismo institucionalizado pela Comissão Reguladora da Cannabis também foi denunciada pelo parlamentar Donald M. Payne Jr. (D), que emitiu uma declaração oficial anunciando sua desaprovação de que nem uma única licença de cannabis emitida em Nova Jersey tenha sido concedida a empresas de propriedade de negros.

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Um relatório da União Americana pelas Liberdades Civis divulgado em 2020, que examinou os dados de detenções em 2018, mostrou que os negros de Nova Jersey foram presos por maconha a uma taxa 3,45 vezes maior que os brancos, apesar do uso semelhante.

“Em seu segundo discurso de posse, o governador Murphy elogiou a criação da indústria de cannabis em nome da justiça social. O relógio está correndo e a justiça social continua negada aos empreendedores negros que buscam licenças para operar no espaço da cannabis”, declarou o fundador e CEO da AACCNJ, John E. Harmon.

Um requisito específico da CRC de que os solicitantes de licença mantenham o controle do local enquanto a CRC considera seus pedidos é o que impede alguns empresários negros de participar do setor, diz o comunicado da AACCNJ. Os requerentes devem ter o controle dos imóveis onde seus negócios serão operados. E isso significa que muitos candidatos são sobrecarregados com pagamentos mensais de arrendamento que não podem ser deduzidos como despesas comerciais — dado o status legal da cannabis nos EUA.

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