NBA mantém política de não testar jogadores para maconha pela terceira temporada

Fotografia mostra a mão de uma pessoa que segura uma bola de basquete em posição de arremesso, e um fundo embaçado em tons de verde. Imagem: Abhay siby Mathew | Unsplash.

Testagem aleatória para tetraidrocanabinol foi suspensa pela NBA desde os jogos na “bolha”

A Associação Nacional de Basquete (NBA) dos EUA não testará aleatoriamente jogadores para verificar a presença de maconha pela terceira temporada consecutiva.

Um acordo com a Associação Nacional de Jogadores de Basquete (NBPA) sobre suspender os testes aleatórios para cannabis foi estabelecido em 2020 quando os jogos foram retomados na bolha da Disney, e permanece desde então.

Os jogadores ainda podem ser testados por causa provável e a maconha ainda consta na lista de substâncias proibidas da NBA, mas fontes da liga disseram ao jornalista esportivo Ben Dowsett que a testagem aleatória de cannabis continuará suspensa durante a temporada 2022-2023.

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Além disso, Dowsett diz que a remoção permanente dos testes aleatórios de maconha provavelmente será um tópico das próximas negociações do CBA — acordo coletivo entre a NBA e a associação de jogadores.

Embora a Agência Mundial Antidoping (WADA) continue proibindo a cannabis em competições, a ação da NBA confirma uma tendência de desestigmatização da maconha observada nos últimos anos no universo dos esportes.

Como, por exemplo, uma parceria entre a NBPA e a Harrington Wellness, empresa que oferece produtos de canabidiol para recuperação de atletas, anunciada em julho.

E o mais recente desenvolvimento da Liga Principal de Beisebol dos EUA, a MLB, que anunciou recentemente uma parceria com a empresa de cannabis Charlotte’s Web para promover seus produtos durante os jogos.

Por meio da parceria, a empresa se torna o primeiro “CBD oficial da MLB” e seus produtos poderão ser vistos por cerca de 180 milhões de fãs de beisebol.

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A MLB anunciou em junho que permitiria às equipes aceitarem patrocínios de empresas de cannabis, desde que seus produtos fossem certificados pela NSF (uma organização internacional de avaliações de risco e teste de produtos) para não conterem tetraidrocanabinol (THC).

Uma das ligas esportivas mais progressistas quando se trata de política de maconha, a MLB removeu a cannabis de sua lista de substâncias de abuso em 2019.

Desde então, as suspensões pelo uso de maconha foram retiradas do programa de drogas da liga, enquanto opioides, fentanil, cocaína e THC sintético continuam perseguidos por exames toxicológicos — jogadores com resultado positivo são encaminhados para um conselho de tratamento.

A USADA (agência antidoping dos EUA) anunciou no início do ano passado que não puniria mais os lutadores de artes marciais mistas (MMA) por testes positivos de cannabis, mantendo a punição apenas quando evidências adicionais demonstrarem que o THC foi usado pra melhora de performance.

Um acordo de patrocínio entre o UFC e a empresa britânica de cannabis Love Hemp está em vigor desde junho do ano passado. A parceria proporciona à fornecedora de produtos de cânhamo acesso aos ativos físicos e digitais da organização de MMA.

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No início do ano, a NFL (liga de futebol americano dos EUA) concedeu US$ 1 milhão a duas equipes de pesquisadores para estudar os efeitos dos canabinoides no controle da dor e na neuroproteção em casos de concussão em jogadores de elite.

Em 2020, a política de abuso de substâncias da NFL foi alterada para remover a suspensão de jogadores com testes positivos de maconha.

Sob as regras atuais, se um jogador der positivo para cannabis até duas semanas antes do treinamento em campo, seu teste é analisado por um conselho de profissionais médicos nomeados pela NFLPA (associação de jogadores) e pela liga que determinam se o jogador precisa de tratamento para abuso de drogas — essa janela de duas semanas para testes de maconha foi reduzida de quatro meses.

Os jogadores da liga americana de futebol também não são mais suspensos por testes positivos e o limiar para reprovação agora é de 150 nanogramas de THC por mililitro de sangue, acima dos 35 nanogramas anteriores.

Em fevereiro, a Associação Nacional de Atletismo Universitário (NCAA) dos EUA anunciou que estava mudando suas políticas de teste de canabinoides. A organização também aumentou o limite de THC de 35 para 150 nanogramas por mililitro e recomendou que cada divisão considere mudanças na atual estrutura de penalidades para estudantes-atletas que testam positivo para o composto da cannabis.

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A Dorna Sports, organizadora do Campeonato Mundial de Motovelocidade, anunciou em abril uma parceria inédita, ao nomear a Craft 1861, uma empresa estadunidense de produtos de canabidiol, como parceira de bem-estar da MotoGP.

“A Craft 1861 visa promover uma abordagem inclusiva e inovadora ao bem-estar — desde a recuperação do treino até tratamentos curativos de lesões tópicas e muito mais”, diz um comunicado da MotoGP. “A empresa desempenhará um papel crucial no bem-estar físico e mental dos atletas e funcionários do Campeonato Mundial de Motovelocidade da MotoGP.”

Além do acordo com a Dorna Sports, a empresa também acordou uma parceria de bem-estar com a Pramac Racing, time satélite da Ducati na MotoGP.

Dito isso, a farmacêutica Tegra Pharma anunciou no início do ano que vai patrocinar os triatletas e cofundadores do coletivo Atleta Cannabis, Peu Guimarães e Fernando Paternostro, com o objetivo de avaliar o uso de canabinoides no esporte, como ferramenta terapêutica e de melhora da performance esportiva.

O programa de acompanhamento está documentando a evolução do tratamento à base de cannabis feito pelos atletas, e coletando dados para a criação de um protocolo de uso dos canabinoides nos esportes.

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#PraTodosVerem: fotografia mostra a mão de uma pessoa que segura uma bola de basquete em posição de arremesso, e um fundo embaçado em tons de verde. Imagem: Abhay siby Mathew | Unsplash.

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