Liga de beisebol dos EUA firma acordo de patrocínio com empresa de cannabis

A Charlotte’s Web se tornou a primeira marca de canabidiol oficial da MLB — parceria é o mais recente sinal de como as ligas esportivas vêm evoluindo seu pensamento em relação à maconha

A Liga Principal de Beisebol dos EUA, a Major League Baseball (MLB), promoverá produtos da empresa de cannabis Charlotte’s Web durante os jogos e em suas plataformas de mídia social sob uma parceria exclusiva de vários anos que abre uma maior visibilidade do canabidiol (CBD), anunciaram as organizações na quarta-feira.

O acordo histórico torna a MLB a primeira grande liga esportiva profissional a firmar um contrato de patrocínio com uma empresa de cannabis.

“Como líder na categoria CBD, com produtos que oferecem benefícios de saúde e bem-estar, a Charlotte’s Web é uma adição bem-vinda à família MLB, representando uma parceria histórica no beisebol e nos esportes”, disse Noah Garden, diretor de receita da MLB, em um comunicado à imprensa. “Os produtos Charlotte’s Web que recebem a designação NSF Certified for Sport® atendem aos mais altos padrões de segurança e podem ser promovidos em eventos da MLB e plataformas de mídia.”

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Por meio da parceria, a Charlotte’s Web se torna o primeiro “CBD oficial da Major League Baseball”, diz o comunicado. Cerca de 180 milhões de fãs de beisebol poderão ver os produtos da Charlotte’s Web nos eventos da MLB, incluindo All-Star Week, pós-temporada e World Series.

“Estamos empolgados com as possibilidades que esta parceria oferece à medida que o CBD se torna uma parte mais amplamente adotada do regime de saúde e bem-estar de nossos jogadores e fãs”, comemorou Garden.

A Charlotte’s Web vende óleos, gomas e cremes derivados do cânhamo projetados para serem uma alternativa natural para alívio de dores musculares e indução do sono. A empresa possui instalações de produção no Colorado e em Nova York.

Em junho, a MLB anunciou que permitiria que as equipes aceitassem patrocínios de empresas de cannabis que comercializam produtos de CBD, desde que fossem certificadas pela NSF (uma organização internacional de avaliações de risco e teste de produtos), para não conterem tetraidrocanabinol (THC).

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A parceria também celebra o lançamento da primeira tintura derivada de cânhamo de amplo espectro a ser certificada para Sport® pela NSF. Aproveitando a pesquisa científica, Boas Práticas de Fabricação Atuais (cGMP) e certificação B Corp da Charlotte’s Web, o produto passou por rigorosos testes independentes para atender exclusivamente aos benchmarks científicos e política de substâncias não proibidas da MLB. A marca, que apresentará o logotipo da MLB em seu rótulo, é o primeiro lançamento de produto da nova linha Charlotte’s WebTM SPORT, que também incluirá gomas, tópicos e sprays orais.

Um comunicado registrado na SEC (comissão de valores mobiliários dos EUA) mostra que, até 31 de dezembro de 2025, a MLB receberá US$ 30,5 milhões pelos direitos promocionais e um royalty de 10% sobre qualquer produto que a Charlotte’s Web venda que tenha a marca MLB após as vendas totais excederem US$ 18 milhões.

Além disso, a Charlotte’s Web também emitirá ações à MLB iguais a 4% de suas ações em circulação, o que equivale a 6 milhões de ações.

O acordo torna a MLB uma parceira estratégica da Charlotte’s Web e ressalta a oportunidade de valor de longo prazo de entrar no mercado de CBD dos EUA, que superou US$ 4,7 bilhões em vendas em 2021 e deve chegar a US$ 12 bilhões até 2026, de acordo com a empresa de pesquisa da indústria de cannabis Brightfield Group.

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A colaboração é o mais recente sinal de como as ligas esportivas evoluíram seu pensamento quando se trata de maconha.

A MLB removeu a cannabis de sua lista de substâncias de abuso em 2019, quando assinou um acordo conjunto com a associação de jogadores,.

Sob o acordo, as suspensões pelo uso de maconha foram retiradas do programa de drogas da liga, enquanto opioides, fentanil, cocaína e tetraidrocanabinol sintético (THC) continuam perseguidos por exames toxicológicos — jogadores com resultado positivo são encaminhados para um conselho de tratamento.

No início do ano, a NFL (liga de futebol americano dos EUA) concedeu US$ 1 milhão a duas equipes de pesquisadores para estudar os efeitos dos canabinoides no controle da dor e na neuroproteção em casos de concussão em jogadores de elite.

A NBA, a Associação Nacional de Basquete dos EUA, cessou os testes de cannabis em 2020, quando a liga passou a jogar dentro da “bolha” devido à pandemia, e estendeu essa suspensão até a última temporada.

Em julho, a associação dos jogadores da NBA anunciou uma parceria de vários anos com a Harrington Wellness, empresa que oferece produtos de canabidiol para recuperação de atletas.

A Associação Nacional de Atletismo Universitário (NCAA) dos EUA anunciou em fevereiro que estava mudando suas políticas de teste de canabinoides. A organização aumentou o limite de THC de 35 para 150 nanogramas por mililitro e recomendou que cada divisão considere mudanças na atual estrutura de penalidades para estudantes-atletas que testam positivo para o composto da cannabis.

Os jogadores da Liga Nacional de Hóquei (NHL) dos EUA, desde 1996, não são punidos por testes positivos para THC.

Enquanto as ligas esportivas seguem evoluindo suas políticas de cannabis, a Agência Mundial Antidoping (WADA) continua proibindo a maconha em competições.

“A questão de como o THC deve ser tratado em um contexto esportivo não é simples”, disse o diretor-geral da Wada, Olivier Niggli, em uma nota à imprensa. “A Wada está ciente da diversidade de opiniões e percepções relacionadas a essa substância em todo o mundo e até mesmo em alguns países. A Wada também está ciente de que os poucos pedidos de remoção do THC da lista proibida não são suportados pela revisão completa dos especialistas.”

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Imagem de capa: AP Photo / Ross D. Franklin.

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