O Mestre da Fumaça: filme nacional que mistura maconha e kung fu chega à Netflix

Foto de divulgação do filme "O Mestre da Fumaça".

Inspirada no cinema de Hong Kong dos anos 60, a primeira comédia “stoner” brasileira aborda a maconha e seus consumidores de forma desestereotipada e ressalta a importância do autocultivo

Estabelecendo um novo paradigma no cinema brasileiro, o longa “O Mestre da Fumaça” inova ao misturar dois gêneros ainda não explorados no Brasil: o stoner (subgênero da comédia que gira em torno da maconha) e o kung fu. Após ser lançado nos cinemas em maio do ano passado, o filme dirigido por André Sigwalt e Augusto Soares agora chega ao catálogo da Netflix.

Protagonizada pelo brasileiro Daniel Rocha (Avenida Brasil, Império, Sequestro Relâmpago) e pelo chinês Tony Lee (Made in China, O Grande Gonzalez), a comédia chapada conta a estória de dois irmãos que se veem ameaçados pela máfia chinesa com a “Vingança das 3 Gerações”, uma maldição lançada há mais de cinquenta anos contra seu avô, o famoso Mestre da Fumaça.

A única maneira de escapar da maldição é encontrar o atual mestre da fumaça e aprender as técnicas desse estilo de arte marcial ancestral, em um treinamento que envolve aprender a bolar baseados, cultivar maconha e fumar em bongs, com o objetivo de assimilar os movimentos do Estilo Fumaça — a versão maconheira do estilo bêbado, que ficou famoso com o filme “O Mestre Invencível”, estrelado por Jackie Chan em 1978, a grande inspiração para a trama.

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Produzido de forma completamente independente, O Mestre da Fumaça presta homenagem à cinematografia chinesa e cerca de 30% do filme é falado em mandarim, enquanto 10% é falado em inglês. A obra tem 15 sequências de lutas, sendo que a penúltima sequência conta com 21 pessoas lutando ao mesmo tempo por mais de 3 minutos, e utilizou 82 baseados cenográficos ou cachimbos.

“A forma que a maconha é abordada no filme é diferente da comumente mostrada no cinema. A maconha e seu usuário não são mostrados como párias da sociedade e o humor não se dá satirizando o usuário. No filme, a maconha e sua utilização têm poderes sagrados e podem contribuir para a vida de quem a estuda”, diz um comunicado à imprensa divulgado pela produção do filme.

Em entrevista ao Geek Pop News, os diretores deixaram claro que o filme é antiproibicionista.

“A favor do autocultivo, o filme é com certeza. O mestre Liu mesmo fala que não tem cabimento: se você quer fumar, tem que saber plantar. O autocultivo é uma das formas de combate ao tráfico de drogas em si, no caso da maconha em específico. Além, obviamente, da legalização”, explanou André.

Sem utilizar nenhum patrocínio ou prêmio governamental, os diretores tiveram total liberdade criativa, abordando a necessidade do autocultivo e a urgência da legalização da cannabis.

Tendo participado de diversos festivais pelo Brasil e no exterior, “O Mestre da Fumaça” ganhou o prêmio do público de melhor filme de ficção brasileiro da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o prêmio Golden Ganja Awards de melhor filme no Amazing Stoner Film Fest (Tailândia), os prêmios do júri de melhor direção e do público de melhor filme no 7º Rio Fantastik Festival, o prêmio de melhor filme da mostra noturna no 12º Festival Internacional de Cinema do Balneário Camboriú e o prêmio de melhor filme internacional do 23º Festival Internacional de Cinema Independente de Washington DC (EUA).

Confira o trailer de “O Mestre da Fumaça”:

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Imagem de capa: O Mestre da Fumaça | Divulgação.

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