“Mel louco” do Himalaia: o antigo elixir psicodélico está se tornando moda nos festivais

Pote de mel, em fundo escuro. Imagem: Vecteezy | Andres Ramos.

Cada vez mais estadunidenses e europeus procuram substâncias psicodélicas naturais e legais. É por isso que o “mel louco” está ganhando popularidade em todo o mundo. Mas o que se sabe sobre esta substância pegajosa? Como você pode acessá-la? E que efeitos isso tem na mente e no corpo?

O Mad Honey, ou “mel louco” como sua tradução indica, vem da Ásia e tem sido usado como remédio há milhares de anos. Não é como qualquer outro mel, nem pode ser produzido por qualquer abelha. A nepalesa Apis dorsata laboriosa é a maior abelha do mundo e vive no sopé do Himalaia, onde produz néctar com propriedades alucinógenas.

Embora essa substância já seja investigada há algum tempo, na edição mais recente do festival Burning Man, em Nevada (EUA), foram registrados três casos de intoxicação por mel, o que mostra que aos poucos ela está chegando às mãos dos usuários. É vendida em potes (geralmente por US$ 50) e pode ser encontrada em alguns sites da internet.

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“A popularidade anedótica do mel louco quase garantiria a sua presença em grandes festivais. E, salvo doses muito grandes ou uma fisiologia atípica, a maior parte do uso ocorrerá com efeitos adversos insignificantes”, explicou Bryan Lang, especialista em redução de danos de psicodélicos, de acordo com o Healing Maps.

Mel louco ou “mad honey”: por que bate e que efeitos adversos pode ter?

O “mel louco” é diferente do mel comum que encontramos nas lojas, pois contém grayanotoxinas, substâncias extraídas pelas abelhas do néctar e pólen de plantas pertencentes ao gênero Rhododendron. Essa toxina é o que dá ao “mel louco” seu nome, devido aos efeitos intoxicantes, psicotrópicos e potencialmente nocivos que pode ter quando consumida.

Ao longo do tempo, as pessoas usaram o mel louco para diversos fins, inclusive como estimulante sexual, remédio para certos problemas gastrointestinais e até mesmo para tratar hipertensão. No entanto, de acordo com um estudo de 2018, o consumo deste mel pode levar a uma série de sintomas devido às grayanotoxinas.

Embora em baixas doses o “mad honey” possa produzir sensações agradáveis e eufóricas, experiências desagradáveis não estão descartadas, já que em altas doses esse mel pode causar perda de controle das pernas e fortes alucinações.

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Apesar de o prognóstico para intoxicação por mel maluco seja geralmente bom e as fatalidades sejam raras, os sintomas podem incluir tontura, visão turva, náusea, sudorese excessiva, dificuldade em ficar em pé e fraqueza geral. Mais gravemente, pode afetar o coração, causando problemas como pressão arterial baixa e ritmos cardíacos irregulares. Em alguns casos, pode até causar depressão respiratória.

Em casos de sobredosagem, costuma-se administrar atropina, que neutraliza os efeitos adversos.

Segundo especialistas em redução de danos, esta substância se tornará cada vez mais popular. Portanto, será necessário educar os usuários para que conheçam seus riscos e benefícios.

Em busca de novos rituais psicodélicos

As referidas grayanotoxinas são o princípio ativo responsável pelos seus efeitos psicodélicos e podem ter aplicações medicinais em algumas culturas asiáticas. Algumas tribos, como os Kuluung, dedicam-se à colheita sob a crença de que existe uma entidade protetora sobre o mel.

The Last Honey Hunter” é um documentário de 2017 no qual o cineasta Ben Knight e sua equipe viajaram para um vale no Nepal, onde Knight admitiu sentir uma “presença espiritual” na parede do penhasco.

Por outro lado, a Vice News também trabalhou num documentário sobre o assunto, em conjunto com a etnia Gurung, que pratica há séculos a caça ao mel silvestre. O seu trabalho envolve descer perigosos penhascos em busca de mel e, depois de uma caçada bem sucedida, os aldeões celebram com comidas, danças tradicionais e bebida alcoólica, fortalecendo os seus laços como comunidade e replicando as suas antigas tradições ancestrais.

Por Lucía Tedesco, originalmente publicado no El Planteo.

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Imagem de capa: Vecteezy | Andres Ramos.

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