Marinha dos Estados Unidos relaxa política de cannabis para recrutas

Fotografia em destaque mostra marinheiros-recrutas enfileirados no Comando de Treinamento de Recrutamento da Estação Naval Great Lakes, em Illinois. Imagem: Marinha dos Estados Unidos.

Medida busca reduzir o número de marinheiros que abandonam a carreira militar

A Marinha dos Estados Unidos não está mais expulsando os recrutas que chegam ao campo de treinamento e inicialmente testam positivo para maconha.

O novo posicionamento faz parte dos esforços do serviço militar para lidar com a crise de recrutamento que vem assolando as forças armadas dos EUA nos últimos anos.

O serviço está concedendo isenções a qualquer marinheiro-recruta que inicialmente tenha resultado positivo para THC para que este tenha a chance de passar novamente pelo processo de recrutamento.

“Se eles falharem no teste e confessarem — ‘sim, eu fumo maconha’ — fazemos uma avaliação do jovem para ter certeza de que não há mais nada acontecendo”, disse o contra-almirante James Waters III, segundo o Military.com. “Mas confiamos que, através do processo de treinamento, teremos a oportunidade de trazê-los junto com nossa cultura.”

Leia também: Uber e outras empresas fazem lobby sobre a reforma da cannabis nos EUA

Waters, que é diretor da divisão de planos e políticas de pessoal da Marinha, explicou que a mudança também foi motivada para “refletir a posição da legislação na sociedade”.

“Reconhecemos que muitos estados legalizaram a maconha”, disse ele ao site de notícias militares.

Atualmente, o uso adulto da cannabis é legal em 24 estados e no Distrito de Colúmbia (Washington), onde fica a capital dos EUA. Outros 16 dos 50 estados americanos permitem apenas o uso medicinal da planta.

No entanto, o almirante ressaltou que a flexibilização da política de drogas do serviço se limita à cannabis e não se aplica a outras substâncias. “Não usamos drogas nas forças armadas”, enfatizou.

Segundo o Military.com, a mudança está entre uma série de medidas que a Marinha tomou para ajudar a reduzir o número de marinheiros que desistem da carreira militar. As mudanças reduziram a atual taxa de abandono nos campos de treinamento para cerca de 10%, uma das mais baixas da história recente.

“Se vamos recrutar 40 mil marinheiros”, disse Waters, referindo-se à meta de recrutamento da Marinha para 2024, perder 4 mil recrutas “é muito inútil e por isso queremos tentar continuar a trabalhar nisso”.

Leia mais: Estados Unidos: veteranos militares se beneficiam do uso terapêutico da maconha

Em abril de 2021, a Marinha americana já havia implantado um programa-piloto de dois anos no qual recrutas que testavam positivo para THC podiam obter uma isenção para passar novamente pelo processo de recrutamento após um período de 90 dias.

Segundo o Marijuana Moment, a mudança ocorre logo depois que uma medida semelhante foi adota pela Força Aérea estadunidense, que informou no final do ano passado que concedeu mais de três vezes mais isenções de alistamento a recrutas com teste positivo para THC do que as autoridades previram quando anunciaram o programa de isenções pela primeira vez em 2022.

No primeiro ano do programa, o serviço de recrutamento do ramo militar disse ter emitido 165 isenções. Isso é mais do que o triplo das 50 isenções que previu que concederia anualmente. A política cobre tanto a Força Aérea quanto a Força Espacial dos EUA.

Anteriormente, um resultado positivo em um teste para maconha levaria a uma proibição permanente de entrada nos ramos aéreos das forças armadas estadunidenses. Hoje, os recrutas que receberem a isenção e passarem em um segundo teste poderão se alistar.

O Exército americano, por sua vez, impõe um período de espera de 90 dias antes que os aspirantes a soldados com teste positivo para THC possam pedir uma isenção para ingressar no serviço — se um infrator primário der positivo para qualquer droga em seu segundo teste, ele será permanentemente desqualificado para se juntar ao principal ramo militar.

Já o Corpo de Fuzileiros Navais permite que recrutas com resultados positivos para maconha solicitem uma isenção que anule sua desqualificação. Se aprovados, eles podem retornar às Estações de Processamento de Entrada Militar (MEPS) após 45 dias.

Veja também:

Leis de proteção aos trabalhadores que consomem maconha entram em vigor em dois estados nos EUA

#PraTodosVerem: fotografia em destaque mostra marinheiros-recrutas enfileirados no Comando de Treinamento de Recrutamento da Estação Naval Great Lakes, em Illinois. Imagem: Marinha dos Estados Unidos.

Deixe seu comentário
Assine a nossa newsletter e receba as melhores matérias diretamente no seu email!