Mãe vende camisetas para pagar tratamento do filho com óleo de cannabis

Fotografia em primeiro plano de Filipe Podadeiro junto de sua mãe, ambos sorridentes.

Desempregada há quase um mês, a mãe está vendendo camisetas produzidas pelo coletivo de pacientes da região para continuar o tratamento do filho. Com informações do Portal da Cidade Umuarama

Após anos de consultas com especialistas e pesquisas, Roseney Podadeiro, de 43 de anos, encontrou um tratamento que se mostrou eficaz para reduzir as crises convulsivas do filho, Filipe Podadeiro. O adolescente de 17 anos foi diagnosticado aos 2 anos e meio de idade e desde então realizava acompanhamento neurológico, fazendo uso de medicamentos tradicionais.

Em 2018, Roseney descobriu por meio da internet o relato de mães sobre o uso terapêutico da cannabis em pacientes com a mesma doença do filho. Foi então que graças a um movimento de mães e pacientes portadores de outras doenças (epilepsia, transtorno do espectro autista, mal de Parkinson, dores crônicas, esclerose múltipla e depressão), cuja a eficácia do óleo já foi cientificamente comprovada, foi possível o acesso à consulta com um especialista.  

A consulta foi realizada pelo médico Paulo Fleury Teixeira (CRM 19994), que possui autorização para prescrever o medicamento no Brasil, e a partir daí começou a fazer uso de um óleo feito com cannabis, conhecida como “maconha medicinal”.

O medicamento tem sido crucial para a melhora do filho, conta Rosiney. “No início, até mesmo o neurologista que o acompanha não indicava o uso do óleo, por ser muito recente. Mas fui a fundo no assunto, e acreditei, após muita pesquisa e lendo relatos de outros pacientes. Após um ano, refizemos alguns exames e mostramos ao neurologista e ele se surpreendeu com os resultados”, disse.

Custos com o medicamento 

Desde 2016, após decisão judicial, a Anvisa autoriza a prescrição e importação dos medicamentos. Porém, o medicamento possui um custo muito elevado.

Rosiney consegue adquirir dois frascos – suficientes para um mês -, que custam R$ 350, com cerca de 3 ml cada. Trata-se de um produto importado, pois no Brasil ainda há poucas pessoas autorizadas a produzi-lo. Desempregada há quase um mês, a mãe não possui recursos para continuar arcando com os altos valores. Uma alternativa encontrada foi a comercialização de camisetas produzidas pelo coletivo de pacientes moradores da região que possuem receita para fazer uso do medicamento. Cada camiseta custa R$ 50 e o lucro é revertido para para o custo com o tratamento. Para adquirir as camisetas basta entrar em contato por meio do número (44) 9861-1198.

#PraCegoVer: fotografia de duas camisetas, uma de cor preta com um logo redondo de cor verde ao meio, contendo o símbolo caduceu personalizado com a folha da maconha no lugar das asas e a escrita “Cannabis Medicinal é Legal” em branco, e a outra de cor branca com o mesmo texto da primeira ao lado do mesmo símbolo, ambos em cor verde; e um fundo de cor verde. Foto: reprodução.

Cientificamente comprovado 

Estudos já comprovaram a eficácia desse tipo de remédio para convulsões em pacientes com epilepsia e para aqueles com câncer para diminuir a dor provocada pela doença. Apesar disso, o assunto ainda causa polêmica por ser associado diretamente ao consumo e dependência que a erva provoca no organismo.

Segundo a farmacêutica especialista em assuntos regulatórios Maiara Nishino, os medicamentos à base da substância não afetam o comportamento do ser humano, nem têm tendência de dependência.

#PraCegoVer: fotografia (de capa) em primeiro plano de Filipe Podadeiro junto de sua mãe, ambos sorridentes. Foto: arquivo pessoal.

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