Linha do tempo: usos da maconha ao longo da história

pessoas de diferentes sociedades em sequência ilustrando uma linha do tempo da história da maconha. Foto: Papelito

O uso da maconha acompanha a história da humanidade e está atrelado a diferentes culturas e crenças. A Papelito traçou a linha do tempo da ganja, embarque conosco nessa viagem!

Nas civilizações antigas, as plantas medicinais eram a única opção para cuidar da saúde, afinal, não havia indústria para a produção de remédios. Ainda assim, o poder da natureza dava conta do recado, e é claro que a cannabis não poderia ficar de fora!

Como todos sabem, hoje, os diversos benefícios da cannabis — considerada por muitos como sagrada ou, até mesmo, milagrosa — são cientificamente comprovados. Isso demonstra como os saberes antigos sobre o uso de plantas devem ser respeitados e levados em consideração. 

Para além do uso medicinal, arqueólogos e pesquisadores ao redor do mundo já encontraram indícios do uso da maconha ao longo da história para fins ritualísticos e recreativos. Conheça todos eles!

Uso medicinal

O livro chinês Pen Tsao, considerado a primeira farmacopeia da história, foi o primeiro registro histórico encontrado sobre a utilização da cannabis para fins medicinais, por volta de 2.700 a.C. A utilização da planta era recomendada para o tratamento de dores articulares. 

Ainda na Ásia, foram encontradas nas antigas escrituras hindus — mais especificamente nas obras do cirurgião Sushruta, entre 500 e 600 d.C. — a primeira menção de “bhang”, que significa cannabis, em sânscrito. Na religião indiana, nossa plantinha querida é considerada uma das cinco safras sagradas. Mais adiante, em 1464, o médico Ibn al-Badri, da faculdade médica de Calcutá, indica a utilização da cannabis no tratamento de epilepsias refratárias pela primeira vez. 

Migrando para o continente africano, civilizações antigas do Egito utilizavam a cannabis triturada com aipo para fazer lavagem nos olhos de pacientes com glaucoma, segundo o portal The Cannigma. Assim como no caso das epilepsias refratárias, atualmente já existem estudos que indicam o uso do THC para o tratamento do glaucoma, devido ao seu potencial para reduzir a pressão intraocular.

Uso adulto e ritualístico

O uso da maconha em rituais era comum na antiguidade e a tradição perpetua até hoje em diversas religiões, como budismo, hinduísmo, taoísmo, rastafarianismo e entre outras. A planta é, inclusive, associada a entidades sagradas, como a Deusa Seshat, no Egito, ou Shiva, na Índia. Mas, você sabia que essa prática também era comum entre católicos e judaicos?

Isso mesmo! Cientistas encontraram vestígios da planta em vasos localizados no sítio arqueológico de Tel Arad, região central de Israel. O ponto mais intrigante desta descoberta é que foi possível identificar a presença de THC — tetrahidrocanabinol, o composto psicotrópico da maconha — no artefato. Inclusive, esta foi a primeira evidência do uso de drogas psicotrópicas em rituais religiosos na antiguidade, de acordo com a imprensa israelense. 

Leia também: Uso psicoativo da maconha é identificado em ritual chinês de 2,5 mil anos atrás

Brasil, EUA e proibicionismo

No Brasil, as primeiras sementes de maconha chegaram ao país em 1549 por intermédio dos negros escravizados, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Governo. Com o passar do tempo, os indígenas também aderiram ao uso adulto da erva, diferentemente da elite branca, que associava a maconha às classes socioeconômicas menos favorecidas. 

Inclusive, essa associação é responsável por boa parte do preconceito que surgiu ao longo da história e que a maconha sofre até hoje. Em 1920, os Estados Unidos criaram a “Lei Seca”, que proibia a produção e comercialização de bebidas alcóolicas. Foi nesse momento que a ganja — antes utilizada estritamente por mexicanos — caiu na adoração do povo. Boatos de cunho racista diziam que a maconha induzia à promiscuidade e ao crime, e isso foi suficiente para começar a perseguição contra a erva. Em 1930, inspirado pelos EUA, o Brasil começou a reprimir o uso da maconha. 

A onda da legalização

Graças à ciência, a sociedade tende a evoluir — ainda que existam fatores socioculturais que atrasem esse processo. Alguns países começaram a se questionar se a proibição é realmente eficaz, afinal, ela não impede que as pessoas fumem e abre margem para o comércio ilegal.

Com o surgimento de pesquisas dedicadas aos efeitos, benefícios e contraindicações do uso de drogas, foi possível criar novas legislações. Os Países Baixos foram pioneiros na liberação de substâncias psicoativas nos anos 70, dividindo as drogas entre “leves” e “pesadas”. Hoje, o país tolera a venda de drogas leves em coffee shops, e a maconha está entre elas. 

Nos anos 2000, o Canadá foi o primeiro país do mundo a legalizar o uso medicinal da maconha — hoje, o uso adulto também está liberado. No mesmo ano, Portugal liberou o consumo de todas as drogas. Sim, todas as drogas! Mais adiante, em 2013, o Uruguai foi o primeiro país do mundo a legalizar e regulamentar a produção e consumo da ganja, e atualmente diversos países estão afrouxando suas legislações quanto ao uso da maconha — inclusive o Brasil, onde a descriminalização do porte de drogas está em julgamento no Supremo Tribunal Federal. 

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