Número de licenças para cultivar maconha quadruplica em Portugal

Fotografia mostra uma plantação de maconha em período vegetativo, preenchendo quase todo o quadro, e um fundo branco, que aparece na parte superior da imagem. Foto: Unsplash | Alex Person.

Indústria de cannabis portuguesa aposta sobretudo no mercado externo — atualmente quase toda a produção é exportada

Mais de três anos após o uso medicinal da maconha ser legalizado em Portugal, o número de licenças para cultivo de cannabis quadruplicou no país.

Isso de acordo com um estudo da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) sobre a possibilidade de se promover um “cluster” de maconha medicinal no país, encomendado à consultora EY.

O estudo revela que “Portugal reúne um conjunto de condições altamente favoráveis à indústria da cannabis medicinal, beneficiando um cluster integrador de toda a cadeia produtiva” e aponta quatro áreas em que é preciso investir para tornar possível essa hipótese, segundo informou o Público.

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Segundo a consultora, a despesa global de produtos à base de maconha duplicou em todo o mundo entre 2018 e 2020, “prevendo-se um aumento ainda mais expressivo até 2024”. Na Europa esse crescimento deve ser ainda mais evidente, visto que quase todos os países estão licenciando a atividade.

Em 2020, o continente europeu representava menos de 1% da despesa global de produtos à base de cannabis, mas a expectativa é que essa porcentagem suba para os 8% em 2024, de acordo com o documento.

O levantamento mostra que, enquanto em 2019 a Infarmed emitiu cinco licenças para cultivo e cinco para importação/exportação de produtos de maconha em Portugal, no primeiro semestre de 2022 já tinham sido emitidas 20 licenças para cultivo, oito para fabricação, 23 para importação/exportação e dez para comercialização.

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De acordo com os dados da Infarmed, até o final de junho deste ano, Portugal exportou mais de 4.300 quilos de produtos derivados da cannabis, sendo os principais mercados Israel, Alemanha e Espanha.

No mercado interno, os dados mostram que 363 embalagens de produtos de maconha foram comercializadas no primeiro semestre deste ano, o que representa um aumento de quase 190% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em sua conclusão, os consultores apontam cinco fatores competitivos do país: clima favorável à produção; um quadro regulamentar estável e atrativo; recursos humanos competentes; posição geoestratégica do país; e a existência de várias entidades de apoio à atividade empresarial.

Ao mesmo tempo, o relatório recomenda investimento na comunicação e na divulgação da indústria, na competitividade e internacionalização, no acesso ao financiamento, e no desenvolvimento da inovação e conhecimento especificamente ligados à área da cannabis para uso medicinal.

O uso da maconha é autorizado em Portugal no tratamento de condições específicas. A cannabis in natura é vendida nas farmácias portuguesas desde abril do ano passado e deve ser consumida em vaporizadores certificados, segundo as normas da Infarmed.

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#PraTodosVerem: fotografia mostra uma plantação de cannabis em período vegetativo, preenchendo quase todo o quadro, e um fundo branco, que aparece na parte superior da imagem. Foto: Unsplash | Alex Person.

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