Legalização da maconha está associada à redução do uso de opioides por pacientes com câncer

Foto, em close e vista aérea, de um bud de cannabis de pistilos marrons curado, que aparece na horizontal sobre uma superfície branca e lisa. Imagem: Eric BVD | Pexels.

A legalização da cannabis para fins medicinais nos EUA está associada a uma menor taxa de prescrições e uso de opioides e hospitalização relacionada à dor entre certos pacientes oncológicos, de acordo com um novo estudo publicado no JAMA Oncology

O estudo analisou dados sobre reivindicações de seguro de 38.189 pessoas com câncer de mama recém-diagnosticado, 12.816 pacientes com câncer colorretal e 7.190 com câncer de pulmão em 34 estados americanos.

A análise transversal constatou que a legalização da maconha medicinal implementada entre 2012 e 2017 estava ligada a uma redução relativa de 5% a 20% na taxa de distribuição de opioides para adultos com menos de 65 anos em tratamento contra o câncer.

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“A maconha medicinal pode estar servindo como um substituto para as terapias com opioides entre alguns pacientes adultos que recebem tratamento contra o câncer”, escreveram os pesquisadores da Weill Cornell Medicine, da Universidade Harvard, da Universidade do Texas e da Faculdade de Medicina Albert Einstein.

Os autores analisaram 34 estados que não tinham legalização da cannabis medicinal antes de 2012, dos quais 14 implementaram a legalização antes de 2017, sendo que oito permitem o funcionamento de dispensários.

Eles observaram que “a legalização da maconha medicinal com permissões de dispensários foi associada a uma redução maior na taxa de um ou mais dias de opioides”, em comparação com a legalização sem dispensários.

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“Vários mecanismos são possíveis” para explicar a diminuição da prescrição de opioides, segundo os pesquisadores.

“O acesso legal à maconha medicinal pode ter levado os oncologistas e outros profissionais a prescrever menos opioides. A legalização da maconha medicinal também pode ter sido associada a uma menor demanda por opioides por parte dos pacientes que usam maconha para autogerenciar a dor, bem como por aqueles que relutam em reclamar de dor ao perceber a maconha como uma alternativa aos opioides”, escreveram no artigo.

A equipe também descobriu que a legalização da cannabis para uso medicinal “foi associada a uma redução nos eventos hospitalares relacionados à dor entre pacientes com câncer de pulmão (e entre pacientes com câncer de mama em menor grau) com uso recente de opioides, e essas reduções foram observadas logo após a legalização da maconha medicinal entrar em vigor”.

“As descobertas sugerem que a maconha medicinal pode servir como um substituto para os opioides até certo ponto”, concluíram os autores, frisando que “estudos futuros precisam elucidar a natureza das associações e suas implicações para os resultados dos pacientes”.

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Os resultados são consistentes com pesquisas anteriores sobre a legalização da cannabis nos estados americanos e a diminuição do uso de opioides e outras drogas prescritas.

Um estudo divulgado setembro mostrou que os pacientes podem reduzir ou cessar completamente o uso de opioides após o acesso legal à maconha, sem comprometer sua qualidade de vida.

“O uso de analgésicos à base de opiáceos pode ser reduzido, ou até mesmo cessado, especialmente em pacientes com dor crônica, logo após o acesso à cannabis medicinal legalizada”, escreveram os pesquisadores. “O início de leis de cannabis medicinal pode levar a mudanças na saúde pública por meio dos potenciais efeitos poupadores de opioides da cannabis medicinal sem piorar o funcionamento da saúde”.

Na reunião da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos em março deste ano, dois estudos apresentados revelaram que o acesso à cannabis pode reduzir ou até eliminar o uso de opioides para controle da dor para pacientes com dor crônica nas costas e osteoartrite.

“No cenário da atual crise de opioides, devemos identificar alternativas que possam mitigar a dependência de opioides para controlar a dor”, disse Asif M. Ilyas, professor de cirurgia ortopédica no Hospital Universitário Thomas Jefferson (Pensilvânia), que liderou os estudos.

Um outro estudo, publicado no ano passado por pesquisadores da Universidade de Toronto, observou um declínio nas prescrições de opioides em todo o Canadá, após a legalização da maconha para uso adulto.

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Imagem de capa: Eric BVD | Pexels.

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