Leandra Leal defende legalização das drogas: “Essa guerra só produz vítimas”

leandra leal Leandra Leal defende legalização das drogas: “Essa guerra só produz vítimas”

Em entrevista sobre o filme “Alemão 2”, onde vive uma policial, a atriz fala sobre a questão da segurança pública no país e critica a atual política de drogas. As informações são do Patrícia Kogut.com

Leandra Leal lançou neste sábado (18), no Festival do Rio, “Alemão 2”, de José Eduardo Belmonte. O longa marca sua primeira participação num filme de ação. Na história, Freitas, sua personagem, sobe o morro com os colegas de corporação para capturar o traficante Soldado (Digão Ribeiro), que dominou o território após a falência das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), nove anos depois da operação militar realizada para livrar o Complexo do Alemão do controle do tráfico.

— Nunca tinha feito filme de ação, não passava pela minha cabeça. Achei bacana passar por um processo desse. E é um assunto no qual eu tinha interesse de me aprofundar mais. Adorei trabalhar com Belmonte. Topei muito por ele, pelo elenco do filme (que tem também Vladimir Brichta e Gabriel Leone). Nossa preparação foi baseada no roteiro: tivemos um ciclo de palestras com o coronel Ibis Pereira, com mulheres das Redes da Maré. A ideia era contemplar (os temas referentes) a polícia e comunidade. E o filme não é só de policiais perseguindo bandidos. Ele fala dessa guerra sem fim que tem todo um esquema de corrupção por trás. A polícia está ali dentro enxugando gelo e a população exposta sem que ninguém a defenda. Minha personagem é uma pessoa nova na corporação e que acha que vai fazer diferença. Ela faz uma operação, dá tudo errado e ela vai se perdendo, se perdendo… — diz Leandra.

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Outro recorte do longa foi o do empoderamento feminino. A atriz, de 39 anos, comenta que os ideais pessoais se confundem quando a personagem se depara com a dura realidade:

— É interessante ser uma policial mulher num ambiente tão masculino. Ela é mais idealista mesmo e vive uma grande frustração dessa realidade. Vai vendo o quanto não consegue fazer diferença e o quanto, nessa guerra, quem comanda não quer solucionar. A questão da segurança é seríssima no Rio, no Brasil. A violência é um problema com muitas causas. É sentida mais na desigualdade social. E não dá pra gente falar sobre segurança pública sem falar na legalização. Essa guerra às drogas só produz vítimas de todos os lados. Espero que esse assunto seja encarado. A gente tem que deslocar o debate da guerra às drogas. Não é só relacionado à segurança pública, mas se trata de um debate de saúde. Espero que isso reverbere para esse lado também.

Mãe de Julia, de 6 anos, Leandra em breve dará vida a uma progenitora também na ficção. Será em “A vida pela frente”, série do Globoplay que ela idealizou, está produzindo e vai dirigir ao lado de Bruno Safadi.

— A série tem atores jovens como protagonistas. Ainda estamos no processo de seleção. Eu faço a mãe da protagonista da temporada. Estou superanimada de estar dirigindo pela primeira vez com o Bruno, um parceiro com quem trabalhei várias vezes como atriz. É a realização de um sonho. Está sendo muito trabalho, mas me sinto bem feliz.

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#PraTodosVerem: fotografia, em primeiro plano, da atriz Leandra Leal sorridente, em um ambiente interno. Imagem: Guilherme Burgos / Divulgação.

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