Laboratório público de Goiás faz primeira venda de óleo de cannabis

Fotografia mostra a boca de um frasco cor âmbar e, logo acima, a ponta de um conta-gotas contendo óleo amarelo, além de um fundo desfocado de folhas e um espaço escuro. Imagem: tayhifi5 | Freepik.

Governo do Amapá foi o primeiro cliente da estatal goiana

Um paciente do Amapá será o primeiro a usar um óleo de cannabis produzido pela Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego). O produto é fruto de uma parceria celebrada em março deste ano entre o laboratório público goiano e a empresa Golden CBD+ para transferência de tecnologia. Por se tratar de uma estatal, a Iquego só produz e comercializa medicamentos e produtos para a saúde atendendo demandas de órgãos públicos.

O acordo firmado pela Iquego tem como objetivo regular o acesso aos produtos derivados da maconha via SUS (Sistema Único de Saúde), ofertando os óleos por valores mais competitivos e acessíveis. “Nossa intenção é fazer com que as pessoas de todo Brasil tenham acesso a essa medicação de forma mais acessível”, afirmou o diretor-presidente da Iquego, José Carlos dos Santos, em um comunicado à imprensa.

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Segundo O Popular, no caso do Amapá, o governo do estado adquiriu inicialmente 22 frascos de 30 ml de óleo de cannabis (Full Spectrum Canabidiol) para atender um paciente com diagnóstico de malformação do sistema nervoso central e epilepsia de difícil controle. A família ganhou na Justiça o direito de ter o tratamento custeado pelo governo estadual.

A parceria entre a Iquego e a Golden CBD+ tem vigência de dez anos. Inicialmente, o laboratório goiano recebe o produto pronto e o comercializa a preço mais acessível para órgãos públicos. “Não estamos preocupados com fatia de mercado, mas com a saúde pública, com a qualidade de vida do paciente”, destacou José Carlos ao jornal goiano.

O diretor da estatal explicou que, nas próximas etapas, haverá capacitação do corpo farmacêutico e de técnicos de laboratório até chegar o momento em que a Iquego poderá fazer o cultivo e a estratificação. “Acreditamos que isso irá ocorrer somente entre os anos seis ou sete previstos no acordo. Atualmente, a não ser com decisão judicial, o Brasil não pode fazer plantio, estratificação, manuseio ou armazenagem de produtos à base de cannabis, mesmo para uso medicinal.”

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Atualmente, o acesso ao tratamento à base de cannabis é caro e burocrático, sendo que os pacientes brasileiros possuem quatro vias básicas: importação dos produtos, compra nas farmácias, associações canábicas ou autocultivo com autorização da justiça.

Os pacientes que necessitam da cannabis em seu tratamento de saúde e não possuem condições financeiras para arcar com nenhuma das formas de acesso listadas acima devem acionar o Poder Público na justiça para receberem a medicação.

Em Goiás, uma lei sancionada em maio deste ano institui a política estadual de fornecimento gratuito de medicamentos, fitofármacos e fitoterápicos prescritos à base de maconha nas unidades de saúde públicas e privadas conveniadas ao SUS.

Outros dez estados brasileiros, mais o Distrito Federal, também já contam com leis que obrigam o Poder Público a fornecer produtos medicinais derivados da cannabis.

No entanto, com exceção do DF, nenhuma unidade federativa com legislação de cannabis medicinal deu início à distribuição dos medicamentos no SUS.

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Imagem de capa: tayhifi5 | Freepik.

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