Jovens que usam maconha têm melhores orgasmos e função sexual, diz estudo

Os usuários de cannabis pontuaram mais do que os não usuários tanto no funcionamento sexual quanto na excitação e orgasmo, segundo um novo estudo

A função sexual em jovens que usam maconha e álcool com mais frequência se mostrou melhor do que naqueles que não usam, segundo um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de Almería, na Espanha.

Os pesquisadores avaliaram durante seis meses 185 mulheres e 89 homens entre 18 e 30 anos que eram usuários regulares ou não usuários de cannabis ou álcool. Foram excluídos os indivíduos que usavam outras substâncias, bem como os participantes que apresentavam algum diagnóstico, como depressão ou diabetes, que pudesse influenciar seu desempenho sexual.

Para analisar o efeito da cannabis e do álcool na função sexual, os pesquisadores utilizaram três instrumentos: Teste de Identificação de Transtornos devido ao Uso de Álcool, Teste de Triagem de Abuso de Cannabis e Questionário Curto de Mudanças no Funcionamento Sexual.

Os usuários de cannabis pontuaram mais do que os não usuários tanto na escala geral de funcionamento sexual quanto nas subescalas de excitação e orgasmo. E aqueles que usaram mais cannabis relataram maiores escores de funcionamento sexual e excitação do que os usuários moderados. Não foram encontradas diferenças nas subescalas de desejo e orgasmo entre usuários moderados e pesados.

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Não foram detectadas diferenças entre homens e mulheres que responderam aos questionários do estudo.

“Nossas descobertas indicam que os jovens que usam cannabis com frequência, independentemente do sexo, têm melhor função sexual geral”, diz o artigo do estudo publicado na Healthcare.

 

 

Em relação ao uso de álcool, não foram encontradas diferenças significativas na função sexual geral ou em qualquer uma das subescalas entre os participantes que bebem e não bebem. Entretanto, houve diferenças estatisticamente significativas com base nos níveis de consumo de álcool, potencialmente sugerindo alguns resultados dependentes da dose.

Os participantes que relataram fazer o uso pesado de álcool pontuaram mais alto no questionário de função sexual geral e na subescala de excitação do que aqueles que não bebem, segundo o estudo. E, ainda, os participantes de alto consumo tiveram escores totais significativamente mais altos no questionário e na subescala de orgasmo do que os que fazem consumo moderado — os indivíduos que relataram uma dependência de álcool existente tiveram pontuações significativamente mais baixas do que seus pares cujo consumo foi avaliado como meramente em maior risco.

Os resultados referentes à cannabis são consistentes com achados anteriores envolvendo 216 pessoas com idade média de 29,9 anos, que usaram cannabis para melhorar sua experiência sexual. Os efeitos da cannabis em percepções aumentadas, distorção do tempo, relaxamento e inibição diminuída foram tidos hipoteticamente como explicações para essa melhora na função sexual. Em linha semelhante, outro estudo descobriu que as mulheres que relataram mais uso de cannabis apresentaram pontuações mais altas de função sexual, bem como desejo, excitação, orgasmo e satisfação.

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Por outro lado, outros pesquisadores afirmaram que a maioria das mulheres que usaram maconha antes do sexo relatou efeitos sexuais positivos nos domínios de satisfação sexual geral, desejo, orgasmo e melhora na dor sexual, mas não na lubrificação. Um estudo recente em homens identificou uma conexão entre o aumento do uso de cannabis e o aumento da função sexual, bem como maior satisfação sexual e diminuição da prevalência de disfunção erétil. Nesse sentido, um estudo anterior descobriu que os usuários de cannabis têm maior frequência sexual do que os não usuários, bem como uma pontuação mais alta no questionário de saúde sexual.

Segundo os autores, pesquisas futuras poderiam aprofundar as percepções dos consumidores de cannabis e álcool sobre sua sexualidade para obter uma melhor compreensão do assunto, bem como os tipos de relacionamentos (longo prazo, esporádicos, instáveis ​​etc.) que os usuários frequentes de drogas têm e “se há é uma associação entre seu uso e o tipo de relacionamento que eles têm”.

Por fim, a conclusão do estudo é de que a função sexual é melhorada em jovens que são consumidores de cannabis de alto risco com risco moderado de uso de álcool, resultando em aumento do desejo, excitação e orgasmo. “Essa melhora geralmente está associada à redução da ansiedade e da vergonha, o que facilita as relações sexuais”.

No entanto, os pesquisadores também alertam para o fato de que, de acordo com a literatura, o aumento da função sexual relacionado ao uso de cannabis e álcool é geralmente acompanhado por comportamentos sexuais inseguros, uma vez que o uso de drogas em ambientes de diversão noturna é altamente normalizado e feito em grandes quantidades.

“É necessária mais informação e formação sobre os riscos sexuais envolvidos com o uso de substâncias como a cannabis e o álcool, sobretudo para os jovens, que são a população mais vulnerável a comportamentos sexuais de risco e problemas de saúde associados ao consumo de drogas”, adverte a equipe de pesquisa.

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#PraTodosVerem: fotografia mostra a mão de uma pessoa, com unhas de cor rosa-claro e compridas, que segura um baseado aceso, e suas pernas, sobrepostas, que aparecem ao fundo, em pior foco. Imagem: Unsplash / Rodnae Productions.

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