Jorge Seif: Cinquenta quilos de haxixe são apreendidos em empresa da família do senador

Foto do senador Jorge Seif. Imagem: Agência Senado.

Senador bolsonarista é um dos signatários da proposta de emenda à Constituição que criminaliza o porte de qualquer quantidade de droga ilícita

A Polícia Militar de Santa Catarina apreendeu, na sexta-feira (3), cinquenta quilos de haxixe (o popular concentrado de maconha) dentro de um galpão da JS Manipulação de Pescados, uma empresa de propriedade da família do senador bolsonarista Jorge Seif Júnior (PL-SC), localizada em Itajaí. Ferrenho defensor da política proibicionsita, o parlamentar extremo-direitista é uma das vozes mais estridentes na defesa da criminalização do usuário de drogas.

Seif é filho do único sócio da empresa onde o serviço de inteligência do 12° Batalhão da Polícia Militar encontrou o haxixe. Segundo o portal 4oito, os policiais suspeitaram de um homem a bordo de uma motoneta que entrou no local e saiu transportando uma sacola de papel. Os meganhas abordaram o rapaz e encontraram dez porções do concentrado canábico, que pesavam quase 2 quilos.

Questionado se haveria mais drogas na empresa de Jorge Seif, o motoqueiro confirmou, mas não soube informar a quantidade, pois haviam mandado ele pegar o haxixe e entregar para uma pessoa em frente a uma concessionária localizada no mesmo bairro da peixaria.

Os policiais foram até o local e encontraram duas caixas de isopor contendo aproximadamente 48 quilos de hash. A polícia prendeu o funcionário do negócio de haxixe e o encaminhou para a Central de Plantão da Polícia Civil. Já o dono da empresa de manipulação de peixes segue ileso.

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Jorge Seif nega qualquer envolvimento com o armazenamento do haxixe. Em nota enviada à imprensa, a assessoria da JS Pescados afirma que a empresa está localizada em um complexo empresarial onde ocupa apenas uma das várias salas, que são locadas a terceiros, e que a droga foi encontrada em outra sala. (Vale ressaltar que a empresa de Seif atua secundariamente na atividade de aluguel de imóveis próprios.)

Multada em ação do Ibama que resultou na maior apreensão de barbatanas de tubarão no mundo, por irregularidades cometidas na época em que Jorge Seif Júnior era secretário nacional da pesca, a empresa afirma que “segue comprometida com a legalidade de suas operações”.

Além do haxixe e da pesca ilegal de tubarões, a JS Pescados também está envolvida com o tráfico de maconha. Em uma operação da Polícia Rodoviária Federal, realizada em março do ano passado, um caminhão da empresa foi apreendido próximo à região de Naviraí (MS) com uma carga de 323 kg de tabletes de cannabis. A apreensão resultou na prisão do motorista por tráfico de drogas, enquanto aos “peixes” grandes apenas a impunidade e o privilégio de classe.

Em pronunciamento no plenário do Senado, em maio do ano passado, Seif se manifestou contra a possível descriminalização do porte de maconha para uso pessoal, mencionando a retomada de julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) que analisa a constitucionalidade da criminalização do usuário de drogas. O senador se disse “extremamente preocupado com o destino dos jovens”, que poderão ser utilizados por traficantes para aumentar o lucro com o tráfico.

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Além da fake news de que o STF está legislando sobre o tema das drogas, Seif também lançou mão de mentiras para embasar sua defesa do proibicionismo. Em uma sessão temática realizada pelo Senado em agosto do ano passado, o parlamentar afirmou que os locais que descriminalizaram as drogas não tiveram redução da criminalidade, da violência ou do consumo, e que a maconha é a porta de entrada para outras substâncias, indo contra estudos e fatos que provam o contrário.

Seif repetiu o discurso falacioso durante audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado que debateu a proposta de emenda constitucional que criminaliza o porte de qualquer quantidade de droga ilícita. Na ocasião, o bolsonarista ainda afirmou que a descriminalização da maconha fortalece o crime organizado, e criticou o atual governo por revogar as normas que facilitavam o acesso a armas de fogo e munições.

Durante a sessão na CCJ que aprovou a PEC das Drogas, Seif disse que não existe “ninguém preso por consumir drogas no Brasil” e que não há o superencarceramento da população negra em decorrência da lei de drogas, negando novamente o que estudos e a realidade já comprovaram.

Queridinho de Bolsonaro, o senador é alvo de um processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) onde é acusado de abuso de poder econômico. A coligação autora da ação, formada pelos partidos PSD, Patriota e União, acusa Seif de ter sido beneficiado pelo apoio dos empresários Luciano Hang, da rede de lojas Havan, e Almir Manoel Atanázio dos Santos, presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de São João Batista, durante as eleições de 2022.

O recurso pode resultar na cassação do mandato de Seif, que ainda pode ficar inelegível por oito anos.

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Imagem de capa: Agência Senado.

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