Jamaica exporta produtos de THC para os Estados Unidos pela primeira vez

Gota de óleo acima de um frasco e folhas de maconha ao redor. Fotografia: Freepik | ganzevayna1.

Empresa pioneira no setor jamaicano de cannabis espera que a maconha seja reclassificada sob a lei federal dos EUA e enviou um primeiro lote para testes analíticos, se antecipando à abertura do mercado estadunidense para importação de medicamentos à base da planta

Uma empresa multinacional de cannabis com operações na Jamaica, a Pure Jamaican anunciou recentemente que exportou produtos contendo THC derivado da maconha para os Estados Unidos, onde serão testados pela Drug Enforcement Administration (agência antidrogas estadunidense).

A Pure Jamaican e sua fabricante farmacêutica com certificação GMP, Seven-10 Pharmaceuticals, disseram em comunicado que a remessa marca a primeira exportação legal de THC da Jamaica para os EUA, e que suas exportações de produtos de maconha ao país e a outros grandes mercados, incluindo o Brasil, estão elevando o papel da ilha caribenha na cadeia global de fornecimento de cannabis.

As empresas enviaram oito tinturas diferentes e três produtos destilados diferentes com proporções variadas de THC e CBD para uma instalação licenciada pela DEA para testes analíticos, segundo o MJBizDaily. O envio foi possível após a Seven-10 Pharmaceuticals obter permissão do Ministério da Saúde e Bem-Estar da Jamaica e licenças de importação da agência estadunidense.

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Scott Cathcart, CEO da Pure Jamaican e da Seven-10, disse que o marco é um momento de orgulho para a Jamaica e o grupo de empresas.

“A Jamaica é associada há muito tempo à ‘ganja’, mas nunca antes neste contexto como produtora e exportadora legal de THC como medicamento de qualidade farmacêutica”, disse Cathcart no comunicado. “Como a única empresa na Jamaica licenciada para a fabricação farmacêutica de canabinoides, temos orgulho de liderar o caminho para elevar o papel da Jamaica no ecossistema global da cannabis.”

O governo da Jamaica alterou a lei de drogas do país em 2015 para descriminalizar o porte de cannabis, legalizar cultivo doméstico e criar uma indústria licenciada para a maconha medicinal e industrial. As regulamentações para exportação de cannabis foram aprovadas em 2022 abrindo o caminho para o país capitalizar ainda mais o mercado de exportações, que já existia de modo incipiente há quatro anos, através de autorizações provisórias.

A exportação para os EUA acontece em um momento em que a DEA está considerando relaxar as restrições federais à maconha. Em setembro do ano passado, o Departamento de Saúde do país enviou uma carta à DEA recomendando que cannabis seja transferida do Anexo I para o Anexo III da lei de substâncias controladas. Essa mudança significaria o reconhecimento, por parte do governo americano, de que a maconha possui uso médico e não é uma substância com alto potencial de abuso.

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De acordo com o comunicado divulgado pelas empresas, se a reclassificação for aprovada, a Seven-10 pretende solicitar licenças da DEA para enviar produtos farmacêuticos de THC puro jamaicano da Jamaica para pacientes nos EUA, “sujeito a prescrições médicas válidas e a todos os regulamentos relevantes da DEA, da FDA e de distribuição em farmácias”.

Enquanto isso, a Seven-10 já começou a enviar tinturas farmacêuticas com THC e outros canabinoides para pacientes no Brasil, de acordo com as licenças de importação da Anvisa. As empresas observaram que, juntos, o Brasil e os EUA representam um mercado consumidor de mais de 500 milhões de pessoas.

Shullette Cox, presidente da Jamaica Promotions Corporation (JAMPRO), uma empresa de promoção comercial e de investimentos que representa o governo da Jamaica, disse que “o crescimento da indústria da cannabis para fins medicinais tem sido uma prioridade do governo da Jamaica e, particularmente, a exportação de produtos de valor agregado da Jamaica. O sucesso da Pure Jamaican e da Seven-10 Pharmaceuticals é aplaudido à medida que a JAMPRO continua a facilitar a indústria local de cannabis medicinal e a garantir o seu papel na condução do crescimento das exportações”.

O ministro da Indústria, Investimento e Comércio da Jamaica, Dr. Norman Dunn, disse durante um evento sobre cannabis no ano passado que o governo jamaicano apoia a inclusão de pequenos produtores na indústria da maconha. Ele destacou que os agricultores de subsistência possuem menos barreiras para ingressar no mercado com um quadro regulatório mais flexível.

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Fotografia de capa: Freepik | ganzevayna1.

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