Invasão Makana: Black Parade

Capa do single Black Parade, de Beyoncé, que traz o título, centralizado, e o nome da artista, na base da imagem, escritos em branco, e um fundo preto.

“Agora, pense comigo: quantas pessoas pretas com nome africano você conhece?”, pergunta o produtor de conteúdo canábico Makana no terceiro texto de uma série sobre racismo, que já trouxe a problemática para o contexto da infância e abordou a importância da intolerância aos racistas

Quando pensamos em atos racistas na maioria das vezes olhamos para os atos de violência física e verbal. Porém, esses atos são somente a ponta do iceberg. Para chegarem à conclusão de que a vida de pessoas pretas vale menos foi criada toda uma desconstrução da nossa história. Para “diminuir” nosso valor a sociedade racista tenta apagar nosso passado.

Por exemplo: você certamente conhece alguém (ou talvez você seja essa pessoa) que tem muito orgulho da sua origem europeia, que vive falando “meu sobrenome é de tal país, meu avô veio de lá”. Normalmente é o único sobrenome que essa pessoa usa, ela nunca usa o sobrenome brasileiro porque faz questão que todos conheçam sua origem.

Agora, pense comigo: Quantas pessoas pretas com sobrenome africano você conhece?

Acredito que pouquíssimas ou nenhuma.

O motivo é simples: Quando os ex-escravos tiveram direito a tirar sua documentação eles foram obrigados a aportuguesar seus sobrenomes.

Por conta disso, mesmo que o Brasil tenha sido o país que mais traficou escravos e isso se reflita até hoje quando vemos que a maioria da sociedade se declara preta, não vemos os nomes das famílias africanas. Esses nomes foram apagados. Removidos da história. Com isso levam nossa cultura, fazem com que não saibam de onde viemos.

Tenta imaginar sua vida sem seu sobrenome que tanto ama. Sem esse “orgulho” da sua história familiar pois não tem nem condições de saber precisamente de onde veio.

Apagar a história preta é uma violência que desencadeia muitas outras.

Então como lutar contra isso?

Precisamos lembrar que a história das sociedades pretas não começou com a escravidão. Na verdade, o ser humano (Homo sapiens) iniciou sua jornada na África. Pessoas pretas criaram os primeiros impérios do mundo. Pessoas pretas foram os primeiros reis e rainhas do planeta. É fundamental que a gente se lembre disso.

A civilização egípcia já marcava o mundo com sua tecnologia e arquitetura. Por mais que os filmes de Hollywood representassem erroneamente os egípcios com atores e atrizes brancos (fenômeno conhecido como “whitewashing”) nós sabemos que no Egito as pessoas eram pretas. Um país no meio da África não tem como ser composto por pessoas brancas. O sol não permite.

Ou seja, desde sempre construímos obras relevantes para o mundo. Desde sempre acrescentamos coisas maravilhosas ao mundo.

Arte que traz uma madona personalizada com a cabeça da musa Beyoncé e uma tarja vermelha sobre os olhos com as palavras “Black Parade” e uma pirâmide no lugar da cabeça do menino, e um fundo em estilo siemens star em cores bege e marrom. Arte: @mvelhoart.

#PraCegoVer: arte que traz uma madona personalizada com a cabeça da musa Beyoncé e uma tarja vermelha sobre os olhos com as palavras “Black Parade” e uma pirâmide no lugar da cabeça do menino, e um fundo em estilo siemens star em cores bege e marrom. Arte: mvelhoart.

Quem recentemente levantou a bandeira da história do povo preto (de maneira brilhante, como sempre) foi a diva Beyoncé. Na música Black Parade (lançada dia 19 de junho, data em que se comemora o fim da escravidão norte-americana) a Queen Bey conclui junto com a gente:

I can’t forget my history” (Eu não posso esquecer da minha história).

A musa nos convida a participar da sua “Parada Preta”. A letra desfila referências da cultura africana, citando desde o símbolo de Ankh que representava “vida” no Egito, até Mansa Musa, antigo Rei Mali, que é considerado uns dos homens mais ricos da história.

Mergulhar nesse som e na força ancestral que ele traz é revigorante. Nos dá o orgulho que nos foi tirado lá atrás. Resgata a cultura que tentam apagar até hoje.

Sendo assim, escute esse hino. Procure a letra. Entenda. Se envolva.

 

Conhecer a história preta é o primeiro passo para valorizar a nossa caminhada. É nos conhecer melhor. Nos conhecendo melhor nossos laços se fortalecem. É por isso que eu digo sempre:

Vamos juntos!

Apagar o passado é tirar de nós de onde viemos. Saber de onde viemos é importante na hora de entender para onde queremos ir.

Essas correntes atrasam nossa caminhada e se estamos juntos também atrasam a sua.

É como eu sempre digo:

O futuro só não tolera o atraso.

Follow my Parade. Black Parade.

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#PraCegoVer: a imagem em destaque é a capa do single Black Parade, de Beyoncé, que traz o título, centralizado, e o nome da artista, na base da imagem, escritos em branco, e um fundo preto.

Sobre Makana

Produtor de conteúdo preto, maconheiro e antiproibicionista.
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