Departamento de Agricultura dos EUA divulga relatório sobre benefícios econômicos e ambientais do cânhamo

Fotografia mostra uma plantação de cânhamo, com plantas em estágio vegetativo de crescimento, dividindo a imagem com um céu azul. Foto: Pixabay | NickyPe. cultivo

Um relatório divulgado recentemente pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) analisa como os benefícios ambientais e versatilidade do cânhamo impulsionaram sua produção na União Europeia

O relatório discute como o cânhamo tem sido usado para diversos fins na Europa desde a queda do império romano e o reconhecimento pelas autoridades europeias de que o cultivo de cânhamo contribui para sua meta de clima neutro.

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“O cânhamo tem sido uma fonte de alimento tradicional na Europa por milhares de anos. Todas as partes da planta foram consumidas em países europeus desde a Idade Média: sementes de cânhamo, folhas, flores e extratos”, diz o documento. “O cânhamo também tem sido usado em medicamentos antigos e como fonte de fibra para fabricação de cordas ou têxteis.”

No entanto, com a proibição da cannabis e o desenvolvimento de novas fibras sintéticas no século 20, a Europa viu “alternativas à base de fósseis” substituindo o cânhamo em aplicações industriais.

De acordo com o relatório, a UE está atualmente avaliando oportunidades para expandir o uso do cânhamo, diante da necessidade de reduzir o uso de combustíveis fósseis e produtos intensivos em carbono. “A esse respeito, a Comissão Europeia vê o cultivo de cânhamo na União como um contribuinte para os objetivos do Pacto Verde Europeu”, diz o USDA.

A meta geral do Pacto Verde da UE, apresentado em dezembro de 2019, é que o continente se torne o primeiro neutro em termos climáticos até 2050.

“O cultivo de cânhamo oferece uma série de benefícios ambientais, incluindo armazenamento de carbono, prevenção de erosão, aumento da biodiversidade, baixa ou nenhuma necessidade de pesticidas e quebra de ciclos de doenças na rotação de culturas”, diz o relatório.

A Comissão Europeia aponta para a alta taxa de sequestro de carbono do cânhamo, dizendo que um hectare da planta pode sequestrar de 9 a 15 toneladas de CO2. “Isso é igual à quantidade de carbono que uma floresta jovem pode sequestrar, mas leva apenas cinco meses para ser cultivada”, segundo o relatório do USDA.

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“As folhas densas da planta de cânhamo criam uma cobertura natural do solo, que pode reduzir a perda de água e proteger contra a erosão do solo. Em termos de benefícios para a biodiversidade, o ciclo de floração da planta de cânhamo cria grandes quantidades de pólen, o que apoia a polinização de outras culturas”, diz o documento, observando que o uso de pesticidas pode ser reduzido devido à baixa suscetibilidade a pragas do cânhamo.

A produção de cânhamo está crescendo na UE. De acordo com a Comissão Europeia, 34.960 hectares de terra foram dedicados ao cultivo de cânhamo na região em 2019, o que representa um aumento de 75% em relação aos 19.970 hectares cultivados em 2015.

Segundo dados da Associação Europeia de Cânhamo Industrial, a França lidera os estados-membros da UE com a maior área agrícola dedicada ao cultivo de cânhamo em quase 18.000 hectares, seguida da Itália, Países Baixos e Estônia.

O documento também menciona a nova Política Agrícola Comum (PAC) da UE, que entrará em vigor no início de 2023 e reconhece a possibilidade de os agricultores receberem apoio financeiro para certas variedades de cânhamo, desde que tenham um nível máximo de teor de tetraidrocanabinol (THC) abaixo de 0,3 por cento.

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Esse limite do nível de THC só se aplica se os agricultores quiserem receber o apoio sob a política agrícola, sendo possível plantar cânhamo com teores maiores do canabinoide se for autorizado pelos regulamentos nacionais, segundo o relatório.

O USDA observa ainda que regras mais restritivas também podem ser adotadas pelos estados-membros da UE.

“Os produtores dos EUA que desejam exportar para a UE devem cumprir as mesmas regras e requisitos da UE em relação à produção de sementes, certificação, rotulagem e embalagem das sementes colhidas na UE”, diz o departamento.

Em janeiro de 2019, a Comissão Europeia passou a classificar extratos de cannabis e produtos derivados contendo canabinoides como “alimentos novos”. Esta classificação aplica-se tanto aos próprios extratos como a quaisquer produtos aos quais sejam adicionados como ingrediente.

A classificação de um alimento como “novo” desencadeia a aplicação do Regulamento de Alimentos Novos. O regulamento exige uma autorização de pré-comercialização para novos alimentos. Os pedidos de autorização devem ser apresentados à Comissão Europeia, que pode solicitar à Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) que efetue uma avaliação dos riscos. O processo de aprovação de novos alimentos geralmente leva entre nove meses e um ano.

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“O mercado europeu de cânhamo está estimado para crescer ao longo da próxima década”, continua o relatório, observando que há interesse das empresas europeias em usar matérias-primas menos intensivas em carbono para contribuir com o pacto ecológico e que os consumidores europeus também estão “cada vez mais interessados em incluir ‘superalimentos’, como sementes de cânhamo, em suas dietas”.

Em 2021, a UE importou US$ 13,5 milhões em sementes de cânhamo para o mercado interno, com China, Canadá e Reino Unido como os três principais exportadores. “O cânhamo em alimentos para animais de estimação também é um mercado em crescimento, pois a posse de pets na União Europeia está aumentando”, destaca o documento.

Com relação ao uso do cânhamo na construção, o USDA afirma que pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa do setor. “Na UE, o setor da construção é responsável por 40% do consumo de energia.”

“Existem três principais produtos à base de cânhamo usados na construção: concreto de cânhamo e cal, lã de cânhamo e isolamento de placas de fibra. O concreto de cânhamo pode sequestrar carbono, pois a quantidade de carbono armazenada no material é maior do que as emissões geradas durante sua produção e continua armazenando carbono durante a vida útil do edifício”, explica o relatório.

Por fim, os reguladores concluem que a versatilidade e o potencial de uso do cânhamo estão levando a um aumento na demanda do mercado pela planta, e que o cultivo de cânhamo deve continuar crescendo e pode ajudar a União Europeia a atingir os seus objetivos ambientais.

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