Haxixe paquistanês: o que é e como é feito?

O haxixe paquistanês, ou paqui, também é uma variedade bem comum dessa iguaria. Mas o que ela é e como é feita? Aqui, as Girls in Green contam tudinho!

Que o haxixe é uma substância cheia de tipos, qualidades, cores, texturas e métodos de fabricação, a gente já tá cansada de saber. Mas não existe nada que a gente adore mais do que estudar sobre esse concentrado de resina canábica, usado tanto de maneira terapêutica quanto medicinal ao redor do mundo há centenas de anos. E o haxixe paquistanês merece ser apresentado formalmente, já que é um dos mais buscados por aí!

Como conta Robert C. Clarke no livro “Hashish!”, a Ásia Central foi uma das primeiras regiões onde se usou maconha e se produziu haxixe.

Desde os antigos citas até os dias atuais, as culturas de lá têm utilizado a planta por suas propriedades psicoativas. Durante o século XIX, Turquestão era a principal fonte de haxixe peneirado importado para a Índia e outras regiões do sul da Ásia. Mas, a partir do início dos anos 1970, Afeganistão e Paquistão se tornaram grandes fornecedores de haxixe para os mercados ocidentais.

Bora com a gente saber mais sobre essa temática tão importante para a história do haxixe que conhecemos hoje? Vem com a gente mergulhar nesse universo.

O que é o haxixe paquistanês?

haxixe paquistanês

O haxixe paquistanês normalmente contém o selo do produtor. Imagens: Kana Post e Pot Cargo.

Como o próprio nome indica, o haxixe paquistanês é um concentrado de cabeças de tricoma produzido no Paquistão. Parece bem óbvio, né? Mas ele possui algumas características únicas, que o diferencia dos demais — como o marroquino, que já falamos por aqui.

Clarke explica que, durante os anos 1970, o haxixe paquistanês era classificado em:

  • chitrali, um haxixe que vinha da região do vale do rio Kunar, ao norte, ao redor de Chitral;
  • fronteira, que vinha da região central próxima ao Afeganistão;
  • paquistanês, que vinha de Sind e outras regiões do sul do Paquistão.

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Reza a lenda que o primeiro haxixe paquistanês produzido manualmente, visto em 1972, era moldado em placas que se encaixavam nas solas das sandálias para passar pela alfândega. As placas eram brilhantes e de cor marrom-escuro por fora, mas permaneciam macias e mais claras por dentro. Quando fresco, esse haxixe era picante, tinha aroma terroso e era muito forte. Por outro lado, tendia a secar rapidamente e perder seu sabor.

Diz-se também que esse haxixe não tem nada a ver com o que é comercializado hoje, vindo do Paquistão. Isso por que, devido à grande demanda por resina, a qualidade teve que ser sacrificada em favor da quantidade. Isso é algo bem comum — infelizmente!

Durante os anos 1980, o Paquistão se tornou o principal ponto de trânsito para o haxixe afegão e também se tornou um dos maiores produtores de haxixe exportável de qualidade comercial.

Um pouquinho de história

haxixe paquistanês

O haxixe era normalmente inalado como incenso. Imagem: Hindustan Times.

Como já mencionamos, a história da maconha na Ásia Central é antiga demais, e remonta à época dos Citas (descritos por Heródoto pela primeira vez aproximadamente no século V AEC). Assim, existem muitas referências antigas à inalação de sua fumaça. Sempre, ela era queimada em um recipiente aberto ou incensário, em vez de ser fumada em um cachimbo ou enrolada em um cigarro.

No Vale de Chitral, no norte do Paquistão, nômades colocavam pedaços de haxixe sobre carvões perto da borda de um braseiro e inalavam os vapores e a fumaça por meio de um canudo ou um rolo de papel. A intenção era tanto obter benefícios místicos pela inalação dos fumos quanto apreciar os aromas da cannabis ou do haxixe queimados.

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Mas a realidade é que, lá pelos anos 1960, a maior parte do haxixe distribuído para o resto da região tinha origem no Afeganistão. Foi apenas a partir da década de 1980, com a Guerra Soviético-Afegã, que o vizinho Paquistão teve que passar a tomar conta desse negócio — e começar a produção de uma resina própria em maior escala.

Hoje, a maconha não só é proibida como é considerada haram, um pecado na visão do islamismo. Mas isso não impede que os habitantes sigam esse uso ancestral. Segundo um relatório da ONU de 2023, aproximadamente 4 milhões de paquistaneses admitem o uso da planta e do haxixe. Mas a verdade é que o número é mais alto que isso, já que tantos preferem esconder o hábito por medo de represálias. Complicado, né?

Como é feito o haxixe paquistanês?

Plantas normalmente usadas para fazer o haxixe paquistanês. Imagem: Washington Post.

Segundo Drake (1974), a fabricação tradicional de haxixe peneirado (dry sift) segue um processo meticuloso em grande parte do Paquistão. A produção ocorre em uma pequena sala com paredes, teto e piso cobertos por linho fino. A resina é extraída conforme trabalhadores batem as plantas secas com varas verdes flexíveis. Esse processo gera um pó fininho que preenche a sala, e é filtrado pelo linho.

Depois da segunda batida, tudo é recolhido da sala e preparado para uma operação de peneiração. Isso envolve a passagem de todos os tricomas obtidos por uma série de peneiras progressivamente mais finas até que o fabricante tenha a qualidade de pó desejada. Em alguns locais, o processo é repetido uma terceira vez para produzir um pó de qualidade inferior. Em outras fábricas, o que resta após a segunda batida é dado aos funcionários como bônus.

O dry sift de primeira qualidade geralmente é prensado adicionalmente para criar pequenos bolos de haxixe. Eles colocam o pó em sacos de linho resistentes e aquecem com vapor até que fique macio. Em seguida, ele é moldado em bolinhos com uma prensa, que também imprime o selo do fabricante.

Além disso, ainda existem alguns fabricantes que fazem o charas, esfregando as mãos em plantas vivas e retirando a resina resultante. Mas esse processo é mais artesanal e demorado. Isso significa que pouquíssimo do haxixe mais comercial paquistanês que encontramos por aí pode ser feito dessa forma.

E aí, gostou dessas informações? Esperamos que sim!

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