Fundador da primeira igreja rastafári do Brasil, Ras Geraldinho morre aos 63 anos

Ras Geraldinho

Ras Geraldinho passou quase sete anos preso por fazer uso religioso da maconha

Geraldo Antônio Baptista, o Ras Geraldinho, ativista social, ambientalista e fundador da Primeira Igreja Niubingui Etíope Coptic de Sião do Brasil (Igreja Rastafári), morreu na noite desse sábado (26) aos 63 anos de idade. Segundo O Liberal, a causa do falecimento foi insuficiência renal, após uma tentativa de procedimento de hemodiálise.

Ras Geraldinho, que era natural de Americana e morava em Santa Bárbara d’Oeste, no interior do estado de São Paulo, fundou a Primeira Igreja Niubingui em 2008 em sua cidade natal e desde então foi alvo de perseguição e intolerância religiosa do Estado por usar a maconha como sacramento — isso apesar da Lei de Drogas permitir o uso da planta para uso religioso.

Em agosto de 2012, a Guarda Municipal de Americana prendeu Ras Geraldinho, após realizar uma busca em sua igreja e encontrar um cultivo de cannabis para fins religiosos. Em maio de 2013, a Justiça condenou o líder rastafári a mais de 14 anos de prisão pelo crime de tráfico de drogas.

Em janeiro de 2014, a prisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Em junho de 2017, o Superior Tribunal de Justiça negou o pedido de liberdade feito pela defesa de Geraldinho e manteve a condenação, reduzindo a pena para 10 anos e três meses.

Em fevereiro de 2018, o ativista foi novamente condenado pela Justiça de Americana a 12 anos e 3 meses de prisão por tráfico de drogas e associação para o tráfico. A decisão foi baseada em acusações referentes a três operações policiais na chácara onde funcionava a sede da igreja, realizadas entre junho de 2010 e dezembro de 2011, onde também foram encontradas plantas de cannabis para uso religioso.

Desde abril de 2019, Ras Geraldinho cumpria sua pena em regime aberto. Ele ficou quase sete anos preso injustamente em razão de uma lei de drogas retrógrada e punitivista e a total falta de respeito do sistema judiciário pela liberdade religiosa.

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#PraTodosVerem: fotografia mostra Ras Geraldinho, durante a Marcha da Maconha São Paulo, segurando uma bíblia com a folha da maconha em sua capa.

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