Extrato de maconha pode matar células de câncer de pele, revela novo estudo

Fotografia mostra um ramo de folhas de cannabis deitado, bem próximo da câmera, e um frasco âmbar, um conta-gotas branco e outros ramos, que aparecem no segundo plano. Imagem: Vecteezy / papan saenkutrueang.

Um extrato específico de cannabis retardou o crescimento do melanoma e estimulou a sua autodestruição

A cannabis demonstrou eficácia em impedir o crescimento celular e matar as células do melanoma, o tipo mais perigoso de câncer de pele, em um novo estudo in vitro. O achado pode abrir novos caminhos para medicamentos para a doença, que atualmente é de difícil tratamento.

Pesquisadores da Universidade Charles Darwin (CDU) e da Universidade RMIT, ambas localizadas na Austrália, investigaram a apoptose (morte celular) em células de melanoma causada por um extrato específico de maconha: o PHEC-66, produzido pela empresa MGC Pharmaceuticals.

Um estudo anterior financiado pela MGC descobriu que o extrato impediu a proliferação de linhas celulares de melanoma em ensaios in vitro, exercendo um efeito citotóxico nas células cancerígenas. Os resultados indicaram o potencial do PHEC-66 como agente terapêutico para o tratamento da doença.

O novo estudo agora confirmou os resultados. As descobertas, publicadas na Cells, sugerem que o extrato de cannabis interrompe o crescimento das células do melanoma, desencadeando sua morte celular.

“O dano à célula do melanoma impede que ela se divida em novas células e, em vez disso, inicia uma morte celular programada, também conhecida como apoptose”, afirmou Nazim Nassar, professor farmacêutico na CDU e coautor do estudo, em um comunicado.

 

 

 

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Isso é consistente com um outro estudo australiano, publicado em 2020, que descobriu que uma variedade de cannabis rica em CBD induziu a morte de células de leucemia em testes de laboratório. Na época, os pesquisadores ainda realizaram uma revisão da literatura científica onde encontraram mais de 150 artigos que investigaram as propriedades anticâncer da maconha.

“Esta é uma área crescente de pesquisa importante porque precisamos compreender tanto quanto possível os extratos de cannabis, especialmente o seu potencial para funcionar como agentes anticancerígenos”, observou Nassar.

Os achados do novo estudo revelam que o PHEC-66 induz a fragmentação do DNA interrompendo a divisão e a proliferação das células do melanoma e “elevando substancialmente” os níveis intracelulares de espécies reativas de oxigênio (ERO).

As EROs constituem um grupo de moléculas altamente reativas que, em níveis elevados, podem contribuir para diversas condições patológicas, entre as quais a progressão tumoral. No entanto, elas também são capazes de desencadear a morte celular programada de células cancerígenas.

Os pesquisadores descobriram que o extrato PHEC-66 pode induzir o acúmulo de EROs dentro de células específicas de melanoma, através da ativação de receptores canabinoides, consequentemente aumentando a probabilidade de apoptose — ou seja, a morte das células cancerígenas.

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Embora os resultados sejam promissores, mais estudos são necessários para avaliar se os resultados serão replicados em humanos e uma melhor compreensão do potencial da cannabis no tratamento do melanoma em estágio avançado.

Nitin Mantri, biotecnologista da RMIT e autor principal estudo, enfatiza a necessidade de um acompanhamento de longo prazo para garantir a eficácia e segurança sustentadas do PHEC-66.

“A fase subsequente envolve estudos em animais ou ensaios pré-clínicos para validar e explorar ainda mais a eficácia do canabinoide PHEC-66 no tratamento do melanoma e de outros cânceres”, disse Mantri em comunicado.

Enquanto a pesquisa de alta qualidade sobre o potencial de combate ao câncer da maconha ainda é escassa, com apenas estudos in vitro relatando a atividade antitumoral da cannabis, um corpo crescente de evidências demonstram a eficácia da planta no controle dos sintomas e efeitos colaterais associados à doença e seu tratamento.

Um estudo publicado recentemente no Journal of Cancer Survivorship, por exemplo, revelou que quase metade dos sobreviventes de câncer nos EUA usou maconha para controlar os sintomas, com a maioria relatando elevado grau de melhoria sintomática após o uso da planta.

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Imagem de capa: Vecteezy / papan saenkutrueang.

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