Enxugando gelo: Brasil e Paraguai renovam aliança para erradicação de plantações de maconha

Plantação de maconha.

Governo brasileiro desperdiça recursos públicos há mais de dez anos em uma operação de combate ao tráfico de cannabis que não fez diminuir o comércio ou uso da planta

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, participou nesta sexta-feira (27) do lançamento da 40ª fase da operação Nova Aliança, em Assunção. A iniciativa busca erradicar plantações de maconha na fronteira entre Brasil e Paraguai.

A ação é realizada a partir de esforços conjuntos das forças de segurança dos dois países, com a participação da Polícia Federal brasileira e da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai. O grupo, que se intitula a maior operação policial de erradicação de cannabis do mundo, atua desde 2010.

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O encontro também serviu para a assinatura de um acordo com o país vizinho que prevê a atuação conjunta entre os dois países no enfrentamento ao tráfico de drogas, ao contrabando de armas, à lavagem de dinheiro e à corrupção.

“Esse compromisso não é apenas a reiteração de princípios, é um compromisso que tem dimensão prática. Tem agenda, temas, metas e datas para concretizar esse desafio em áreas que nos desafiam reciprocamente. As fronteiras não são fatores de afastamento, elas nos unem. Precisamos atuar unidos para combater um bloco formado pelas organizações criminosas”, declarou o ministro.

 

 

 

Vergonhosamente, o governo está despendendo recursos públicos para erradicar uma planta que atualmente tem gerado bilhões de dólares em impostos e contribuindo positivamente para a sociedade no país onde foi declarada a guerra às drogas.

O Departamento do Censo dos Estados Unidos (US Census Bureau) divulgou um relatório recentemente sobre os impostos oriundos do comércio de maconha no país. No período de 18 meses, entre julho de 2021 e o final de 2022, segundo o documento, os estados americanos arrecadaram mais de US$ 5,7 bilhões (R$ 28,6 bilhões) com vendas licenciadas de cannabis.

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Enquanto no Brasil, o dinheiro público é desperdiçado em ações contra o comércio de cannabis sob os interesses escusos do governo e a população segue sofrendo com a falta de serviços públicos como o saneamento básico, nos EUA as receitas fiscais da indústria da maconha estão beneficiando a sociedade ao financiar a educação, a saúde, programas de prevenção à violência e entre outros benefícios.

A última fase da Nova Aliança, encerrada no início de agosto, marcou a realização de 22 operações de erradicação de cannabis, totalizando a destruição de 5.659 hectares de plantações de maconha, o que representa cerca de 17 mil toneladas da planta, segundo dados da polícia federal.

Por falta de capacidade cognitiva ou segundas intenções, as autoridades brasileiras e paraguaias vêm fazendo um trabalho de enxugar ano após ano, uma vez que o comércio e uso de cannabis não reduziram em nenhum dos países.

Desde meados dos anos 90, a quantidade de maconha e cocaína apreendida pela Polícia Federal brasileira aumentou quase 6.000%, contudo a própria corporação reconhece que isso não foi suficiente para reduzir o consumo nem enfraquecer as organizações criminosas.

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Imagem de capa: Polícia Federal.

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