Deputado distrital diz que os traficantes estão no Congresso e é ameaçado de processo

Foto do deputado distrital Gabriel Magno (PT). Imagem: reprodução | X.

Para Gabriel Magno (PT), PEC das drogas é promovida por legisladores hipócritas

O deputado distrital Gabriel Magno (PT) foi ameaçado de processo pelo segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), após dizer que os “traficantes” estão no Congresso Nacional. A afirmação do petista ocorreu durante a Marcha da Maconha do Distrito Federal, que ocorreu no último domingo (26).

Segundo o Metrópoles, durante discurso no ato em Brasília, Magno se posicionou contra a Proposta de Emenda à Constituição nº 45/2023, que criminaliza a posse e o porte de qualquer quantidade de substância ilícita. A PEC das Drogas, como ficou conhecida, está tramitando na Câmara, após ser aprovada no mês passado pelo Senado.

“Hoje nós temos na Câmara Legislativa a Bancada da Maconha. Legalizar significa desencarcerar a juventude negra, que é alvo da política de drogas no Brasil, que não é política de drogas, é política de criminalização”, declarou Magno. “Por isso que a Marcha, hoje, é importante para dizer também para o Congresso Nacional: não à PEC nº 45. Porque a PEC 45 é ilegal. Por que quer colocar no artigo 5º da Constituição, o artigo dos direitos e das garantias, a retirada de um direito fundamental e quer criminalizar o usuário. (…) Aqueles, inclusive, que são os hipócritas que fazem uso, que são os traficantes desse país, que estão lá no Congresso Nacional, com helicóptero. Eles querem criminalizar, mas querem criminalizar o usuário.”

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Em vídeo publicado na terça-feira (28), Sóstenes disse que processará Magno por acusar parlamentares federais de serem traficantes. “Mas ele [Gabriel] não tem coragem de dar nomes aos bois. Então vamos processá-lo para que ele diga quem são esses deputados. Fazer acusações sem dizer nomes é calúnia, é difamação a todos nós parlamentares, e nós vamos processá-lo por isso”, ressaltou o bolsonarista.

Sóstenes também caluniou Magno, acusando-o de fazer apologia às drogas, e afirmou que a declaração só poderia ter partido de alguém filiado ao “partido das trevas”, em referência ao Partido dos Trabalhadores (PT). “Ele [o deputado distrital] faz apologia às drogas. Drogas são ilegais no Brasil”, afirmou o pelista.

Magno escreveu em suas redes sociais que “a PEC 45 tenta retroceder décadas de lutas” e busca “inserir na Constituição a criminalização dos usuários, ignorando completamente os avanços globais em políticas de drogas e saúde mental”.

“Essa medida não é apenas ilegal, mas vai contra tudo o que a história e o progresso estão nos mostrando. Não podemos permitir que a hipocrisia e os interesses duvidosos prevaleçam”, advertiu.

O deputado distrital Fábio Felix (PSOL) também criticou a PEC 45 em seu discurso na Marcha da Maconha. “A gente está aqui na marcha defendendo uma pauta que é fundamental nesse momento, porque essa pauta tem sido utilizada nesse país para criminalizar e encarcerar a juventude negra e pobre do Brasil. Agora, querem fazer e aprovar no Congresso Nacional uma PEC que eles chamam de PEC das drogas, mas na verdade é a PEC da criminalização dos usuários negros, essa é a verdade sobre essa PEC”, declarou.

Com o mote “Do sagrado ao proibido: a força da mulher preta e maconheira”, a Marcha da Maconha do Distrito Federal levou milhares de pessoas às ruas. A manifestação reivindicou a liberdade, o fim do genocídio das populações marginalizadas e uma nova política de drogas, que não criminalize os usuários.

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Imagem de capa: reprodução | X.

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