Consumidores de maconha usam cannabis com mais frequência em estados que legalizaram a planta

Fotografia mostra uma caixinha preta retangular com três baseados (cigarros de maconha) empanados em seu interior, sobre uma superfície de madeira que tem um mapa dos EUA de cor preta, e a parte de cima da bandeira do país, no canto inferior direito da imagem. Foto de RODNAE Productions no Pexels. veteranos

Segundo um novo estudo que observou os usuários de cannabis falarem mais abertamente sobre seus hábitos em estados americanos que legalizaram o uso adulto

Nos EUA, os consumidores de maconha que vivem em estados onde a planta foi totalmente legalizada relatam usar cannabis com mais frequência do que aqueles em estados onde permanece ilegal, de acordo com um novo estudo publicado na revista Addiction.

Para o estudo, pesquisadores da Universidade de Minnesota e da Universidade do Colorado analisaram dados de dois grandes estudos longitudinais envolvendo mais de 3.400 gêmeos adultos, que foram acompanhados desde a infância, em ambos os estados.

Leia também: Legalização da cannabis reduz intoxicação por canabinoides sintéticos, diz estudo

Os participantes foram questionados com que frequência usavam maconha antes e depois de 2014, quando o Colorado se tornou um dos primeiros estados a iniciar a venda legal de cannabis para uso adulto — a maconha de uso adulto continua ilegal em Minnesota. Antes de 2014, havia pouca diferença no uso entre os estados, segundo o estudo. Depois de 2014, os residentes de estados onde o uso adulto de cannabis foi legalizado usaram a planta com 24% mais frequência do que aqueles em estados ilegais.

Ao comparar especificamente gêmeos idênticos em que um agora vive em um estado onde a maconha é legal e o outro mora em um estado onde é ilegal, aqueles que vivem no estado com cannabis legal usaram a substância com 20% mais frequência, descobriram os pesquisadores.

Leia mais: Legalização da cannabis leva a um aumento positivo nas matrículas em faculdades

Todavia, os autores observam que é improvável que a legalização da maconha fizesse com que aqueles que se abstiveram da cannabis antes adquirissem o hábito.

“Nossas análises sugerem que, entre os indivíduos que usaram durante a vida, a legalização da cannabis pode aumentar a probabilidade de uso recente, mas é improvável que a legalização da cannabis cause iniciação em indivíduos que eram abstêmios ao longo da vida antes da legalização”, escreveram os pesquisadores no artigo. “Uma análise do subconjunto de usuários recentes indica que o uso ocorre em frequências médias semelhantes em ambientes legais e ilegais.”

Leia também: Legalização da maconha não está vinculada a qualquer aumento no uso por jovens

Os autores também apontam que uma possível explicação para a maior frequência de uso de maconha em estados legais seja uma maior abertura para relatar atividades que não são mais ilegais. “Não podemos determinar se esse é o caso, mas notamos que também vimos aumentos no uso relatado de cannabis por residentes de estados ilegais”, disseram os pesquisadores.

“Este é o primeiro estudo a confirmar que a associação entre a cannabis legal e o aumento do uso se mantém dentro das famílias em indivíduos geneticamente idênticos”, disse o coautor John Hewitt, professor do Departamento de Psicologia e Neurociência e membro do corpo docente do Instituto de Genética Comportamental da Universidade do Colorado em Boulder. “Isso torna muito mais provável que a legalização, por si só, resulte em aumento do uso.”

Leia mais: Consumo de álcool, tabaco e analgésicos caiu após a legalização da maconha

Dito isso, os resultados preliminares de um projeto de pesquisa mais amplo de Hewitt sugerem que o aumento do uso pode não ser necessariamente uma coisa ruim.

“Em outras análises, estamos descobrindo que esse aumento do uso não é acompanhado de aumento de problemas, pode estar associado a menos problemas relacionados ao álcool e, de outra forma, não parece ter consequências adversas”, disse Hewitt.

Os pesquisadores concluem o artigo dizendo que os resultados encontrados “não demonstram, por si só, como o uso mais frequente em estados legais se traduz em mudanças na saúde ou consequências comportamentais”, e que estudos futuros são necessários para abordar questões complexas em torno dos impactos na saúde pública da legalização da cannabis.

Leia também:

Legalizar a maconha pode beneficiar a saúde pública, dizem pesquisadoras

#PraTodosVerem: fotografia mostra uma caixinha preta retangular com três baseados empanados em seu interior, sobre uma superfície de madeira que tem um mapa dos EUA de cor preta, e a parte de cima da bandeira do país. Foto de RODNAE Productions no Pexels.

Deixe seu comentário
Assine a nossa newsletter e receba as melhores matérias diretamente no seu email!