Consumidores de maconha no Canadá melhoram percepção sobre o mercado legal

Fotografia mostra um vidro de base quadrada e boca redonda cheio de cannabis e três potes, um azul, um metálico e outro preto, que aparecem no segundo plano, fora do foco, em uma superfície branca e lisa. Photo by 2H Media on Unsplash.

Quando a legalização da maconha para uso adulto no Canadá chegou ao seu terceiro aniversário, os consumidores canadenses de cannabis tinham visões mais favoráveis dos produtos legais quando comparados aos produtos ilegais em relação à segurança de compra e consumo, conveniência e preço

Uma nova análise dos dados de entrevistados canadenses no International Cannabis Policy Study, uma pesquisa transversal repetida realizada em 2019–2021, mostra que os objetivos de saúde pública da legalização estão sendo alcançados no decorrer do tempo com mais consumidores preferindo a maconha do mercado legal.

“As percepções do consumidor de produtos legais de cannabis podem levar à disposição de comprar do mercado ilegal ou legal”, escreveram os pesquisadores, em um artigo publicado na semana passada na BMC Public Health.

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Os dados mostram que, exceto pela segurança da compra, os consumidores tiveram percepções mais favoráveis da maconha legal em 2021 do que em 2019 em todos os resultados. O estudo entrevistou 15.311 consumidores de cannabis nos últimos 12 meses em idade legal para comprar cannabis.

Apesar da percepção cada vez mais positiva, ao longo dos anos, apenas aproximadamente um quarto dos entrevistados relatou que a maconha legal era de qualidade superior ou não diferente da cannabis ilegal, enquanto um quinto relatou que a cannabis legal era de qualidade inferior.

Os consumidores diários ou quase diários eram mais propensos a ter percepções negativas do mercado legal em comparação com o mercado ilegal em relação ao preço, qualidade, conveniência e segurança, revelou a análise.

As percepções menos favoráveis para os consumidores frequentes, segundo os pesquisadores, podem ser em razão de as fontes ilegais permitirem a compra de cannabis em quantidades maiores do que as fontes legais (30g de flores secas ou o equivalente não flor), “o que pode resultar em preços mais baixos por meio de descontos por quantidade”.

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O que faz sentido, visto que quase metade dos entrevistados (47,2%) relatou que a maconha legal era mais cara do que a cannabis ilegal, enquanto um quinto relatou que não havia diferença, e apenas cerca de um em cada dez relatou que a cannabis legal era mais barata do que a oriunda do mercado ilícito.

Além da variação entre consumidores mais e menos frequentes, um recorte demográfico por localização revelou que as percepções foram diferentes entre as províncias.

Os entrevistados em Quebec, por exemplo, tinham mais chances de relatar que a maconha legal era de qualidade superior ou não diferente em comparação com todas as outras províncias, exceto Prince Edward Island.

Em Quebec, os consumidores também eram mais propensos a relatar que a cannabis legal era mais barata do que a cannabis ilegal em comparação com os entrevistados na Colúmbia Britânica, Saskatchewan, New Brunswick e Nova Escócia.

Os entrevistados em Alberta, Saskatchewan, Prince Edward Island e Terra Nova e Labrador tiveram maiores chances de relatar que a maconha legal era mais conveniente para comprar, em comparação com Quebec, Ontário e Colúmbia Britânica.

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“Três anos desde a legalização, os consumidores canadenses de cannabis geralmente tinham percepções cada vez mais favoráveis de produtos legais versus ilegais — exceto pelo preço — com variação entre as províncias e frequência de uso de cannabis. Para atingir os objetivos de legalização da saúde pública, os governos federal e provinciais devem garantir que os produtos legais de cannabis sejam preferidos aos ilegais, sem apelar para os não consumidores”, concluíram os autores.

Os pesquisadores pedem que estudos futuros examinem as mudanças de longo prazo nas percepções dos consumidores sobre a maconha legal no Canadá, bem como a combinação ideal de políticas para atender aos objetivos duplos da Lei da Cannabis em termos de deslocar o mercado ilegal sem promover um maior uso de cannabis entre os canadenses.

Um estudo separado, publicado em maio no Journal of Studies on Alcohol and Drugs, descobriu que as decisões dos consumidores sobre a compra de maconha legal ou ilegal são influenciadas principalmente pelo preço e conveniência.

Pesquisadores afiliados à Escola de Ciências da Saúde Pública da Universidade de Waterloo — dois deles envolvidos no estudo sobre as percepções canadenses — analisaram as respostas de mais de 11.000 consumidores de maconha nos EUA e Canadá e observaram que preços mais altos e inconveniência de fontes legais foram barreiras comuns para a compra de cannabis legal.

O governo federal do Canadá anunciou em setembro uma revisão da Lei da Cannabis (Cannabis Act) para verificar se a legislação, promulgada em outubro de 2018, está atendendo às necessidades e expectativas dos canadenses.

De acordo com a lei, a revisão deve se concentrar particularmente na saúde e hábitos de consumo de cannabis dos jovens, no impacto da maconha nas pessoas e comunidades indígenas e no impacto do cultivo da planta em um contexto habitacional.

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#PraTodosVerem: fotografia mostra um vidro de base quadrada e boca redonda cheio de buds curados e três potes, um azul, um metálico e outro preto, que aparecem no segundo plano, fora do foco, em uma superfície branca e lisa. Photo by 2H Media on Unsplash.

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