Como é produzido o prensado?

Pedaço de maconha prensada com mapa ao fundo. Arte: Bem bolado.

Como o prensado chega no Brasil? Como os buds se transformam em tabletes? Quais os malefícios desse processo para a nossa saúde? Essas e mais algumas dúvidas comuns, a Bem Bolado responde aqui, confira!

O prensado é a variedade de maconha mais comum no Brasil. Diferentemente dos “buds”, as famosas flores que vemos em filmes, séries e na internet, a aparência do prensado é completamente diferente da maconha “natural”. E você, já parou para se perguntar como isso acontece? 

As dúvidas despertaram tamanha curiosidade no jornalista Matias Maxx, da Agência Pública, que, em 2017, ele passou 15 dias entre cultivadores de maconha no Paraguai para fazer uma reportagem. É com base nesse trabalho incrível que hoje trazemos a história do nascimento do prensado para a coluna da Bem Bolado Brasil. 

Da colheita ao “charasguaio”

“Quadrada, marrom e fedorenta” é como o jornalista descreve a maconha prensada. Infelizmente, precisamos concordar que essa é uma definição verídica. Acontece que, assim como qualquer planta, existe uma maneira correta de cultivar, colher e estocar maconha. 

Como no tráfico de drogas não existem regulamentos para assegurar o controle de qualidade, não há nada que obrigue os produtores a seguirem todas as etapas da maneira correta. A maconha muitas vezes é colhida fora de época, como Matias observou. Além disso, o processo de secagem da planta é o mais rústico possível: elas são empilhadas em contato direto com o solo úmido e cobertas com uma lona de plástico — um prato cheio para a proliferação de fungos. 

Um instrumento improvisado com chapas de ferro perfuradas é utilizado para separar as folhas, como uma espécie de peneira, e depois os galhos e folhas menores são retirados manualmente. Quando os peões soltam as flores dos galhos com as mãos, a resina é acumulada. É assim que surge o famoso “preto” ou “charasguaio”. Segundo Matias, os funcionários experientes conseguem produzir de 5 a 20 gramas de haxixe por dia nesse processo. 

Do saco à prensa

Depois que as flores já foram devidamente separadas, elas são colocadas em sacos de 30 kg que são carregados até o “moco”, uma tenda armada de lona preta no meio do mato. Não precisamos comentar sobre a possível condição e estado de limpeza desses materiais todos, né?

A prensa é armada em um local distante da fazenda por questões de segurança. Parece loucura mas, dentro desse contexto, a maconha só ganha valor depois de prensada. As flores são abundantes e estão presentes por todos os lados nas fazendas — inclusive no chão, sem valor ou importância alguma. 

No chão, os sacos com a maconha são abertos e dispensados sob uma lona ao ar livre, sem proteção alguma contra vespas e outros insetos. Por isso, não é incomum encontrar restos de animais dentro do prensado — mais uma razão para você nunca esquecer de lavar o seu!

As flores são prensadas em prensas hidráulicas com capacidade para 50 toneladas de pressão cada uma. Eles nivelam a maconha usando as botas sujas de lama, depois cobrem a erva com um plástico sujo, umas placas de madeira e, finalmente, a prensa hidráulica. De 5 em 5 quilos, a maconha vai sendo prensada até formar um bloco único de 50 kg. Depois, o material é levado para a última prensa, que realiza os cortes.

Da prensa ao Brasil

Nesse processo, a maconha é derrubada no chão, pisoteada, misturada com maconha mofada entre outros descuidos de enorme potencial para prejudicar a saúde de qualquer um. Porém, uma boa notícia: não, o cheiro forte de amônia não é xixi, e sim uma consequência do processo de decomposição devido aos maus cuidados da produção. 

Os blocos de 1 kg são embalados em plástico-filme, e depois reembalados em pacotes de 24 kg, que são transportados em uma picape para o Brasil. O real motivo para a maconha ser prensada é uma questão de logística: é muito mais fácil e discreto transportar quilos prensados do que quilos in natura, devido à redução do volume.

Por último, mas não menos pior, algumas dessas fazendas mantêm a maconha prensada — e, muito provavelmente, já mofada — estocada por até um ano. Assim, ela absorve mais umidade e chega em condições ainda piores para o consumidor. 

E, como nós sabemos, todo esse quadro lamentável da produção e qualidade da maconha prensada é consequência da proibição. Afinal, as flores colhidas poderiam ser vendidas em lojas físicas, regulamentadas e de fácil acesso. Infelizmente, o proibicionismo obriga os consumidores a se submeterem a um produto insalubre e, de quebra, fortalecer o tráfico de drogas.

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