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Como curar haxixe

Através do processo de cura, sua extração ganha novos aromas, sabores, texturas e propriedades. Mas como curar o haxixe? Aqui, Girls in Green falam mais sobre a temática!

O haxixe, concentrado canábico potente feito através da separação das cabeças de tricoma, é uma paixão de milhares de pessoas ao redor do mundo. E ela está longe de ser recente: fontes como Robert C. Clarke e Frenchy Cannoli estimam que as extrações estejam presentes na cultura de diferentes povos há milhares de anos. Todo esse tempo levou ao desenvolvimento de técnicas variadas de aprimoramento da resina, e uma delas é a cura. Mas, afinal, como curar haxixe?

Atualmente, a gente vive duas realidades distintas: temos os amantes de concentrados que extraem a resina a partir do fresh frozen, com todo cuidado para evitar a degradação e conservar o conteúdo dos tricomas o máximo possível. E temos os apaixonados pela resina curada, envelhecida e transformada, que vão para uma linha considerada mais old school.

A gente já falou de algumas técnicas específicas por aqui, como a Piattella e o badder de rosin. Mas aqui a gente veio dar algumas linhas gerais sobre a cura mais tradicional, da qual nosso querido professor Cannoli sempre espalhou a palavra por aí! Vem com a gente entender por que e como curar seu haxixe.

Por que curar haxixe?

Como diria nosso querido Frenchy, não curar um bom haxixe é o mesmo que fumar uma flor recém-seca. Qualquer conhecedor sabe que você pode até fazer isso, mas vai estar perdendo muito do potencial da planta! Por isso, o professor afirmava categoricamente que qualquer resina de boa qualidade deve ser curada lentamente, ao longo de um período de pelo menos três meses.

Isso por que, depois de três meses, a polimerização dos terpenos transforma aromas e sabores da maconha, conforme o concentrado envelhece e amadurece. Essa maturação das glândulas de resina por meio da cura é semelhante à transformação que ocorre durante a cura das flores, especialmente quando são curadas antes de trimar. Uma cura perfeita dos tricomas é obrigatória para a qualidade, e não se aplica apenas às flores!

Para ele, prensar, ativar e curar as glândulas de resina vai além da facilidade de transporte, da conveniência ou de uma pura estratégia de marketing. É uma operação complexa que altera profundamente a própria natureza das glândulas de resina, suas propriedades psicoativas e medicinais. Sobretudo, é uma forma de arte com milhares de anos de evolução. Lindo, né?

Para resumir, a cura dos concentrados é um processo que:

  • estabiliza a resina, aumentando a sua durabilidade em condições e temperaturas ambientes;
  • provoca uma oxidação controlada, o que facilita a síntese dos canabinoides e tricomas sem perdas consideráveis de propriedades desejáveis;
  • refina o buquê de aromas e sabores de uma boa resina;
  • por vezes, transforma a sua cor e textura.

Como curar haxixe: orientações gerais

Os haxixes mais tradicionais geralmente são prensados e curados antes do consumo. Imagem: Girls in Green.

A melhor maneira de curar o haxixe ou concentrado que você tem em mãos vai depender do material que você usou para fazê-lo e do tipo de extração que foi realizada. No entanto, quando falamos de uma cura mais tradicional, geralmente também estamos falando de uma extração mais tradicional — nesse caso, um bom dry sift ou um ice feito a partir de matéria seca.

Quando falamos nas técnicas do Frenchy, temos três passos essenciais para a cura:

Prensando o haxixe

Antes de pensar em curar, nosso professor Cannoli ensina que precisamos prensar para ativar. Isso é: é necessário aplicar pressão e um pouquinho de temperatura para que o óleo se solte de dentro das cabeças de tricoma, fazendo nosso haxixe ficar com uma textura mais homogênea.

Como a gente já explicou aqui no blog, a aplicação de calor converte o THCA em THC, em um processo chamado de “descarboxilação”. A descarboxilação de canabinoides se dá tanto à luz do dia quanto na escuridão, e parece ser um processo dependente da temperatura. Ela acontece naturalmente com o tempo e a temperatura (em certo grau), como durante a secagem e a cura. Quanto mais calor, mais rápido ela ocorre, dentro de intervalos razoáveis. A descarboxilação também ocorre naturalmente quando o material é queimado ou vaporizado.

No entanto, quando o THCA e o CBDA são convertidos em THC e CBD, o THC também se converte em CBN a uma taxa mais rápida. Por volta de 70% da descarboxilação, o THC se transforma em CBN em uma taxa mais rápida do que a conversão do THCA para THC. Ou seja: é uma operação bem delicada!

A dica do Frenchy é: na hora de prensar a resina, coloque-a em um saquinho resistente ao calor (daqueles de cozinhar). Depois, encha uma garrafa de vidro com água bem quente. Passe essa garrafa de água pela resina como se você estivesse usando um rolo para abrir massa de pizza. Abra seu saquinho, amasse a resina, e repita o processo.

Curando o haxixe

Depois de passar pela prensagem, essa massinha de resina vai precisar descansar em uma fase “não ativa”. Durante ela, acontece a polimerização final dos terpenos e dissipação da clorofila, e é isso que estabiliza seu haxixe.

Essa estabilidade dos canabinoides é influenciada pela luz, temperatura, umidade e disponibilidade de oxigênio. Por isso, a escolha do recipiente, do ambiente de cura e a regulação do oxigênio são cruciais!

Como curar o haxixe: se as flores não foram curadas antes do processo de extração, a resina deve ser mantida em um recipiente fechado e hermético. Esse recipiente pode ser feito de quase qualquer material, mas Cannoli não recomenda o uso de plásticos! A temperatura deve ser mantida em torno de 90ºF (aproximadamente 32°C) durante os três meses necessários para uma cura perfeita. Além disso, o recipiente deve ser aberto a cada dois dias para evitar acúmulo de umidade.

Caso o haxixe tenha sido feito com flores já curadas, esse tempo posterior deve ser reduzido.

Envelhecendo o haxixe

Ao falar de envelhecimento, Cannoli admitiu que há muito poucos dados científicos disponíveis sobre o assunto. Por outro lado, segundo ele, existem diversos relatos em primeira mão sobre haxixes de qualidade com até 12 anos! Ou seja: o envelhecimento também é um processo bem interessante quando estamos falando de haxixe tradicional.

Assim como tabaco, vinho, destilados ou queijo, o envelhecimento aprimora o sabor e os aromas. Assim como na cura, a escolha do recipiente, do ambiente de envelhecimento e a remoção de oxigênio são essenciais para o processo.

O que não fazer ao curar o haxixe

Para curar uma amostra com maestria, é preciso evitar algumas coisas. Imagem: Girls in Green.

Você já deve ter observado alguns dos “pelo-amor-da-deusa-não-faça-isso” ao longo do texto. Mas, para resumir e retomar, alguns dos pontos de atenção no processo de cura são:

  • Não tente curar uma resina molhada. Mofo não é brincadeira, e ele vai surgir e acabar com o que podia ser um haxixe delicioso;
  • Não cure sua resina em recipientes de plástico. Dê preferência a vidros ou aço inoxidável!
  • Se for curar seu haxixe em um vidro, certifique-se de que ele ficará longe da luz. Luz e calor demais podem acelerar o processo de degradação da resina e acabar estragando seu processo.
  • Abrir o recipiente para liberar a umidade é fundamental. Mas não deixe o recipiente aberto! Se você se lembra bem, os terpenos são substâncias voláteis. Por isso, podem evaporar e sair por aí.

A cura é um processo mágico, e existem diferentes formas de fazê-lo. Aqui, a gente usou as guidelines gerais do Frenchy — professor que tanto honramos! Mas você pode testar diferentes técnicas e entender qual delas funciona melhor para você.

E aí, tem alguma dica? Deixa ela aqui nos comentários, e não esquece de nos seguir lá no Instagram @girlsingreen710.

Fotografia em destaque: Girls in Green.

Picture of Girls in Green

Girls in Green

O Girls in Green é um projeto feito por mulheres canábicas, focado na produção e disseminação de conteúdo digital acessível, livre de julgamentos e tabus, abordando temas como maconha, uso de drogas, cultivo, haxixe e política - sempre sob a ótica da Redução de Danos. O principal objetivo do canal é combater o estigma e a desinformação resultantes da Guerra às Drogas.

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