Cannabis ajuda mulheres com fibromialgia resistente a tratamentos, diz estudo

Fotografia, em fundo verde-esmeralda, que mostra o topo da cola de uma planta de maconha repleta de tricomas e pistilos marrons e suas folhas. Imagem: ArtHouse Studio | Pexels. canábico

Como o uso de cannabis continua a aumentar em todo o mundo, os pesquisadores investigam o seu papel no tratamento da fibromialgia, uma síndrome de dor comum que afeta as mulheres duas vezes mais que os homens

Parece que o tratamento com cannabis resultou em efeitos benéficos de curto prazo na qualidade de vida de mulheres com fibromialgia resistente aos tratamentos, de acordo com um estudo publicado na Pain Practice. Principalmente no que diz respeito à dor, sono, mente e a disposição.

À medida que o uso mundial de cannabis aumenta, os investigadores questionam seu papel no tratamento da fibromialgia como uma das síndromes de dor mais comuns da atualidade, explicam os pesquisadores.

“Ao longo da história, diferentes culturas usaram cannabis para tratar a dor. A medicina moderna descobriu o papel do sistema endocanabinoide na fisiopatologia da dor neuropática”, escreveram.

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Estudos anteriores ainda mostraram que a cannabis é eficaz na promoção e na qualidade do sono. Outras vantagens do tratamento com cannabis também incluem um alívio da dor sem efeitos colaterais significativos.

Como o estudo foi feito

O estudo utilizou o questionário Bref, um questionário da Organização Mundial da Saúde. Trata-se de uma ferramenta simples, que avalia a qualidade de vida relatada pelo paciente. Ele foi importante para entender melhor o impacto do tratamento com cannabis. A pesquisa foi feita com 30 mulheres de 18 a 70 anos com fibromialgia resistente ao tratamento, ou seja, não havia mais opções de tratamento farmacológico.

As perguntas focaram em quatro áreas: questões psicológicas, saúde física, relações sociais e ambiente. O questionário foi preenchido antes do início do tratamento com a cannabis e no acompanhamento após um mês.

As pacientes ainda podiam escolher sua via de administração, como fumar, vaporizar ou ingerir.

Resultados

A média de idade das participantes era de 46 anos. Elas apresentavam dores e desconfortos, dependência de medicamentos, qualidade de vida ruim e atividades diárias reduzidas antes da intervenção. Fatores ambientais, incluindo acesso à saúde e assistência social, recursos financeiros, transporte e ambiente físico, foram altos, indicando morbidade relacionada à fibromialgia em oposição a restrições ambientais.

Durante o uso da cannabis, o tratamento foi associado de primeira a melhorias na qualidade de vida geral. Foi visto uma melhora nas atividades da vida diária, domínio psicológico, saúde física, e reduções nas dores e desconforto e fadiga.

Melhorias que também foram percebidas na mente das pacientes, como autoestima, recreação e lazer, memória e concentração, sentimentos positivos e até no sexo.

O ambiente doméstico e os recursos financeiros não foram afetados pelo tratamento com cannabis.

Mais estudos

Os cientistas destacam que o tamanho da amostra relativamente pequeno, assim como o curto período de acompanhamento e a falta de um grupo de comparação, limitou o estudo. No entanto, as melhorias na qualidade de vida após o tratamento foram  estatisticamente significativas. Pesquisas futuras devem examinar os efeitos mentais da cannabis, bem como um declínio do tratamento dependente do tempo ou da dose.

“Mais estudos ainda são indicados para entender esse potencial e seu impacto a longo prazo”, concluíram os pesquisadores. “Estudos epidemiológicos futuros devem examinar outros fatores de confusão, como índice de massa corporal (IMC), ansiedadedepressão, distúrbios ou traços de personalidade, problemas médicos crônicos e vários medicamentos regulares”.

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