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CBD X Pregabalina: efeitos e comparativos

Hoje em dia, muitas pessoas têm considerado o uso do CBD para o tratamento da dor por causa dos poucos efeitos adversos. Mas essa troca é vantajosa?

Já ouviu falar da pregabalina? O anticonvulsivante é bastante utilizado no Brasil e nos Estados Unidos, mas principalmente como um analgésico por causa da sua ação no sistema nervoso. Mas será que o CBD (canabidiol) pode substituí-lo?

Nas farmácias desde 2005, a pregabalina é um medicamento que ajuda a regular o Sistema Nervoso Central. Por isso, além da sua ação nas dores, o remédio pode ser usado também como um ansiolítico e anticonvulsivante.

Utilizado principalmente para dores neuropáticas e fibromialgia, o medicamento é classificado como gabapentinoide, devido a sua estrutura molecular ser semelhante a um neurotransmissor do corpo que funciona como um inibidor, chamado de GABA (ácido gama-aminobutírico).

Alguns estudos mostraram também que a pregabalina pode ser utilizada para tratar ansiedade social, ondas de calor relacionadas à menopausa, insônia e até transtorno bipolar, embora não constem na bula.

Como funciona a pregabalina?

De acordo com o neurologista André Millet, o mecanismo de ação da pregabalina está relacionado à sua ligação a uma subunidade específica de canais de cálcio dependentes de voltagem, chamada de subunidade α2δ.

“Esses canais de cálcio estão envolvidos na liberação de neurotransmissores excitatórios no sistema nervoso, incluindo o glutamato e a substância P. Quando a pregabalina se liga a essa subunidade α2δ, ela reduz a liberação desses neurotransmissores, diminuindo a transmissão de sinais de dor”, explica.

Millet relata que a ligação da pregabalina à subunidade α2δ também parece modular a atividade de outros canais iônicos e mecanismos intracelulares, o que contribui para os efeitos analgésicos e anticonvulsivantes do medicamento.

Em resumo, o principal mecanismo de ação da pregabalina no alívio da dor é a sua ligação e modulação da subunidade α2δ dos canais de cálcio dependentes de voltagem, levando à redução da liberação de neurotransmissores excitatórios e, consequentemente, diminuição da transmissão dos sinais de dor.

“Este mecanismo específico confere à pregabalina sua eficácia comprovada no tratamento de diversas condições de dor neuropática”, conclui.

Desvantagens e efeitos adversos

Claro que o remédio também tem o seu lado negativo. Como, por exemplo, a possibilidade de dependência, quando há abuso na dosagem ou o uso crônico. Por isso, o recomendado é que o remédio seja utilizado apenas quando prescrito pelo médico e somente no tempo estimado.

A pregabalina também não é recomendada para:

  • Grávidas;
  • Lactantes;
  • Pessoas com histórico de abuso de substâncias;
  • Pacientes com doenças no pulmão, rins, fígado e insuficiência cardíaca;
  • Diabéticos; Menores de 18 anos (no caso de dores neuropáticas).

Em idosos, é preciso ter bastante cautela para a administração de pregabalina.

Agora falando de efeitos colaterais, eles costumam ser moderados na maioria dos casos. Os mais comuns são:

  • Boca seca;
  • Inchaço;
  • Visão turva;
  • Tontura;
  • Sonolência;
  • Dor de cabeça;
  • Dificuldade de concentração;
  • Ganho de peso.

O medicamento também não pode ser misturado com alguns remédios, pois pode acontecer interações medicamentosas, que incluem alguns antidepressivos, ansiolíticos, antipsicóticos, anti-histamínicos, remédios para o coração, para dormir e diabetes.

Se utilizar algum desses remédios, é importante informar ao médico antes de começar a tomar a pregabalina.

Ação do canabidiol no organismo

O uso do CBD tem crescido de forma rápida no Brasil. Não só para crises convulsivas, mas também para o tratamento de condições dolorosas como dores neuropáticas e fibromialgia.

Embora os estudos científicos ainda não tenham uma opinião totalmente formada sobre o assunto, não são poucos os casos em que pacientes fibromiálgicos se beneficiaram do uso do canabidiol como tratamento.

Mas ao contrário da pregabalina, o CBD atua por um mecanismo diferente. Ela funciona através do chamado Sistema Endocanabinoide.

Presente em boa parte do organismo, esse sistema também funciona a nível molecular, mas ajudando a restaurar a homeostase, ou seja, na restauração do equilíbrio do corpo.

Se uma pessoa está com dor, por exemplo, o sistema envia os chamados canabinoides que sinalizam que algo está errado e precisa ser corrigido. A cannabis também possui estas substâncias, que atuam de forma parecida com as nossas.

O CBD, por exemplo, é um canabinoide. E, por ser bem aceito pelo corpo, os efeitos colaterais são consideravelmente menores do que os de remédios convencionais.

Por outro lado, o neurologista André Millet explica que o tratamento com o CBD é individual para cada um e é necessário um tempo até encontrar a dosagem ideal.

“Profissionais diferentes podem sugerir concentrações e doses diferentes, de acordo com a experiência de cada um e a individualidade do paciente”, acrescenta.

CBD X pregabalina

De acordo com o médico, tanto o CBD quanto a pregabalina podem ser opções terapêuticas para dores neuropáticas. Contudo, a pregabalina possui um conjunto de evidências clínicas mais robustas e é considerada um tratamento “padrão-ouro” nessa indicação.

Ou seja, o medicamento é uma referência quando se trata de dores neuropáticas.

“Ainda assim, o CBD pode ser uma alternativa interessante, especialmente para pacientes que não respondem bem ou não toleram os efeitos da pregabalina. Ainda carecemos de evidências suficientes para justificar uma substituição, exceto por baixa adesão”, acrescenta.

Millet ainda acrescenta que o canabidiol também pode ser uma opção quando falamos do uso crônico, uma vez que a pregabalina não pode ser usada por muito tempo.

Por outro lado, o uso precisa ser conversado com um médico, que poderá dizer se a troca é vantajosa ou não para o caso.

Fotografia de capa: Freepik.

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Cannalize

A Cannalize é um portal segmentado com o foco em trazer educação ao público, tanto sobre a cannabis medicinal quanto o uso adulto. O objetivo é responder todas as dúvidas sobre o universo canábico, desmistificar mitos e informar de forma embasada em e ancorada em especialistas e pesquisas científicas.

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