Cannabis ajuda paciente com câncer: “Foi um tratamento perfeito”

Fotografia que mostra a ponta de uma cânula com óleo de onde sai uma gota, a parte de cima de um frasco de cor âmbar e um fundo desfocado de folhas de cannabis. Foto: Cannabis Radar. eslovaquia

Ieda encontrou na cannabis uma aliada para conter os efeitos colaterais do tratamento contra um câncer de mama

Ieda Marques, de Uberlândia (Minas Gerais), descobriu um câncer de mama agressivo em 2019. Apesar de passar por uma cirurgia, a pior parte foram os efeitos colaterais da quimioterapia e radioterapia.

A assistente social não conseguia se alimentar direito por causa das náuseas e falta de apetite. Também precisava conviver com sintomas ansiosos e depressivos causados pelo medo de ter um câncer.

Foi um mastologista de Belo Horizonte que recomendou o uso da cannabis para ajudá-la a passar pelo processo, opção que ela já queria experimentar há um tempo. E o óleo foi fundamental para que todos os sintomas sumissem.

“Foram sete meses de tratamento perfeito. Quando eu falo para os médicos, eles não acreditam no quão perfeito foi. Eu não senti nada, nada”, diz Ieda. “Quando eu estava fazendo a quimio, até ouvia da minha cabine as pessoas vomitando, chorando, soluçando. Mas eu estava tranquila”, acrescenta.

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Cannabis para o câncer

O uso da cannabis é cada vez mais frequente no Brasil. De acordo com o último levantamento da Kaya Mind, cerca de 430 mil pessoas já utilizam a planta como opção para uma variedade de condições médicas.

Entre elas está o câncer. Os produtos feitos com a planta são usados para ajudar a conter os efeitos colaterais causados pelos tratamentos contra o câncer, como náuseas e vômitos.

Além de ajudar o paciente a dormir melhor, diminui as dores e ajuda até em funções cognitivas, de acordo com alguns estudos.

Nos EUA, por exemplo, há até remédios específicos para amenizar os sintomas, como o Dronabinol e Nabilone, aprovados pela FDA (Food and Drug Administration), uma espécie de Anvisa do país.

No Canadá, outro remédio bem famoso é o Nabiximols, também chamado de Sativex no Reino Unido e Mevatyl no Brasil. Embora ele seja recomendado para Esclerose Múltipla, também é usado para tratar dores em casos de câncer avançado.

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Cannabis e células cancerosas

Além de ajudar a proporcionar qualidade de vida aos pacientes em fase de tratamento, há estudos que mostram também uma ação da planta em células cancerosas.

Embora ainda precise de mais pesquisas, o assunto tomou grande repercussão nos Estados Unidos depois que o próprio Instituto Nacional do Câncer dos EUA admitiu que a planta pode matar as células cancerígenas, além de impedir o crescimento de novas células.

Parece que a cannabis atua como um anti-inflamatório, bloqueando o crescimento das células, além de prevenir o crescimento de vasos sanguíneos que alimentam o tumor. Também lutando contra os vírus e aliviando dores musculares.

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Tratamento para a mãe

Ieda Marques não podia guardar os benefícios da cannabis só para si. Quando a assistente social presenciou a sua melhora com a cannabis, não pensou duas vezes em perguntar ao médico se a mãe poderia utilizar também.

Dona Ana tinha Alzheimer, mas o óleo de cannabis foi necessário para que a aposentada tivesse uma boa qualidade de vida. “Ela faleceu no ano passado, ainda tomava. Sarou até de uma dor crônica que ela tinha, uma dor lombar que nunca sarava”, acrescenta.

Produtos feitos de cannabis também podem ser utilizados para o tratamento de demências. De acordo com um estudo feito aqui no Brasil, o óleo feito com a planta foi capaz de minimizar os impactos gerados pelo Alzheimer e até reverter parte dos danos relacionados à doença.

Outro que se beneficiou com a cannabis foi o seu gato Godô, de 11 anos. O felino não andava e a tutora descobriu que ele tinha uma hérnia de disco, comum em animais com idade.

Ieda dava um óleo comprado por uma associação de São Paulo. E o gato, que se arrastava por causa da dor, voltou a andar. “Anda meio tortinho, mas agora sem dor”, completa.

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Uma vida dedicada a ajudar

Depois das experiências na família, a assistente social dedica parte do seu tempo para ajudar pacientes que querem iniciar um tratamento com a cannabis. Ela os ajuda a encontrar um médico e indica locais onde a pessoa pode encontrar os produtos com preços acessíveis.

Pacientes que são encaminhados até mesmo pelo seu filho, que é médico e também fascinado pelo tratamento com a cannabis medicinal.

Diferente do que se pensa, a cannabis é um tratamento único para cada pessoa. Isso por que a concentração de CBD (canabidiol), THC (tetrahidrocanabinol) e outros componentes da planta varia de acordo com cada caso.

Há quem demore até seis meses para encontrar um óleo ideal.

“Eu sofri muito para encontrar o meu óleo. Por isso, eu estou fazendo esse trabalho, ou devo dizer, acolhimento”, conclui.

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Imagem de capa: Cannabis Radar.

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Sobre Cannalize

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