Cannabis mostra potencial para combater mosquito da dengue, segundo pesquisa brasileira

Estudo demonstrou efeito larvicida da maconha sobre as larvas do Aedes aegypti

O extrato de maconha demonstrou potencial para combater a proliferação do mosquito da dengue (Aedes aegypti), segundo as descobertas de um experimento que analisou a influência da cannabis no desenvolvimento embrionário das larvas do pernilongo.

Uma equipe de pesquisadoras e pesquisador do Centro de Biociências da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) elaborou um extrato bruto a partir de inflorescências de maconha e o dissolveu em água destilada. As larvas do mosquito foram então colocadas em tubos contendo essa solução.

A análise revelou que as larvas expostas ao extrato de cannabis sofreram alterações morfológicas que inibem o seu desenvolvimento para a fase adulta. Mais especificamente, a exposição à cannabis fez com que as larvas expulsassem a membrana peritrófica de seu tubo digestivo.

Entre outras funções, a membrana peritrófica protege o intestino dos insetos contra o desgaste causado pelo atrito dos alimentos e microrganismos.

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“A evolução da larva seguiu normalmente até o terceiro estágio, quando começamos a observar mudanças. No quarto, essas mudanças ficaram mais perceptíveis e, quando analisamos o microscópio, vimos que a membrana peritrófica estava exposta. Se ela se rompe, a larva não segue sua evolução normal”, explicou a pesquisadora Suelice Guedes, uma das autoras do estudo, ao portal UOL.

Segundo Guedes, que é enfermeira especialista em oncologia e hematologia, após os resultados promissores dessa primeira fase, novos testes deverão ser feitos para comprovar o efeito da cannabis sobre as larvas e compor o resultado final da pesquisa.

Embora não tenha causado a morte das larvas, a expulsão da membrana comprova a ação tóxica da cannabis nas larvas. Segundo os autores, a descoberta possibilitará a exploração das propriedades farmacológicas da maconha em outros ensaios.

O artigo “Efeito na morfogênese embrionária do Aedes aegypti oriunda da Cannabis sativa L. (Moraceae)” foi publicado na revista Atena Editora.

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As descobertas inéditas da pesquisa são de grande relevância para a saúde pública, uma vez que o Aedes aegypti é transmissor de doenças graves como dengue, zika e chikungunya, cujo enfrentamento tem se mostrado um desafio para as autoridades de saúde.

A cannabis utilizada na pesquisa foi coletada na associação Aliança Medicinal, sediada na cidade de Olinda, que tem autorização judicial para cultivar, produzir e dispensar medicamentos à base de maconha, bem como realizar pesquisas sobre os benefícios medicinais da planta.

O cultivo de cannabis para fins medicinais, veterinários e científicos é autorizado por lei em Pernambuco. A legislação, sancionada em dezembro do ano passado, estabelece que é permitido às associações de pacientes, nos casos autorizados pela Anvisa ou por legislação federal, o cultivo e o processamento de cannabis para fins terapêuticos.

Dito isso, um estudo realizado no Brasil, Israel, Palestina, Etiópia e Cazaquistão revelou que os mosquitos transmissores da leishmaniose preferem o consumo de maconha a outras plantas (além das fêmeas consumirem sangue, tanto os flebotomíneos machos quanto as fêmeas ingerem néctar e seiva das plantas como fonte de energia). Os achados foram publicados em 2018 nos anais da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (PNAS).

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Imagem de capa: GetArchive.

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