Buenos Aires recebe sua 4ª edição do Festival Internacional Cinecannábico

FICC Buenos Aires 2024

Festival Internacional Cinecannábico volta à Cidade Autônoma de Buenos Aires para acender o debate em torno da planta e difundir a cultura

A quarta edição argentina do Festival Internacional Cinecannábico (FICC) acontece em Buenos Aires, com entrada livre e gratuita, entre os dias 15 e 24 de fevereiro. O evento, que nasceu com o propósito de quebrar os estigmas sociais que envolvem a maconha e seus usuários através do cinema e da cultura, apresenta uma seleção de 26 filmes de 14 países ao redor do mundo.

Competindo nas categorias longa e curta-metragem, os filmes serão exibidos presencialmente no Centro Cultural Caras e Caretas, onde também acontecerão rodas de conversa, shows de música (com direito a cyphers), oficina de animação, mostra de fotos, premiação e festas.

Além da exibição presencial, o FICC Buenos Aires disponibilizará a maioria dos filmes on-line através da Octubre TV, entre os dias 25 de fevereiro e 10 de março — alguns títulos serão exibidos exclusivamente na plataforma.

O Festival deste ano conta ainda com mais dois espaços além da sede: o Ponto de Encontro FICC em Cave Canem e o espaço cultural Woki Toki, onde será realizada a festa de encerramento.

“Nossa intenção é informar através do cinema, como gatilho para o debate, quebrar tabus, normalizar a regulação, desde seus aspectos medicinais, recreativos, industriais, culturais, educacionais e sociais, sem promover o consumo”, afirma o FICC em comunicado.

 

 

 

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Embora tenha perdido algumas conquistas sob o atual governo argentino, como o apoio dos Museus Nacionais, o FICC resiste e continua sua missão de difundir a cultura canábica e democratizar a sétima arte, se adaptando às dificuldades e mantendo gratuito o acesso ao festival.

“Às vezes sentimos que estamos num daqueles pesadelos recorrentes, é um filme que já vimos e que tem um final assustador. Decidimos voltar ao nosso motor inicial, recuperar nossos saberes, lutar pelos direitos de todos, levantar a voz contra a hegemonia, gerar espaços de encontro, construir comunidade, abraçar as organizações e grupos sociais, respirar cultura, memória, identidade. Tivemos que deixar pelo caminho muitas de nossas conquistas, mas faremos o Festival e, embora não estejamos mais nos Museus Nacionais, o vamos fazer de graça, como sempre fizemos” — Malena Bystrowicz e Alejo Araujo, codiretores do FICC.

Entre os destaques do FICC Buenos Aires 2024 estão três filmes brasileiros:

Procura-se Meteorango Kid: Vivo ou Morto (2023)

“Procura-se Meteorango Kid: vivo ou morto”, codirigido por Marcel Gonnet e Daniel Fróes, é um documentário que visita a experiência de realizar Meteorango Kid – O Herói Intergalático, um filme envolvendo drogas e tropicalismo, que foi produzido em 1969 e censurado pela ditadura militar. Nesse novo longa-metragem, o diretor da primeira obra, André Luiz Oliveira, guia o telespectador através dos mitos desta pérola do cinema marginal e releva os mistérios da invenção do personagem que se tornou um símbolo da contracultura.

Baseado em fatos (2023)

Curta de comédia dirigido por Amanda Rezer, “Baseado em fatos” conta a estória de Mari e a incomum crise de abstinência pela qual a personagem passa após parar repentinamente de fumar maconha.

Conserva (2023)

No verão de 1987-1988, milhares de latas de maconha apareceram na costa brasileira, do litoral do Sudeste ao Sul. No curta de Diego Benevides, as correntes do Oceano Atlântico levaram as latas também para o litoral do Nordeste brasileiro. A dádiva inusitada chega até o Velho Pereira, que recorda de quando ganhou um presente do mar e de seu passado, filmado com uma Super-8.

Também representará o Brasil no FICC Buenos Aires, como jurado da categoria curta-metragem, o jornalista e documentarista brasileiro Matias Maxx, que possui uma carreira profissional de 25 anos, incluindo a reportagem “A pacificação do complexo alemão deu certo?” (ganhadora do V Prêmio Latino-Americano de Periodismo sobre Drogas) e uma série de reportagens sobre o cultivo ilegal de maconha no Paraguai, permeada pelo ativismo em prol da legalização da maconha.

O Festival Internacional Cinecannábico acontece desde 2019 e, além das edições argentinas, já teve duas edições em Santiago do Chile e quatro em Montevidéu, no Uruguai. O evento aceita obras audiovisuais de qualquer duração e gênero, desde que abordem a cannabis ou outras substâncias psicoativas, e a curadoria seleciona os filmes levando em conta critérios de qualidade, originalidade e habilidade no desenvolvimento narrativo da obra.

Confira a programação completa e saiba mais sobre o FICC Buenos Aires aqui.

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Imagem em destaque: FICC | Divulgação.

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