Na Argentina, associações podem distribuir baseados pré-enrolados aos pacientes

Mãos segurando um baseado.

Associações de pacientes argentinas podem distribuir cannabis em diversas formas aos seus associados, incluindo cigarros

Os pre-rolls ou pré-enrolados de cannabis medicinal estão varrendo os mercados internacionais. E, por exemplo, na Argentina, são considerados um produto acabado com valor agregado, um daqueles que podem oferecer novas oportunidades às Associações Civis cadastradas no programa REPROCANN.

O que é um baseado pré-enrolado?

Basicamente, um pré-enrolado de cannabis é um produto que consiste em cannabis moída e pré-embalada num papel ou invólucro especial.

É entregue ao paciente pronto para ser consumido sem preparo prévio. Mas…

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O advogado Juan Palomino destaca a capacidade das associações civis argentinas de usuários de cannabis medicinal de distribuí-la em diversas formas, incluindo baseados pré-enrolados.

“Ao contrário do Uruguai, onde apenas flores podem ser entregues, na Argentina ONGs ou associações civis podem distribuir cannabis em diversas formas, incluindo cremes, óleos e pré-enrolados. Isso por que o consumo é determinado de acordo com a saúde do paciente, assunto tratado de forma privada pelos profissionais de saúde”, explicou Palomino.

No entanto, aponta para desafios na regulamentação e capacitação das forças de segurança, que podem dificultar o bom desenvolvimento da indústria.

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“Pode-se agregar valor aos pré-enrolados com componentes como haxixe, destilados e rosin. Porém, falta clareza jurídica e capacitação das forças de segurança quanto ao seu transporte, o que representa risco de criminalização, dificultando o fluxo da indústria”, acrescenta o advogado 420.

Gonzalo Bustos, advogado e membro do CCER, destaca a legalidade da distribuição de baseados pré-enrolados aos pacientes cadastrados no REPROCANN.

“A distribuição de pré-enrolados para pacientes cadastrados no programa REPROCANN é legal. Em uma clínica no Paraná estamos desenvolvendo embalagens específicas para esses pré-enrolados, o que esclarece que não se trata de produtos comerciais, mas sim de medicamentos prescritos”, destaca o advogado.

Bem-vindo à cannabis medicinal

Para Vicente, da Nisor S.R.L., os baseados pré-enrolados têm a vantagem de oferecer um produto premium, semelhante ao vinho, destacando a sua capacidade de atrair consumidores não habituais.

Esta acessibilidade poderá abrir novas oportunidades na indústria da cannabis, especialmente entre aqueles que não estão familiarizados com o cultivo ou a preparação da cannabis.

“Os pré-enrolados oferecem novas oportunidades na indústria da cannabis, pois atraem pessoas que não cultivam regularmente. Eles não requerem habilidade para prepará-los. Apresentam-se como uma opção acessível e especial, semelhante a um presente de qualidade como um bom vinho ou champanhe”, afirma Vicente.

E acrescenta: “Permitem aos consumidores experimentar diferentes variedades e sensações sem a necessidade de serem especialistas em cannabis, abrindo assim o mercado a um público mais vasto através de estratégias de marketing, um bom packaging, rótulos, etc.”

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Packaging: cultura e educação em pré-enrolados

Mike, cultivador profissional, considerou a este respeito: “Os pré-enrolados são uma tendência a ter em conta nos EUA e no Canadá. Muitos usuários pouco frequentes escolhem o pré-enrolado porque torna o acesso mais fácil e conveniente”.

“Acho que os usuários frequentes vão preferir comprar as flores e fazer seus produtos. A flor dá uma abordagem tátil ao usuário que é muito importante, você vê a flor, você admira, é diferente”, disse Mike.

Mike acredita que os clubes estão autorizados a entregar diferentes tipos de produtos e destaca a diversidade do mercado estadunidense de pré-enrolados, onde vemos um packaging avançado, com baixo custo por unidade.

“Existem produtos que misturam flores com ‘manicure’, diminuindo custos com valor agregado, por virem munidos de diversos componentes, que podem ser mais light ou mais potentes, de acordo com o segmento de mercado alvo”, disse Mike.

Enquanto isso, de Entre Ríos, Bustos explicou: “Nossos pre-rolls são voltados para um público entre 30 e 50 anos, são produtos com baixo efeito psicoativo. A embalagem busca educar o paciente e melhorar a conservação da cannabis”.

“Seria ideal que os pré-enrolados tivessem uma cromatografia, para saber quanto THC e CBD tem esse pré-enrolado que estão vendendo para você”, considerou Mike a respeito do packaging e rotulagem dos pré-enrolados argentinos.

Mercado interno

Bruno Martínez, criador e empresário industrial argentino, destacou que “a produção rastreável de pré-enrolados de cannabis na Argentina poderia beneficiar unidades produtivas de média complexidade, especialmente para fazer face às despesas operacionais”.

Da mesma forma, considera importante ter critérios nacionais unificados e um mapeamento do mercado nacional que permita prever a rastreabilidade, a qualidade, a oferta e a procura.

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Como quem levanta uma massa, Martínez acredita que o mercado interno, que inclui mas não se limita aos baseados pré-enrolados, pode ser a base para empresas maiores.

“Primeiro temos que ter uma massa produtiva, um estoque homogêneo, de uma indústria leve, mais básica, que possa evoluir para uma indústria mais complexa, para agregar ainda mais valor às commodities, como poderia ser uma produção argentina de cannabis full-CBD para exportação”, Martínez acrescentou.

E explicou: “Primeiro, devemos considerar que os primeiros produtos têm um pequeno valor agregado, sem grande complexidade tecnológica, que são acessíveis a pequenas unidades produtivas. Se forem rastreáveis e de qualidade, há mercado e público que pode consumir pré-enrolados em massa”.

Parceiros estratégicos

“Atualmente, as empresas privadas não estão legalmente autorizadas a vender pré-enrolados de cannabis, ao contrário das ONGs. São necessárias regulamentações claras para facilitar a cooperação entre empresas privadas e associações civis”, afirmou Vicente, iluminando um possível mercado interno.

Desafios de qualidade

Segundo Vicente, os produtos pré-enrolados apresentam desafios na preservação de suas qualidades, como umidade e sabor, que se deterioram com o tempo.

“A qualidade dos pré-enrolados pode ficar comprometida, principalmente quando a demanda é alta e o armazenamento não é adequado”, explica o santafeense.

Vicente alerta ainda que, por se tratar de um produto manufaturado, às vezes são utilizados produtos de qualidade inferior em produtos pré-enrolados.

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E quanto ao potencial dos pré-enrolados, ele discorda do resto: “A produção em larga escala de pré-enrolados de cannabis na Argentina não parece viável no curto prazo sem regulamentações claras que proporcionem segurança às empresas”.

“Atualmente, a exportação de flores e sementes secas, especialmente variedades com baixo teor de THC, como a nossa genética registrada ‘Aromito’, é mais interessante. Os elevados custos da produção manual, aliados à falta de regulamentação adequada, limitam a expansão deste mercado”, afirma Vicente.

De certa forma, Mike alerta que o produtor pode usar flores da parte inferior da planta, que são menores e não são tão atraentes visualmente.

“De qualquer forma, para ser eficiente você precisa de uma máquina que automatize o processo”, disse Mike. E, nesse sentido, Vicente concorda.

Segundo Vicente: “Usar máquinas reduz custos. No entanto, a necessidade de importar estas máquinas representa um desafio”.

Pré-enrolado: made in Argentina

Em San Martín, Javier Muti e sua equipe, à frente da metalúrgica Le Caburé, preenchem a lacuna de Vicente.

Nos subúrbios já estão sendo construídas diversas máquinas para agilizar o processo do pré-enrolado na Argentina.

“Fabricamos máquinas que respondem aos gargalos que a indústria tem, que aceleram a produção, em escala micro e industrial, e já recebemos consultas sobre essas máquinas”, explicou Muti.

“Estamos explorando a possibilidade de fabricar máquinas de pré-enrolados adaptadas a diferentes escalas de produção. Com nossa capacidade de fabricação e equipe de design, estamos confiantes de que poderemos fabricá-las na Argentina”, comentou Muti.

“O princípio de funcionamento não é muito complexo, possui agitação incorporada e um sistema de pressão de ar que ajuda a homogeneizar a cannabis dentro do cone pré-enrolado, composto por filtro e papel. Funcionam em 220 V, não é necessário dimerização de luz industrial e o processo de limpeza também é simples”, finalizou o metalúrgico.

Por Nicolás José Rodriguez, publicado originalmente no El Planteo.

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