Anvisa autoriza a fabricação de mais um produto de cannabis

Mãos segurando um frasco e conta-gotas e um cultivo de cannabis. Foto: cubodeluz | Freepik.

Extrato contém todos os fitocanabinoides presentes na maconha, porém com quantidade ínfima de THC

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a fabricação de mais um produto de cannabis para uso medicinal: o Extrato de Cannabis sativa Ease Labs 36,76 mg/ml, uma solução oral obtida a partir do extrato vegetal da maconha.

O produto será fabricado pela mineira Ease Labs Pharma e conterá 25 mg/ml de canabidiol (CBD), segundo um comunicado à imprensa. A concentração de THC, de acordo com a autorização sanitária, será de até 0,2 por cento.

“É o primeiro produto contendo THC fabricado no Brasil e aprovado pela Anvisa, que irá beneficiar pacientes de diferentes doenças e ainda traz o diferencial de preço, segurança e qualidade de produção de uma empresa como a nossa, que atua com a cadeia de suprimentos ágil, verticalizada e já detém todas as etapas do processo de fabricação dos produtos de cannabis”, afirmou Gustavo Palhares, CEO e cofundador do grupo.

Esse é o terceiro produto à base de cannabis da Ease Labs que recebeu autorização da Anvisa.

O primeiro foi autorizado há dois anos e também trata-se de um derivado vegetal (fitoterápico), porém com uma concentração de 79,14 mg/ml e contendo 47,5 mg/ml de CBD, com até 0,2% de THC. O produto é fabricado na Colômbia e distribuído no Brasil sob a forma de solução em gotas.

Já o segundo produto autorizado é um fitofármaco — ou seja, é produzido a partir do canabinoide isolado — e contém 100 miligramas de CBD por mililitro. A autorização sanitária do Canabidiol Ease Labs 100 mg/ml foi publicada há pouco mais de um ano.

Os produtos de cannabis da Ease Labs são comercializados mediante a apresentação de receita especial tipo B (cor azul), uma vez que contêm até 0,2% de THC, sob a resolução RDC 327/2019 da Anvisa — para produtos com maior porcentagem do canabinoide, a norma exige que seja apresentada receita tipo A (amarela).

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Dito isso, a Anvisa já aprovou 26 produtos derivados de cannabis — dez à base de extratos de maconha e dezesseis de canabidiol. Confira a lista atualizada, a seguir:

  • Canabidiol Prati-Donaduzzi (20 mg/ml);
  • Canabidiol Prati-Donaduzzi (50 mg/ml);
  • Canabidiol Prati-Donaduzzi (200 mg/ml);
  • Canabidiol NuNature (17,18 mg/ml);
  • Canabidiol NuNature (34,36 mg/ml);
  • Canabidiol Farmanguinhos (200 mg/ml);
  • Canabidiol Verdemed (23,75 mg/ml);
  • Canabidiol Verdemed (50 mg/ml);
  • Canabidiol Belcher (150 mg/ml);
  • Canabidiol Aura Pharma (50 mg/ml);
  • Canabidiol Greencare (23,75 mg/ml);
  • Canabidiol Active Pharmaceutical (20 mg/ml);
  • Canabidiol Promediol (200 mg/ml);
  • Canabidiol Collect (20 mg/ml);
  • Canabidiol Mantecorp Farmasa (23,75 mg/ml);
  • Canabidiol Ease Labs (100 mg/ml);
  • Extrato de Cannabis sativa Promediol (200 mg/ml);
  • Extrato de Cannabis sativa Zion Medpharma (200 mg/ml);
  • Extrato de Cannabis sativa Cann 10 Pharma (200 mg/ml);
  • Extrato de Cannabis sativa Greencare (79,14 mg/ml);
  • Extrato de Cannabis sativa Greencare (160,32 mg/ml);
  • Extrato de Cannabis sativa Ease Labs (79,14 mg/ml);
  • Extrato de Cannabis sativa Ease Labs (36,76 mg/ml);
  • Extrato de Cannabis sativa Mantecorp Farmasa (79,14 mg/ml);
  • Extrato de Cannabis sativa Mantecorp Farmasa (160,32 mg/ml).
  • Extrato de Cannabis sativa Cannabr (10 mg/ml).

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A autorização sanitária dos produtos de cannabis tem um prazo máximo de cinco anos, contados após a data da publicação — dentro desse período, a empresa que pretenda fabricar e comercializar esses produtos deve solicitar a regularização pela via de registro de medicamentos. O único medicamento à base de maconha aprovado no Brasil até o momento é o Mevatyl.

Um relatório divulgado pela Anvisa no ano passado, contendo resultados de uma consulta popular sobre a RDC 327, mostra que a maioria dos pacientes que fazem uso dos produtos de cannabis o faz para tratamento de ansiedade e relata experiências positivas, com atendimento às suas expectativas e melhora da qualidade de vida.

O custo dos produtos foi apontado pela maioria dos pacientes como uma das dificuldades para o acesso, seguido da disponibilidade em farmácia e prescrição médica.

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Imagem de capa: cubodeluz | Freepik.

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